terça-feira, novembro 24, 2020

    Tag: Literatura

    A escritora Maria Firmina dos Reis, em desenho: não há imagem da autora disponível, e retrato que conhecido é na verdade da escritora gaúcha Maria Benedita Cãmara Imagem: Câmara dos Deputados/Reprodução/Imagem retirada do site TAB

    Autora negra antecipou o abolicionismo na literatura brasileira em 1859

    "Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e a conversação dos homens ilustrados (?)." É assim que Maria Firmina dos Reis (1822-1917), então professora de primeiras letras de São José de Guimarães, vila litorânea no Maranhão, inicia "Úrsula", obra publicada em 1859. Pedindo licença para que o livro pudesse caminhar entre nós, a autora, registrada como "uma maranhense" no frontispício da primeira edição, não poderia imaginar qual seria o impacto de sua "tímida e acanhada" produção: "Úrsula" não apenas se tornou a obra inaugural de nossa literatura afro-brasileira — marcando de vez a posição de Firmina na historiografia literária nacional —, como antecipou em no mínimo dez anos os debates abolicionistas que viriam aterrissar nas terras do então Império. Conhecido como o primeiro romance de autoria negra e feminina no Brasil — e o primeiro no ...

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    Getty Imagem

    Literatura infantil com personagens negras: narrativas descolonizadoras para novas construções identitárias e de mundo

    Este artigo parte de reflexões sobre a fabricação de uma história única, que elege e valoriza determinada cosmovisão em detrimento das outras que compõem a formação histórico-cultural de um povo ou nação, legitimando e transmitindo apenas uma herança cultural. No Brasil, esse discurso tem apresentado o povo negro como escravo, submisso, inferior... Na escola, uma das importantes vias de transmissão de tal narrativa são as histórias nos livros de literatura, que sugerem padrões do que é verdadeiro, bom e bonito, a partir da supremacia branca e heteronormativa. Este artigo analisa e problematiza, de modo interdisciplinar, dois textos da literatura infantil contemporânea que provocam a desnaturalização das narrativas e das relações colonizadoras e dualistas: entre o bem e o mal, o certo e o errado, o belo e o grotesco, o incluído e o excluído. Eles mobilizam discursos de africanidades e negritudes para o empoderamento da criança negra. Conforme observado em ...

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    Companhia das Letras/Divulgação

    Companhia das Letras tenta combater racismo nomeando editor de diversidade

    A Companhia das Letras, maior grupo editorial brasileiro, anunciou que está tomando iniciativas para combater os efeitos do racismo nas suas publicações e ampliar a diversidade de seus autores. Os planos incluem a criação do cargo de editor de diversidade, ocupado pelo historiador Fernando Baldraia, com atuação transversal em todo o grupo, um censo interno dos funcionários e do catálogo da editora, um programa de treinamento com atenção à diversidade, assim como outros projetos editoriais. "Como o racismo estrutura todas as nossas relações, ele impacta também o ambiente editorial, em que não só a maior parte dos funcionários em postos de direção são brancos, como os catálogos são majoritariamente compostos por autores brancos e de origem europeia", afirma nota do grupo. "Por isso é preciso tomar medidas práticas e propositivas, na esteira de outros setores, como as universidades públicas." Carolina Maria de Jesus / Acervo IMS ...

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    'O Pequeno Príncipe Preto' (Ilustração: Juliana Barbosa Pereira)

    ‘Pequeno Príncipe Preto’: a versão do clássico que sua criança precisa ler

    Em 2015, quando a obra do francês Antoine de Saint-Exupéry se tornou de domínio público, uma avalanche de versões e releituras de "O Pequeno Príncipe" chegou às livrarias. Desde então, com frequência pipocam novidades sobre o principezinho alçado ao cargo de rei dos clichês. Pouca coisa merece atenção. Uma dessas exceções é "O Pequeno Príncipe Preto", joia sobre amor próprio, autoafirmação e combate ao racismo escrita pelo filósofo e agitador cultural Rodrigo França e ilustrada por Juliana Barbosa Pereira. O livro infantil saiu neste ano pela Nova Fronteira. Nele, acompanhamos um garotinho preto que deixa o planeta onde vive com o seu parceiro baobá para espalhar o Ubuntu por outros cantos do universo. Conhece um rei resmungão, egoísta e solitário, que passa a vida contando a própria riqueza. Também encontra a famosa raposinha com o papo de cativar e ser cativada; nesta versão ela diz: "Seja sempre sincero com os ...

