Por que não sou convidado para as festas dos ricaços brasileiros em Nova York? – Por: Roberto Amado

Os emergentes brasileiros viraram notícia internacional. O New York Times publicou no último fim de semana uma matéria sobre essa gente brasileira. Com um certo tom de surpresa, espanto e muita ironia, a matéria desfila alguns casos de ricos que adquiram o hábito de celebrar festas e casamentos “extravagantes” nos Estados Unidos — principalmente Nova York.

Uma das fontes é Clarissa Rezende, produtora especialista em festas internacionais, cujo blog “Ideas to Bloom” serve para ela se vender. O NYT fala do caso de Arthur Medeiros, que festejou sua terceiro aniversário nos salões do hotel Plaza Athéneé decorado com cenas do filme “O Rei Leão” — e os convidados ainda ganharam ingressos para assistir à versão teatral do filme na Broadway. “Nunca vi ninguém gastar nessa escala”, diz, na matéria, o gerente do Plaza Athéneé, Sebastian Wurst.

Quem produziu tudo isso foi Clarissa, que sabe como fazer esse povo gastar dinheiro. Para começar, ela pede 15 mil dólares de cachê, mais todas as despesas pagas — inclusive uma semaninha para ela no Waldorf-Astoria, o hotel mais caro de Nova York. “Metade dos nossos clientes querem festas em Nova York. Eles desejam se exibir e sempre estar superando uns aos outros”, disse ela, garantindo que é um “mercado em crescimento”. Clarissa, aliás, não quis me dar entrevista.

Segundo Sebastian Wurst, os brasileiros já somam 11% da frequência do Plaza Athéneé. A maioria tem festas programadas para o fim de ano e para o SuperBowl. Wurst conta que já está promovendo cursos de português para a sua equipe, com a finalidade de tratar melhor seus hóspedes, já que esses brasileiros não sabem falar inglês.

A repórter do Times, Hannah Seligson, se surpreende com nosso apetite pela vida boa. A designer Georgiana Alves de Souza, casou-se no ano passado no Lumi, restaurante localizado no Upper East Side de Manhattan — mas preferia ter gastado 25 mil dólares para fazer a festa no River Café. Isabela Frugiuele, de São Paulo, preferiu fazer uma ceebração “modesta” para “apenas 60 pessoas” no Gramercy Park Hotel — que se estendeu em jantar no La Esquina, e mais uma festa no bar Le Bain. “Afinal, por que fazer só uma festa se podem ser feitas três ou quatro?”,indaga a autora, dizendo ser esse um “mantra brasileiro”.

Os entrevistados alegam que em Nova York não há problemas de segurança e que as festas lá podem sair mais baratas do que no Brasil. “Mesmo em cidades como Nova York, conhecida pelos seus excessos, alguns desses eventos têm custos superiores às festas mais extravagantes”, diz Hannah, citando os 2 milhões de dólares que Yara Cavalcante e Phelipe Matias gastaram num casamento no Castelo Oheka, para 400 convidados. “Há um grupo de brasileiros que têm recursos, tempo livre e vontade de fazer festas assim”, conclui ela.

Longe de mim julgar essas pessoas. Como diz o Times: “Ainda é uma pequena fração de brasileiros que têm os recursos, o tempo de férias e o desejo de dar uma festa, ou uma série delas, eu outro país”. Não sei se o dinheiro foi ganho de maneira limpa, mas quem tem muito faz o que quer com isso. Talvez eu queira ser convidado para um convescote desses e esteja sofrendo com o fato de que isso não vai acontecer tão cedo. Talvez eu esteja sendo invejoso ao achar que gastar essa grana em Nova York é uma das coisas mais patéticas do mundo, quase tanto quanto sair na Caras. Provavelmente, sim. Eu já sabia: a culpa é minha.

Sobre o Autor

Jornalista, escritor, cineasta e advogado.

Fonte: DCM

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