Tag: mulheres negras

Quem conta um conto, aumenta um ponto: a trajetória da luxuosa senhora baiana Rita Gomes da Silva

Em meados do século XVIII, uma mulher negra escandalizou a sociedade baiana por sua riqueza, luxo e inteligência. Rita Gomes da Silva, de alcunha Rita Cebola, morou na conhecida Cidade da Bahia, Salvador. Mulher negra, possivelmente escravizada, casou-se duas vezes com homens importantes. Nesse meio tempo conquistou sua liberdade e, quando cabia, esbanjava luxo colonial. No que foi possível reconstruir de sua trajetória, Rita da Silva soube usar os recursos disponíveis a seu favor e de seus pares. Por isso o codinome de “cebola” fazia referência a sua astúcia e versatilidade. Sua fama marcou histórias por séculos. A notável trajetória de Rita continuou sendo lembrada no século XXI, ora como uma mulher negra, vendedora de verduras, conhecida por sua habilidade de negociar espaços de sobrevivência no interior daquela sociedade, ora como um exemplo da importância de mulheres negras baianas ao longo da história.   Ana Bittencourt, membro de família importante de ...

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Lélia Gonzalez (Foto: Cezar Louceiro / Reprodução)

Lélias em movimento

Lélia Gonzalez  é referência internacional nos estudos interseccionais de gênero, raça e classe. A filósofa e feminista estadunidense Angela Davis sempre quando em visita ao Brasil, não deixa de reverenciar a genialidade da intelectual brasileira, que é também uma de suas grandes referência sobre o feminismo afrolatinoamericano. Davis, em 2019, realizou uma pergunta às mulheres brasileiras sobre o porquê de procurarmos nas estadunidenses outras possibilidades de luta, sendo que no próprio Brasil o ineditismo de Lélia e de tantas outras mulheres negras estão fervilhando rebeldias únicas. Gonzalez inspira, além de deixar um grande legado, abriu passagem para uma contribuição enorme que perpassa e tem fertilidade em todas as áreas do conhecimento. No último ano assistimos o aumento do interesse do mercado editorial brasileiro nos escritos da mineira que lançou as bases para o movimento antirracista no Brasil bem como também para o de mulheres organizadas, como defende Jolúzia Batista, do Centro ...

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Lúcia Xavier (Reprodução/Facebook)

Um compromisso contra o racismo nas Américas, um impulso pelos direitos das mulheres negras no Brasil

A recente notícia da ratificação da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância pelo Senado Federal representa uma luz no fim do túnel para os movimentos sociais negros e de mulheres negras no Brasil e nas Américas. Apesar da longa espera por essa ratificação, que agora alcança status de emenda à Constituição do país, ela acontece em hora bastante oportuna. Todos sabemos que a crise econômica, sanitária e política decorrente da pandemia do novo coronavírus agudizou desigualdades e escancarou um projeto de morte contra grupos racializados em todo o mundo. Em 2020, mortes, discriminação e violência foram respondidas com uma forte onda de protestos e indignação contra o racismo e a violência racial. Os Estados foram os principais alvos desses protestos, e no Brasil não foi diferente. A maior nação negra fora do continente africano se revelou mais uma vez inóspita e ...

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Carteira de trabalho Foto: Agência O Globo/Jornal Extra

Mulheres negras trabalham mais que os homens em funções não remuneradas em AL, diz IBGE

Um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), nesta quinta-feira (4), mostra que as mulheres negras alagoanas dedicam uma média de 21,7 horas semanais ao trabalho não remunerado, enquanto que os homens brancos e os negros dedicam quase metade desse tempo: 11,6 horas. O IBGE entende como trabalho não remunerado aquele representado no estudo pelos cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos. O levantamento feito em 2019 faz parte da pesquisa “Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) e outros levantamentos. O resultado revela ainda que Alagoas segue a tendência observada para a média Brasil, segundo a qual as mulheres pretas ou pardas dedicavam 22 horas semanais contra as 10,9 horas semanais dos homens brancos. Na análise com os demais estados do país, os homens brancos alagoanos, ao lado dos fluminenses, eram os que mais ...

