Sessão do filme “Estrelas Além do Tempo” vai reunir brasileiras empoderadas

Filme Estrelas Além do Tempo conta a história de mulheres negras cientistas da NASA durante a  corrida espacial

Do Juca Guimarães Do R7

Boas histórias de superação e quebra de paradigmas são essenciais nos roteiros dos filmes de sucesso do cinema americano. São também histórias inspiradoras que mudam a vida de milhares de pessoas, durante várias gerações, ao redor do mundo.

É o caso do filme “Estrela Além do Tempo”, baseado na história real de três mulheres negras que foram fundamentais para o programa espacial americano, em um período ainda marcado pela segregação racial e o preconceito.

No filme, a luta das cientistas Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) é um poderoso exemplo de empoderamento e união para mulheres negras. Aqui no Brasil, um grupo seleto e combativo de mulheres negras também promovem a sua revolução de empoderamento coletivo, mas com um número mais expressivo de participantes; são 4.657 (e crescendo).

Criada em novembro de 2015, no consulado francês em São Paulo, por 23 mulheres negras de diversas áreas de atuação, a rede tem como  objetivo criar espaços de construção e transformação, segundo a advogada Mayara Silva de Souza, de 24 anos, uma das fundadoras do grupo e também a idealizadora da sessão  fechada do filme “Estrela Além do Tempo” no primeiro encontro do grupo este ano, no próximo dia 7, no Shopping Eldorado, o ingresso custa R$ 25 e a inscrição é feita na página do evento. Estão disponíveis ainda cerca de cem vagas (clique aqui).

A pedido do R7, Mayara elaborou uma lista de sete filmes e um livro sobre o empoderamento da mulher negra. Confira as dicas e o bate-papo com a advogada.

Filmes

A Cor Púrpura (Steven Spielberg
Filhas do Vento (Joel Zito Araújo)
25 de julho – Feminismo Negro Contado em Primeira Pessoa (Avelino Regicida)
Vidas de Carolina (Jéssica Queiroz)
KBELA (Yasmin Thayná)
Histórias Cruzadas (Taty Taylor)
Libertem Angela Davis (Shola Lynch)

Livro

Sejamos todos feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

R7: Como surgiu a ideia de reunir um grupo de mulheres negras empoderadas para assistir juntas um filme sobre mulheres negra empoderadas?

Mayara: Quando assisti o trailler fiquei imaginando que lindo seria poder assistir ao lado de outras mulheres negras para podermos nos abraçar e chorarmos juntas. Choro de emoção, luta e resistência e ter a certeza que não estamos sozinhas, embora em grande parte do tempo nos sentimos sozinhas. Em um dia já haviam mais de 100 pessoas confirmadas e mais de 500 com interesse. Ali vi que seria possível juntar um time de mulheres negras para ver o filme.

R7: Você esperava uma reposta e uma adesão tão grande assim?

Mayara: Não imaginei que haveria uma adesão tão rápida, mas sabia que era um sonho coletivo, acredito que muitas mulheres pretas ao assistirem o trailer pensaram a mesma coisa que eu, a diferença é que eu criei um evento no Facebook, elas apenas afirmaram “estamos juntas”.

R7: Qual a história da rede negras empoderadas?

Mayara: O grupo nasceu de uma conversa no dia 24 de novembro de 2015 no consulado Francês. Alexandra Loras, à época consulesa, convidou um grupo de mulheres negras para a criação de uma rede para nos fortalecermos e criamos espaços de construção e transformação com ajuda da Solange Barros e Elis Santana. Naquela noite, 23 mulheres estavam no encontro, trocamos muitas energias e nos enchemos de amor. Estavam lá: Eliane Dias, Adriana Lessa, Rachel Maia, Karine Amancio, Glaucia Unal, Márcia Cabral, Anelis Assunção, Thulla Melo, entre várias outras mulheres incríveis. Eu havia conhecido Alexandra naquela manhã num evento sobre Justiça Restaurativa, no prédio da Faculdade de Direito da USP, e ela me convidou para o encontro, fui e desde de então estamos juntas.

R7: Qual a postura do grupo em relação ao racismo e o feminismo?

Mayara: Somos uma rede com 4.657 mulheres conectadas. Realizamos  alguns encontros significativos. No ano passado, por exemplo, em comemoração ao Dia da Mulher, em março, a querida Eliane Dias [da produtora Boogie Naipe] nos preparou encontro em São Paulo. Em abril, no Instituto Carrefour tivemos um coach de empoderamento que reuniu mais de 300 mulheres organizado pela ex-consulesa Alexandra Loras. Em novembro, tivemos o Café Empoderamento das Negras, organizado por Patrícia Santos de Jesus. Outro encontro foi no salão de festas do condomínio da Glaucia Unal, que também faz parte da nossa rede, nesse dia tivemos a honra de ouvir Juliana dos Santos e Priscila Fonseca falar sobre suas pesquisas,foi uma experiência incrível.

R7: Quais os planos para 2017?

Mayara: Este ano estamos planejando o 1º Grupo de Leitura e Debate: Mulheres Negras/Pretas Empoderadas, ainda nesse primeiro semestre. São muitas ações coletivas, além das ações pessoais de cada uma, sempre que possível abrimos para a rede.

R7: Como são articuladas as ações da rede?

Mayara: Somos uma rede grande e tentamos estar juntas nos debates, mas nem sempre é possível. No início do ano passado, soltamos uma nota de repúdio contra a esponja de aço do programa BBB 2016 [que representava uma mulher negra]. Diariamente temos notícias de violências, racismo e machismo, infelizmente não podemos atuar em todos os casos, mas estamos juntas e isso é muito importante pois muitas vezes a mulher negra é sozinha mesmo que tenha um relacionamento sério e uma vida social agitada, só outra mulher negra entende de verdade nossas questões particulares, identidade de grupos e representação.

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