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    Eliana Alves Cruz (Foto de Marta Azevedo)

    Eliana Alves Cruz lança romance em live com Luiz Antonio Simas nesta sexta, dia 10

    Uma cidade com milícia, racismo, fake news, delação premiada, conservadorismo, fanatismo religioso e ruas sujas. Parece 2020, mas esse é o Rio de Janeiro de 1732, ano no qual está ambientado o romance histórico “Nada digo de ti, que em ti não veja”, terceiro de Eliana Alves Cruz e o primeiro da autora premiada pela Pallas Editora. Nesta sexta, 10 de julho, às 17h, Eliana faz uma live de lançamento com o historiador Luiz Antonio Simas, mediada por Paulo Werneck, no perfil da revista 451 no Instagram: @quatrocincoum A narrativa é eletrizante. Entre as temáticas, salta aos olhos a transexualidade, raras vezes presente em uma trama de época, e as fake news tão em voga, através de cartas anônimas que ameaçam revelar alguns dos segredos mais bem guardados dos integrantes das duas famílias ricas que se cruzam nas 200 páginas do título. “Nada digo de ti, que em ti não veja” é também, ...

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    Ana Maria Gonçalves e Fernanda Miranda são as primeiras convidadas do Projeto Autoria Negra na Literatura Contemporânea, com curadoria de Cidinha da Silva e Daniel Ramos. Imagem retirada do site SESC

    Sesc Pinheiros realiza o encontro “Autoria Negra na Literatura Contemporânea”

    Debate com curadoria e condução de Cidinha da Silva convida as escritoras Ana Maria Gonçalves e Fernanda Miranda O encontro virtual acontece quinta-feira, 2 de julho, às 20h, ao vivo no YouTube do Sesc Pinheiros (youtube/sescpinheiros) O Sesc Pinheiros apresenta o projeto “Autoria Negra na Literatura Contemporânea”, uma série de encontros mensais ao vivo com escritoras negras da atualidade. Com curadoria de Daniel Ramos (técnico de literatura do Sesc Pinheiros) em parceria com Cidinha da Silva, o projeto abre um panorama da literatura de autoria de mulheres negras no Brasil. Os encontros abrangem escritoras de diversas localidades, sempre compostos por duas autoras e com mediação da curadora Cidinha da Silva. Nessa quinta-feira, 2 de julho, às 20h, temos a autora Ana Maria Gonçalves (Minas Gerais) e a pesquisadora Fernanda Miranda (São Paulo). “Autoria Negra na Literatura Contemporânea” busca debater a produção contemporânea de literatura feita no Brasil a partir da diversidade de vozes, gêneros e sobre questões ...

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    Reprodução/Instagram@literaturanegrafeminina

    Escrita de Mulheres Negras em quarentena: autocuidado e sobre(vivência)

    Reconhecemos a existência de um vasto campo literário produzido por mulheres negras escritoras, que na maioria das vezes, não conseguem se perceber nesse espaço por conta de toda a invisibilidade, machismo e racismo que temos dentro e fora da categoria. E no campo virtual, isso não seria diferente. Neste ensaio, vamos refletir sobre a produção de 40 autoras negras brasileiras de diversas regiões do país, a partir de uma convocação feita pelo instagram Literatura Negra Feminina, idealizado pelo Coletivo Mjiba em maio de 2020, para que as seguidoras enviassem seus poemas sobre autocuidado e sobre(vivência), neste período de pandemia no qual estamos em isolamento social para combater a disseminação da Covid-19. Coincidentemente recebemos 40 textos, que estão sendo publicados um por dia, a maioria inéditos e produzidos para participar dessa ação. Entendemos como autocuidado, a busca por cuidar de si mesma, contemplando todas as necessidades que o corpo e a ...

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    Djamila Ribeiro (foto: MAURO PIMENTEL)

    Festival ‘Na janela: Jornadas antirracistas’ reúne escritores e ativistas

    Entre sexta (26/6) e domingo (28/6), a Companhia das Letras realiza a terceira edição do festival Na janela. Com o tema Jornadas antirracistas, o evento vai discutir assuntos como educação antirracista, interseccionalidade (raça e gênero), racismo estrutural, democracia e empreendedorismo. A série de conversas on-line contará com a participação de nomes como Djamila Ribeiro, Silvio Almeida, Thiago Amparo, Sueli Carneiro e Jarid Arraes, entre outros. O Festival Na Janela: Jornadas Antirracistas será exibido no canal do YouTube da Companhia das Letras. Sexta-feira – 26/6, às 18h Performance de lançamento do livro Não pararei de gritar Carlos de Assumpção Sábado - 27/6, às 15h Educação e Infâncias Negras Bel Santos, Kiusam de Oliveira e Otávio Jr. Mediação: Juê Oliveira Sábado - 27/6, às 17h Racismo Estrutural e Institucional Cida Bento, Jurema Werneck e Silvio Almeida. Mediação: Ronilso Pacheco Sábado - 27/6, às 19h Feminismos Negros - Homenagem aos 70 anos de ...