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As mulheres usam a mandioca tradicionalmente para cozinhar e sabem prepará-la de várias maneiras.(Foto: TANIA LIEUW-A-SOE/CEDIDAS)

As mulheres que cultivam mandioca no Suriname para vendê-la nos Países Baixos

Tania Liew-A-Soe é a presidenta e fundadora da cooperativa agrícola Wi! Uma Fu Sranan (WUFS), que em português significa: Nós! As Mulheres do Suriname. Uma cooperativa que nasceu nas remotas comunidades da região de Brokopondo, no interior deste país caribenho que até a década de setenta era uma colônia holandesa. Lá, quase toda a população é de mulheres e crianças. Há muitos poucos homens. O emprego é escasso e eles saem para caçar durante semanas ou meses ou, no pior caso, migram a trabalhar nas zonas costeiras ou nas minas de ouro. Elas ficam para cuidar da família e da terra. Em Brokopondo, a população é majoritariamente descendente dos quilombolas, africanos escravizados historicamente excluídos. A mandioca foi um alimento básico e muito especial que ajudava a subsistir às comunidades. Esse tubérculo presente na América Latina e o Caribe possui múltiplas formas de cozinha. “As mulheres conhecem bem como cultivar e ...

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Announcing ‘Black Women Disrupt the Web,’ a multi-country web series competition and call for entries

 Black Women Disrupt, along with Antoinette Engel and Dylan Valley, an international collaborative dedicated to uplifting Black women creatives and entrepreneurs, is announcing a new project: Black Women Disrupt the Web (BWDW). This is a global competition to produce an original web series showcase. The call for entries aims to attract proposals from Black women writer-directors from Brazil, Colombia, Kenya, and South Africa for three (3) three-minute episodes providing new perspectives on the theme, “Imagining Black Futures”.  Black women from Brazil, Colombia, Kenya, and South Africa are invited to submit original proposals for a fictional web series between February 1st and March 1st. A selection committee will choose five (5) semi-finalists to receive dedicated mentorship, production funding, professional development and inclusion in a global, online, web series showcase that will be evaluated by an esteemed panel of judges in July. The winner will receive a cash prize alongside support in ...

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Lívia Casseres (Arquivo Pessoal)

Lívia Casseres: A esperança corre nas veias das mulheres negras

Nos primeiros dias de 2021, um sopro de esperança chega às portas dos brasileiros e brasileiras com o início da primeira etapa da vacinação contra a Covid-19 no país – ainda que de forma incipiente e em meio ao caos instalado na gestão da pandemia. Mônica Calazans, mulher negra de 54 anos, enfermeira atuante na linha de frente do combate ao coronavírus no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, foi a primeira pessoa a ser vacinada no Brasil. Alguns dias antes, tínhamos sido tomados pela desesperação diante de mais vidas perdidas em Manaus para a negligência e incompetência dos gestores públicos, que conduziam agora – incompreensivelmente – ao esgotamento do estoque de oxigênio nos hospitais. No entanto, a imagem da enfermeira durante a aplicação da primeira dose da vacina, punhos cerrados e erguidos diante das câmeras, despertou em muitos de nós uma fagulha de fé, uma centelha de confiança na possibilidade ...

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Arquivo Pessoal

Mulheres negras, política e cultura do cancelamento no Brasil republicano

Em 23 de agosto de 1946, o jornal baiano O Momento, vinculado ao então Partido Comunista do Brasil (PCB), estampava em sua segunda página uma matéria sobre o protagonismo da líder sindical Luiza Matos na região do Recôncavo Baiano. De acordo com a reportagem, ela liderou a criação do sindicado dos trabalhadores na Indústria do Fumo em São Félix, fundado em 19 de novembro de 1935. Entre 1937 e 1942, a sindicalista assumiu a presidência do sindicado e enfrentou muitas perseguições da classe patronal. Na época, ela trabalhava na fábrica Dannemann. Em decorrência de suas atividades políticas, foi demitida. Forjaram uma arapuca e acusaram-na de roubo para justificar a demissão. Ela buscou a justiça, provou sua inocência e foi reintegrada, mas não voltou à mesma indústria. Foi trabalhar na fábrica Suerdiek, de onde também foi demitida e readmitida após contendas envolvendo perseguições dos patrões e inquéritos policiais.  [caption id="attachment_158721" align="aligncenter" ...

