O professor universitário Hélio Santos, hoje, às 23:30, na TV Cultura. Não perca

Professor universitário, Hélio Santos, presidente do Instituto Brasileiro da de Diversidade, foi um dos que lutou para a implantação do sistema de cotas raciais nas universidades brasileiras.

Sobre a questão do negro no Brasil, o professor universitário Hélio Santos comenta: “A nossa escravidão foi a mais longa: 354 anos. Para cada 10 anos de Brasil, 07 ocorreram sobre o signo da escravidão. Como reverter isso? O 14 de maio, o dia seguinte ao fim da escravidão é o dia mais longo do Brasil, você encontra restos desse dia nas esquinas, nas favelas, nas prisões. Não há uma política pública no dia seguinte para aproveitar aqueles talentos que haviam construído o país até então. As políticas de cotas são uma tentativa de ajustar isso, por um período que eu coloco de 30 anos, porque essas políticas não são para todo o sempre”.

Ainda focando na questão histórica, o professor universitário Hélio Santos comenta: “o Brasil fez uma imigração europeia muito importante, apoiou com dinheiro, mas não fez isso com os índios, muito menos com os negros. Esse desajuste está ai. Hoje, no Rio de Janeiro, se fala em violência. São 400 favelas, o Rio em si já contém essa violência, que agora vem atingindo algumas pessoas, mas não há nada mais violento do que o Rio sempre foi: a maior cidade escravista na metade do século XIX. Metade da população era escravizada, o que acha que viria depois? Nós colhemos o que nós plantamos”.

Hélio Santos, professor universitário e presidente do Instituto Brasileiro da de Diversidade faz um comparativo da educação   com o futebol: “Na hora de selecionar jogadores de futebol, você aproveita o talento onde ele estiver. […], no no futebol, que é uma disputa difícil, o Brasil deu certo. Quando eu falo de futebol, falo de algo que requer inteligência, senso de antecipação, velocidade de raciocínio, criatividade, tudo aquilo que um gênio tem. Um país que consegue derrotar europeus 5 vezes e é vice-campeão mais duas, conseguiria também em mais áreas. Agora vamos falar onde houve restrição, em outras áreas, onde nem todos puderam chegar. A universidade elitista entendia que a excelência era exatamente daquele que pode pagar a escola cara, esse é o resultado do Brasil. Se é que algum dia nós tivemos crise, essa crise passa pelas elite, todas as elites.”

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O professor universitário Hélio Santos defende: “Nenhum país pode impunimente desperdiçar talentos. O custo de um preso na cadeia é muito maior do que apoiar o filho de uma lavadeira e torná-lo engenheiro, por exemplo”.

Hélio Santos é também autor do livro O Homem Lésbico, sobre o qual comenta: “esse título é uma provocação, porque se refere a um homem heterossexual que assume sem medo a sua mulher interior […] ele chama atenção para a necessidade do homem assumir sua mulher interior e há uma dificuldade muito grande” e justifica essa necessidade dizendo: “O homem do terceiro milênio, para não perder a mulher, deverá assumir o seu lado feminino. Para que serve um homem para uma mulher hoje? Para ter um filho? Eu estou sendo radical, mas ela pode recorrer à inseminação artificial. Para ter prazer? Muitas duvidam”.

hoje, às 23:30, na TV Cultura. Não perca!

Fonte:Portal Africas

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