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    O poeta Carlos de Assumpção: 'Só faço poemas com tema negro. Não me aventuro a outras coisas, porque já tem outras pessoas para fazer isso' (Foto: Ricardo Benichio)

    Um poeta que o Brasil precisa conhecer

    É tempo de protesto. Punhos ao ar, ruas em chamas, símbolos dessacralizados e monumentos supremacistas desprezados e depredados. Em plena pandemia do Covid-19, do epicentro da América Negra do Norte, explode mais um protesto negro. Aos gritos de “vidas negras importam”, a juventude assume o protagonismo no enfrentamento real ao racismo. Meio a essa turbulência necessária, nos chega o potente manifesto poético do sempre jovem Carlos de Assumpção. Aos 93 anos, vigoroso na escrita e na récita, o decano da literatura negra brasileira frequenta saraus e navega nas redes sociais com a desenvoltura de um menino. Nesta sexta (26), por exemplo, participa do sarau virtual de lançamento do festejado Não Pararei de Gritar (Companhia das Letras), que reúne suas poesia completas. O evento será às 18h, com transmisssão no canal de YouTube da editora. O título da obra refere-se aos versos “Mesmo que voltem as costas / Às minhas palavras ...

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    Livros foram doados por diversas instituições e estão sendo incluídos nas cestas básicas doadas a pessoas em situação de rua e famílias pobres - Corra pro Abraço

    Arroz, feijão e livros; cestas básicas estão incluindo literatura na Bahia

    “Um livro como um abraço” é o mote de uma campanha realizada em Salvador. Além da tradicional cesta básica com alimentos e produtos de higiene, pessoas em situação de vulnerabilidade na capital baiana também estão recebendo literatura durante a pandemia do coronavírus. "A gente resolveu propor a inclusão de literatura nas cestas básicas e disponibilizar também nas ruas esses livros, para que sejam uma alternativa de entretenimento. As pessoas estão nessa situação de empobrecimento que leva à fome de comida, mas que está também relacionada à ausência de outros 'alimentos'. Os alimentos para o espírito, como livros, a educação, uma boa estrutura de redes e relações que lhe permitam ter condições dignas de vida”, afirma Trícia Calmon, coordenadora geral do Corra pro Abraço, um programa de redução de danos da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia, que desenvolveu o projeto de literatura. Trícia diz que as ...

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    Leitura infantil: quarentena pode ser uma boa hora para conscientizar a criançada (Imagem: Getty)

    Oito livros infantis para engajar a família contra a discriminação racial

    Num momento em que a luta contra o racismo ganha o mundo, é importante que as crianças tenham acesso a conteúdos que combatam a discriminação racial e incentivem a igualdade. Há diversos livros infantojuvenis com interessantes abordagens sobre o preconceito e a representatividade negra. O momento de isolamento social é propício para que as famílias leiam juntas e possam combater o preconceito. Veja sugestões de leitura sobre a diversidade racial: O Pequeno Príncipe Preto – Rodrigo França. O Pequeno Príncipe Preto: livro de Rodrigo França, que virou peça, questiona padrões Divulgação/Divulgação O livro do ator, escritor e ativista já virou peça de teatro. Em um minúsculo planeta, vive o Pequeno Príncipe Preto. Além dele, existe apenas uma árvore Baobá, sua única companheira. Quando chegam as ventanias, o menino viaja por diferentes planetas, espalhando amor e empatia. Editora: Nova Fronteira. Mzungu – Meja Mwangi. [caption id="attachment_153288" align="aligncenter" ...

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    (Foto: Arte de Paula Cruz)

    10 Livros para aprender sobre Questão Racial no Brasil e no Mundo

    Amarildo Dias de Souza. Claudia Silva Ferreira. Marielle Franco. Winner Nascimento. Marcos Vinícius. Ágatha Félix. João Pedro. Miguel Otávio. George Floyd. Desde que o coronavírus chegou ao Brasil, nós temos procurado produzir conteúdos que proporcionem ao leitor do InovaSocial um momento mais leve e positivo, compartilhando boas notícias, fazendo reflexões que sempre vêem a metade cheia do copo, dando dicas de como passar por esse momento de forma mais produtiva e saudável. Mas, como ainda não estamos no futuro e esses conteúdos não são produzidos por uma inteligência artificial e sim por seres humanos, a verdade é que existem dias em que ver a metade cheia do copo é uma das tarefas mais difíceis. Olhar as notícias nos dá uma sensação de impotência tão grande, principalmente quando nos vemos testemunhando um problema que existe há séculos e que nós sabemos que não podem ser resolvidos em um estalar de dedos. ...