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Anielle Franco (Foto: Bléia Campos)

Mulheres pretas acadêmicas

Seguindo os últimos textos, onde destaquei algumas mulheres que seguem inspirando outras mulheres, hoje vou utilizar esse espaço para falar de duas mulheres negras e acadêmicas, que são imbatíveis. O espaço acadêmico definitivamente não foi pensado para mulheres negras. Isso em um contexto de diáspora, porém nós resistimos e existimos nesse lugar. Pensar a existência de mulheres negras ocupando cadeiras em lugares de conhecimento, formulando conhecimento, propagando ideias e sendo visíveis, não é algo comum e entendido como natural. Atualmente tem ocorrido mais, porém não com facilidade. Conquistar esses espaços, como a academia é resultado de uma corrida desigual, árdua, e incansável de mulheres como eu e tantas outras irmãs para conquistar objetivos, obter glórias, ou até simplesmente, sobreviver com dignidade em meio às desigualdades. árbara Carine fundou a Escolinha Maria Felipa, em Salvador (BA)Imagem: Acervo Pessoal Nesse caminho de resistência e ocupação de mulheres negras, ...

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Imagem retirada do site Mijente.net

Mulheres negras e o direito ao amor: entre escolher e ser escolhida

Conversava com um amigo italiano esses dias e ele disse o seguinte: “Anos atrás eu estava perdido no trabalho. A empresa começou a demitir muita gente e ofereceu uma boa proposta para aqueles que pediam demissão de forma voluntária. Então pensei em ir para o sul da Itália, aonde chegam os barcos com os refugiados e pegar uma somaliana e me casar com ela”.  Essa sua fala me incomodou profundamente. Pensei: ele estava no pior momento da sua vida, perdido e desempregado e não pensou sequer na possibilidade de “pegar” uma italiana, uma sua igual, ou mesmo de ir para a Alemanha, pegar uma mulher por lá, mas a da Somália, essa sim, na sua cabeça, o aceitaria sem pestanejar e em quaisquer condições.  Porque uma somaliana? Para o meu amigo italiano, a mulher africana estaria ganhando ao ser “pega” por ele, logo, não ofereceria oposição.  A construção da mulher ...

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Fotos: @enredo.fotografia

Em caso de despressurização racial, máscaras antirracistas cairão automaticamente!

“Sim. Eu corri para não ser rotulada. Corri da violência doméstica, das escolas de brancos, da  humilhação na sala de aula, dos assédios, das portas fechadas, dos enquadramentos eurocêntricos, dos vícios, da cidade que não oferece oportunidades e das relações abusivas. A partir de um tempo, meus pés sagraram tanto, que não pude mais correr. Mas, logo percebi que tenho asas e comecei a voar.” Começo esse texto agradecendo às minhas irmãs, tias, primas, orientadoras e a todas as mulheres negras, especialmente, à minha mãe pelo apoio e estímulo que sempre me deram, para que eu não tivesse medo de abrir as asas e me deixasse conduzir por elas em voos cada vez mais altos. Durante um tempo, as impactantes reverberações do racismo e da opressão de gênero quase me convenceram de que eu jamais conheceria outros lugares. Minha família sempre gostou muito de viajar. Assim, meus pais e tios juntavam ...

