Políticos da França denunciam ‘racismo’ de ex-presidente espanhol em artigo sobre a seleção não ter franceses

13/07/26
A declaração de Mariano Rajoy, cujo governo caiu em 2018 em uma moção de censura instigada por investigações contra seu partido por financiamento ilegal, também gerou reações na Espanha

Vários ministros e líderes de partidos políticos franceses atacaram no domingo o “racismo asqueroso” e o “ódio” de um artigo escrito pelo ex-presidente do governo espanhol Mariano Rajoy, que fala de uma seleção francesa de futebol “sem franceses”. A poucos dias da semifinal da Copa do Mundo entre França e Espanha, Mariano Rajoy, presidente do governo entre 2011 e 2018 pelo Partido Popular (conservador), analisou a seleção francesa no veículo El Debate.

Em sua coluna, o ex-mandatário espanhol avaliou que os Bleus contam com “um elenco de altíssimo nível. Isso sim, sem franceses”. “A seleção francesa não inclui apenas franceses. A França não é um país étnico, não tem cor de pele ou religião. É uma nação política reunida em torno dos valores republicanos. Por mais que pese à direita racista”, reagiu na rede social X o líder do Partido Socialista francês, Olivier Faure.

“Ontem, uma senadora do Paraguai, agora o ex-presidente do governo da Espanha: não conseguem evitar expressar um racismo asqueroso para tentar irritar nossa grande equipe da França”, atacou, por sua vez, Fabien Roussel, líder do Partido Comunista francês.

Também houve reações por parte do governo francês. “Após cada vitória dos Bleus, ressurgem as mesmas obsessões e insultos racistas. Não se trata de ‘declarações fora de tom’. É um ódio metódico e banalizado contra a França e o que ela representa”, atacou a ministra do Ultramar, Naima Moutchou, do partido de centro-direita Horizontes, convidando a Federação Francesa de Futebol (FFF) a tomar “medidas”.

A também ministra Aurore Bergé, encarregada da pasta de Luta contra as Discriminações, criticou os “repetidos deslizes racistas”. “É hora de pararem e de o esporte voltar a ser esporte: um lugar onde somos julgados por nosso talento e por nenhum outro critério”, acrescentou a política do partido Renascimento.

O ministro do Interior, Laurent Núñez, ao ser questionado na televisão BFMTV, avaliou que, se essa declaração “fosse exata”, era “absolutamente inaceitável”.

A declaração de Mariano Rajoy, cujo governo caiu em 2018 em uma moção de censura instigada por investigações contra seu partido por financiamento ilegal, também gerou reações na Espanha.

Em um post nas redes sociais, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, escreveu: “Há quem ainda meça a pertença pelo sobrenome, o lugar de nascimento ou a cor da pele. Nós medimos pelo apego a um país e a vontade de contribuir com ele. Jogando futebol. Cuidando dos nossos idosos. Ou abrindo negócios”.

O premier socialista acrescentou que a Espanha “é de quem a ama e a trabalha. Não de quem a envergonha com declarações xenófobas”. E mandou um recado para adversária nas semifinal: “Que vença o melhor e que perca o racismo.”

“Algum incauto acreditou alguma vez que esse imbecil pós-franquista corrupto, que o Poder Judiciário deste país livrou da prisão por uma porta lateral, era um sujeito moderado”, também criticou o Ministro dos Transportes, Óscar Puente, na rede social X.

A embaixada da França em Madri também reagiu nas redes sociais. “Sem querer entrar em polêmica, convém lembrar os fatos: todos os jogadores da seleção francesa são franceses. Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os 3 que nasceram no exterior também são franceses”.

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