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    Nos últimos anos, campanhas que se destacaram na internet resgataram a origem negra de Machado de Assis — Foto: Reprodução/ TV Globo

    ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’ é relançado nos Estados Unidos, e livros esgotam em um dia

    "Memórias póstumas de Brás Cubas", uma das obras-primas de Machado de Assis, teve sua nova tradução para o inglês esgotada em um dia nos Estados Unidos em duas das maiores cadeias de livros no país: a Amazon e a livraria Barnes and Noble. O clássico romance do autor brasileiro foi relançado pelo selo Penguin Classics na terça-feira (2). A versão física do livro segue esgotada nas duas redes até esta sexta-feira (5), mas está disponível em livrarias menores e independentes, segundo a tradutora Flora Thomson-DeVeaux, responsável pelo lançamento. A nova tradução foi recebida com elogios pela crítica norte-americana. Em crítica publicada na terça e assinada pelo escritor Dave Eggers, a revista "The New Yorker" classificou a obra de Machado como "uma das mais espirituosas, divertidas e, portanto, mais vivas e atemporais de todos os tempos". O livro, que narra os amores e fracassos do protagonista, se tornou o mais vendido ...

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    “A cor púrpura” e “Quarto de Despejo”

    Uma nota sobre a arte de arranhar a vida entre os dentes

    “A noite está tépida. O céu já está salpicado de estrelas. Eu que sou exotica gostaria de recortar um pedaço do céu para fazer um vestido.” (Quarto de Despejo, pg. 32). Há muito o que se dizer e muito que até aqui já foi dito sobre a solidão de Carolina Maria de Jesus, conquistada ao seu posto de escritora, mãe de três filhos e que denominava-se despejada do mundo, herdeira do amarelo da fome. Da mesma forma, há muito o que se traduzir nas linhas do livro de Alice Walker que conta a história de Celie, violentada durante a infância, apartada dos seus filhos (frutos de tais abusos) e confinada a uma vida em que chama o próprio marido de Sinhô, esquecendo-lhe o nome. “A Cor Púrpura”, de Alice Walker foi publicado originalmente em 1982 e conta a história de uma mulher negra a partir de cartas que ela escreve ...

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    Jovem lê um livro digtal em Sevilla, na Espanha, no último dia 20 de maio.(Foto: PACO PUENTES / EL PAIS)

    Ler em um formato diferente é ler pior?

    O circuito neural que nos dá a capacidade cerebral para ler está mudando rapidamente para todos. Tablets, computadores, laptops, Kindles e celulares estão substituindo os antigos livros, promovendo uma transformação silenciosa em cada um de nós. O ser humano não nasceu para ler. A aquisição da alfabetização é uma das conquistas mais importantes do Homo sapiens. O ato de ler reorganizou completamente um circuito de nosso cérebro. Mudou a própria estrutura das conexões neurais e isso transformou a natureza do pensamento humano. Em 6.000 anos, a leitura deu impulso ao nosso desenvolvimento intelectual. A qualidade de nossa leitura não é apenas um indicador de nosso pensamento, é a melhor maneira que conhecemos para desenvolver novos caminhos na evolução cerebral de nossa espécie. Mas, como mudou a qualidade de nossa atenção à medida que lemos mais e mais em telas e dispositivos digitais? Este processo vem sendo reforçado durante o confinamento. Nossa capacidade ...

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    Capa do libro “Caçadas de Pedrinho”

    O Memorial de “Caçadas de Pedrinho” no Supremo Tribunal Federal

    Antonio Gomes da Costa Neto Doutor em Ciências Sociais [email protected]   Humberto Adami Santos Júnior Mestre em Direito [email protected] O caso “Caçadas de Pedrinho” perante o Supremo Tribunal Federal (STF) tem início em 2011, por meio do Mandado de Segurança n. 30.952, em que houve tentativa de conciliação, pedido de liminar, discussões da imprensa, e o caso alcançou a terceira maior mídia em relação aos temas antirracistas. Logo, podendo chegar as Cortes Internacionais. Como o relator do Processo negou seguimento aquele pedido junto a Suprema Corte, passou a existe o chamado recurso interno (agravo regimental), em que se postula: A reconsideração do despacho de Vossa Excelência, pelas razões apresentadas nas questões delimitadas como preliminares, uma vez que o Ato de Avocação é legítimo e de importância demonstrada, pois trata da Educação em toda a esfera nacional, mantendo a competência desse Supremo Tribunal Federal, bem como os autos administrativos não ...