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Ilustrações de Marcelo Jean Machado

Cientistas negras brasileiras são homenageadas em novo livro de passatempos do “Meninas e Mulheres nas Ciências”; baixe

No dia nacional da Consciência Negra, professoras e estudantes da UFPR que integram a equipe do Projeto de Extensão “Meninas e Mulheres nas Ciências” lançam o livro de passatempos “Cientistas Negras: Brasileiras – Volume 1”, disponível gratuitamente aqui. O objetivo da obra é divulgar o protagonismo das cientistas negras brasileiras, impulsionando a educação e divulgação científica em uma perspectiva descolonizadora e humanizadora.  O material aborda os assuntos por meio de atividades lúdicas, tais como caça-palavras, palavras cruzadas e desenhos para colorir. No primeiro volume, são contadas as trajetórias de 14 cientistas negras brasileiras de diferentes campos de conhecimento. Na capa, as nove cientistas ilustradas simbolizam as grandes áreas de conhecimento. Uma delas, a professora Rita de Cássia dos Anjos, das Ciências Exatas e da Terra, é professora e pesquisadora de destaque na Universidade Federal do Paraná (saiba mais sobre ela abaixo).  A coordenadora do projeto, professora Camila Silveira, do departamento de Química, enfatiza a importância da obra para o fortalecimento e reconhecimento de referências intelectuais negras no ...

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Adobe

“O coco branco mesmo que esse cheire mal”. Uma reflexão experiencial de uma mulher negra sobre as relações inter-raciais em Cuba

Para aqueles de nós que gostam de música de dança cubana, estamos familiarizados com a palavra “negra’ na letra, refrão e frases individuais entre os guias das canções mais populares. Esta voz alude àquela mulher que é a figura central, em torno da qual o roteiro  que inspira nos concertos ao vivo, o público cantará em voz alta porque se reconhecem nas canções. Muitas destas composições, umas mais elaboradas do que outras, são dedicadas a que “negra” os seus os melhores elogios. Ela é a musa que inspira o cantor, o mestre da sua insônia e das suas paixões, a epítome do desejável e do odiado, tudo ao mesmo tempo, uma espécie de drama ao estilo cubano que se perde quando não se tem e se sofre quando se vive. Esta tendência não é exclusiva da música de dança contemporânea. No mais “piegas” do patrimônio cultural cubano aparece esta menção: ...

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Maria Carolina Trevisan (Foto: André Neves Sampaio)

Calar sobre ataques a Manuela, Marília e mulheres negras é ser conivente

Não é um acaso que os ataques de ódio e fake news recaíram sobretudo contra Manuela D'Ávila (PCdoB) nas eleições municipais de 2020. Ela disputou pela terceira vez a Prefeitura de Porto Alegre em uma campanha acirrada. Perdeu o segundo turno para o emedebista Sebastião Melo, eleito com nove pontos percentuais de diferença. Duas condições fizeram de Manuela o principal alvo dessa ofensiva: a rejeição à esquerda e o fato de ser mulher, com muito mais peso no fator gênero. O machismo é um forte componente nas práticas de disseminação de ódio e de desinformação. Essas estratégias, com recorrência, apelam para a condição de mulher, como se fosse uma fraqueza ser mulher e, portanto, um alvo mais fácil de constranger e desmobilizar. Isso só ganha força em uma sociedade que se escora no machismo e na misoginia, no racismo e na homofobia. Foi assim com Manuela, com Marília Arraes (PT) ...

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Photo by Tima Miroshnichenko from Pexels

Sobre mordaças e Chicoachings Contemporâneos

Ao procurar emprego no linkedin, me deparei com essa publicação da https://www.artemisia.org.br/empregabilidade/ que trouxe o seguinte excerto: “Reitero a defesa de Saadia Zahidi, diretora-administrativa do Fórum Econômico Mundial, quando diz que as organizações bem-sucedidas e inovadoras são aquelas alimentadas pela diversidade de opiniões, habilidades e experiências de vida. Garantir justiça social, paridade de gênero, inclusão das pessoas com deficiência, das pessoas LGBTQIA+ e respeito à diversidade humana precisa ser o ‘novo normal’ que deve emergir da crise provocada pela covid-19.” Ontem assisti uma palestra incrível com Raj Sisodia que me fez acreditar que o que eu penso em relação a novas relações entre colaboradores e empresa, não podem se manter da forma que estão. Passei a noite sem dormir, assim tem sido toda essa semana. Preciso falar sobre isso. E toda vez que sinto essa necessidade, a mordaça volta a minha boca. Fui demitida por questionar o salário que recebia ...

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Ilustração: Stephanie Pollo

Que Brasil teríamos, com mais mulheres negras no poder?

