quarta-feira, agosto 10, 2022
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Sete mulheres receberam o I Prêmio Luiza Mahin

A Secretaria de Participação e Parceira (SMPP) promoveu na segunda-feira, 25, a entrega do I Prêmio Luiza Mahin. A cerimônia aconteceu no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, localizada no Centro da cidade. O prêmio, em homenageou ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha,e foi concedido a sete mulheres negras comprometidas com a valorização da cultura negra, a inclusão social e a luta antidiscriminatória, escolhidas a partir de indicações feitas por entidades ligadas ao movimento social negro e às redes sociais negras.

A escolha das sete mulheres foi feita por uma comissão especial composta por representantes da Coordenadoria de Assuntos da População Negra (CONE) e do Conselho Gestor da CONE. As vencedoras ganharam um diploma confeccionado em impresso próprio e uma estatueta estilizada simbolizando Luiza Mahin.

A estatueta, de 20 centímetros de altura feita de bronze e com base em madeira, foi confeccionada pelo publicitário e cartunista Maurício Pestana. As obras do publicitário se caracterizam por abordar o tema da luta em favor dos direitos humanos e da cidadania na sociedade brasileira.

Luiza Mahin

Mulher negra, nascida do século XIX, da tribo Mahin, trazida para Bahia como escrava. Liderou a Revolta dos Malês, uma das maiores rebeliões de escravos ocorridas em solo baiano. Caso o levante dos Malês tivesse sido vitorioso, Luísa teria sido reconhecida como Rainha da Bahia.

Ela foi surpreendida com seu grupo pela força policial, obrigados a se lançarem em combate foram derrotados. Luiza e outras lideranças conseguiram escapar da perseguição, partiu para o Rio de Janeiro, deixando seu filho, Luis Gama – com apenas cinco anos de idade -, aos cuidados do pai.

Com dez anos, a criança foi vendida ilegalmente como escrava, para quitar uma dívida de jogo, e Luiza foi descoberta, detida e, possivelmente, degredada para Angola.

Foram elas:

Ana Maria Araújo Santos, mais conhecida como mãe Ana de Ogum, filha-de-santo de mãe Simplícia de Ogum, da Casa de Oxumare. Iniciada ao culto dos orixás com 16 anos, ela completou 50 anos mantendo viva a tradição do candomblé.

“Obrigada São Paulo por me acolher.”

Fanta Konate, bailarina, coreógrafa e cantora, fundadora da ONG África Viva e fundadora e coordenadora do Instituto Famodou Konatê, com sede em São Paulo.

“Estou tão feliz que nem tenho mais palavras. Esse é o prêmio mais bonito que tive na vida.”

Luislinda Dias de Valois Santos, a primeira mulher negra a entrar para a magistratura no Brasil, em 1984, e a primeira profissional a proferir uma sentença contra o racismo no país.

“Estamos representando milhares de mulheres anônimas. Já estamos libertas. Já votamos. Já somos votadas, mas queremos mais. Tenho certeza de que atrás de mim [na magistratura] vem uma onda negra.”

Mafoane Odara Poli Santos, mestranda em psicologia social na USP, milita nas áreas de juventude, saúde, gênero e raça e coordena o Geração Muda Mundo, programa de juventude da Ashoka Empreendedores Sociais.

“A luta dos direitos civis e sociais é uma luta de todos. Temos muito ainda o que fazer e pensar que não estamos sozinhos.”

Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, professora titular de ensino-aprendizagem e relações étnico-raciais da Universidade Federal de São Carlos, pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros/UFSCar e coordenadora do Grupo Gestor do Programa de Ações Afirmativas da UFSCar.

“Quero compartilhar este prêmio com todas as professoras negras.”

Sonia Maria Pereira Nascimento, advogada, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, do qual foi presidente por duas gestões. Coordenou os projetos SOS Racismo de Assessoria Jurídica às Vítimas de Discriminação Racial de 1994 a 1998 e o projeto Atendimento Psicossocial às Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Sexual.

“É uma honra receber este prêmio ao lado dessas homenageadas. Dedico o prêmio a todas as promotoras legais.”

Theodosina Rosário Ribeiro, formada em filosofia e direito, foi a primeira mulher negra a se eleger pela Câmara Municipal de São Paulo, em 1968. Teve ainda três mandatos como deputada estadual.

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Fonte: AFrobras

Edição Portal Geledés

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