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    Carolina Maria de Jesus autografa seu sucesso "Quarto de Despejo", durante participação no I Festival do Rio Foto: Agência O Globo

    Nos 60 anos de ‘Quarto de despejo’, autoras da Flup escrevem à Carolina de Jesus

    Quando a escritora Conceição Evaristo leu pela primeira vez “Quarto de despejo” (1960), livro de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), sentiu o impacto de uma novidade que mudaria sua vida: “Era como ler o cotidiano de minha família”. Se pudesse escrever hoje para a autora, talvez contasse que sua mãe, após também ser tocada pela obra sobre a rotina na favela, escreveu um diário, semelhante ao de Carolina, que a escritora mineira guarda em casa. — Nós conhecíamos os lixos de Belo Horizonte, e ele significava sobrevivência, assim como o lixo de São Paulo para Carolina — conta Conceição. — Ela inaugurou uma nova vertente na literatura brasileira em que o ato literário se dá como inscrição de vida, não somente uma vida particular, mas uma vida coletiva. No caso dela, trata-se de vivência de uma mulher negra e pobre que entende que sua vida merece e precisa ser escrita ...

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    (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

    “Está explícito um medo no ar”

    Aos 73 anos, a poeta, romancista, contista e ensaísta brasileira Conceição Evaristo reflete sobre o momento contemporâneo de isolamento social e incertezas: “Não estou atravessando esse momento e sim esse momento está me atravessando”. Você parece ser uma mulher forte. Do que tem medo? As pessoas fortes podem ter muitos medos. O medo tanto pode nos fortalecer, como nos enfraquecer. Há um medo que nos paralisa e há o medo que nos encoraja, nos impulsiona. No meu caso, tenho medo de adoecer, de morrer antes da hora (quero viver muito, ficar bem velhinha). Quando viajo de avião muitas vezes, em pleno voo, sou tomada por um medo profundo. Gosto da imensidão das águas, mar, rios, lagoas. As águas me atraem, mas tenho medo dos mistérios das águas. Você nasceu em uma família pobre e afrodescendente em um país racista e desigual como o Brasil. Já teve medo de não conseguir ...

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    (Foto: Divulgação/CLAUDIA)

    Jarid Arraes fala da importância de Conceição Evaristo em sua trajetória

    Em 1º de maio comemora-se o Dia da Literatura Brasileira. Em homenagem à data, CLAUDIA convidou Jarid Arraes para falar sobre mulheres que a inspiram. Nascida em Juazeiro do Norte, no Ceará, ela é escritora, poeta e cordelista. Seu quarto livro, “Redemoinho em Dia Quente”, venceu o Troféu APCA de Literatura na categoria Contos, em 2019. Ela também é autora dos livros “Um Buraco Com Meu Nome”, “As lendas de Dandara” e “Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis”. Aos 29 anos, Jarid é uma das principais vozes contemporâneas da literatura de cordel, com mais de 70 obras publicadas nesse segmento. Uma jovem escritora em franca ascensão que, por muito tempo, acreditou ser impossível chegar a esse patamar. Foi na obra de Conceição Evaristo – vencedora do Prêmio CLAUDIA em 2017, na categoria Cultura – que ela encontrou inspiração para correr atrás do sonho de publicar livros. A seguir você confere ...

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    Crédito: Getty Images/iStockphoto

    Professomos

    Seis e cinquenta, e o celular dispara uma notificação: a garotinha caiu do sofá, quebrou o braço e o colega não poderá dar aula naquela manhã. Ele está preocupado com a filha, mas dividido em função do compromisso com os alunos que entrarão nas salas online, às oito. Levanto rapidamente, desejo melhoras e me ofereço para ajudar no que for preciso. Corro em direção aos contatos dos líderes para dizer que a primeira aula não acontecerá, será reposta, futuramente... Era cedo ainda, podia ficar mais um pouquinho na cama e foi o que fiz. Deitada, fiquei pensando nos professores que agora enfrentam uma nova modalidade de ensino e no impacto que isso causa na vida deles. Recordo-me das muitas vozes que tenho ouvido neste período, e também dos silêncios que estão sendo mantidos enquanto reinventamos as escolas, sem consulta, sem o tempo necessário à formação exigida, sem ombros para chorar ...

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