Por CFEMEA, para a coluna Baderna Feminista O Brasil já está às voltas com as eleições municipais. Mergulhadas numa crise profunda, ainda mais trágica pela crise sanitária que já matou quase 150 mil pessoas em nosso País, nos perguntamos sobre o que significa a realização de um processo como este em um contexto político marcado por um golpe e pelo fascismo crescente na sociedade brasileira. O que significa termos um processo eleitoral já com quase dois anos do governo Bolsonaro? Os movimentos feministas têm uma trajetória de monitoramento de políticas públicas e de ação junto ao Parlamento. Desde a Constituinte, organizações e movimentos incidem para aprovar legislações igualitárias e pressionar para que os marcos normativos se traduzam em políticas e serviços que alterem concretamente a vida das mulheres. Nós, do CFEMEA, atuamos nesse front e temos alertado para a presença cada vez maior de partidos políticos criados a partir de fés religiosas e para ...

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A “mulata trágica”: repensando a categoria mulata no Brasil

O século XXI tem sido o século das imagens. Disputas de narrativas tem se dado no contexto das redes sociais, em que imagens viralizam em curto espaço de tempo, alimentando o imaginário social e definindo o lugar das pessoas no mundo. Neste contexto, a socióloga estadunidense Patrícia Hill Collins, em Pensamento Feminista Negro, apresenta-nos as imagens que são internalizadas como “imagens de controle”. Diferentemente dos estereótipos — que partem da elaboração de imagens negativas —, as imagens de controle podem produzir lugares de poder e privilégio para determinados grupos, bem como naturalizar lugares de sujeição, hiperssexualização e violência para outros.  O lugar do nosso corpo no mundo, sua inscrição social, passa por uma tomada de consciência que, como aponta Frantz Fanon, na obra clássica Pele negra, máscaras brancas, muitas vezes é desenvolvida por um estímulo externo, um olhar do outro, que nos fixa e constrói as representações. Fanon narra que ...

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The Modern Medea - A história de Margaret Garner , Harper's Weekly , 18 de maio de 1867, p. 308 Cortesia da Biblioteca do Congresso dos EUA (LCCN99614263)/Blackpast.org/

O isolamento é um fantasma presente: mulheres mães negras e formas de insurgência na Pandemia

Primeiramente, eu peço licença as minhas ancestrais e as minhas linhagens maternas e paternas para ler um trecho de um evento histórico que aconteceu em 1856.  Margaret Garner, uma mãe escrava de vinte e dois anos de idade, e com quatro filhos pequenos, apareceu pela primeira vez em 1856 em uma sessão do seu julgamento. Garner havia atravessado um rio congelado, juntamente com outros sete membros de sua família, enfrentando caçadores de escravos e uma noite de inverno singularmente fria em busca da liberdade. Junto com os outros fugitivos Garner estava fugindo por doze horas antes da apreensão das autoridades. Quando ela foi encurralada na casa em que os fugitivos buscaram refúgio, Garner segurava os seus filhos e tentava assassiná-los em vez de permitir que eles fossem devolvidos à escravidão. Embora ela tenha sido impedida de cumprir seu plano em sua totalidade, ela conseguiu tirar a vida de sua filha ...

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Getty Images/Brittany Theophilus

Pelo direto a desaguar: uma carta para as meninas-mulheres negras

Queridas irmãs, Como vocês, aprendi, ainda menina, que a fragilidade não era algo reservado às mulheres negras. Como vocês, entendi que o adjetivo “frágil”, que a sociedade racista e patriarcal atribuiu às mulheres, nunca nos representou. Sojouner Thuth, nossa ancestral, em seu discurso mais conhecido “E eu não sou mulher?” (1851) questionou: “ Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, e devem ser carregadas para atravessar valas, e que merecem o melhor lugar onde quer que estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, e nunca me ofereceram melhor lugar algum! E não sou uma mulher? Olhem para mim? Olhem para meus braços! Eu arei e plantei, e juntei a colheita nos celeiros, e homem algum poderia estar à minha frente. E não sou uma mulher? Eu poderia trabalhar tanto e comer tanto quanto qualquer ...

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