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TERREMOTO HAITI: Médicos cubanos no Haiti continuam salvando vidas

Por volta de 500 colaboradores da Ilha oferecem sua ajuda nos lugares de mais difícil acesso desse país • Na cidade de Gonaïves, danada fortemente pela tempestade Jeanne, trabalha uma brigada de 64 integrantes


OS 64 membros da Brigada Médica cubana que presta seus serviços na cidade haitiana de Gonaïves, prejudicada severamente pela tempestade tropical Jeanne, «gozam de muito boa saúde e, aliás, dobraram o ritmo de sua valiosa ajuda», informou, em 30 de setembro, o chefe em funções do Departamento de Cooperação Internacional do Ministério das Relações Exteriores (Minrex), Enrique Orta González.

 

 

 

 

 

 

Brigada médica cubana: atendimento
a mais de 12 mil haitianos
desde 25 de setembro passado

 

Cidade portuária do Haiti, situada o noroeste do país, nesta temporada de furacões e tempestades severas, Gonaïves sofreu intensas enchentes, que mataram mais de 2 mil pessoas e deixaram milhares de desaparecidos.

A diretora executiva da Unicef, Carol Bellamy, disse em 30 de setembro, em Porto Príncipe, que «pelo menos 8 mil pessoas estão vivendo em refúgios temporários em Gonaïves. Não têm nada. Perderam tudo com as enchentes. E anunciou que a Unicef pedira em Nova York «maior atenção e apoio para esta emergência», já que a população de risco em Gonaïves inclui 30 mil crianças menores de cinco anos e 8 mil mulheres grávidas ou em período de lactação.

 

«Inclusive, antes da crise atual, as crianças do Haiti eram das mais vulneráveis do mundo», sublinhou, por seu lado, o representante dessa organização no Haiti, Francoise Gruloos Ackermans.

 

Em imagens difundidas pela tevê pode-se enxergar desordens e brigas criadas pela pobreza e os sofrimentos dos habitantes desse país, desesperados por beneficiarem da ajuda internacional, agravada pelas adversidades do clima. Apesar de tudo, o funcionário do Minrex garantiu que «nem um só colaborador sofreu uma arranhadura».

 

«Nossos médicos, devido ao prestígio e carinho ganhos por seu trabalho humanitário e solidário, estão protegidos pela própria população e mantêm as reservas requeridas de remédios e alimentos para seu desempenho eficaz.

 

«Seus familiares», destaca Orta, «podem ficar satisfeitos e tranqüilos e souberem que, apesar de eles estarem em condições de trabalho difíceis, pelas áreas onde oferecem seu atendimento – as mais afastadas e desabrigadas – são atendidos de forma sistemática e recebem o apoio necessário do ministério da Saúde desse país, da Cruz Vermelha e dos mais altos dirigentes de nossa nação.

 

Quando começaram as enchentes, foi criado um posto de comando (Coordenadora Nacional, em Porto Príncipe), para manter comunicação constante com os colaboradores de Gonaïves, a cidade mais afetada pelas chuvas torrenciais, com o objetivo de garantir, em primeiro lugar, a proteção de suas vidas. «Porém, não houve que fazer nenhuma evacuação apesar de que, segundo informação recebida, a água chegou a atingir quase 1,5 metro de altura».

 

Imediatamente, os colaboradores acometeram a tarefa de prestar a máxima ajuda à população nos trabalhos de saneamento e de divulgação (promoção de saúde), pela rádio e outros meios, acerca das medidas a serem adotadas para prevenir epidemias, bem como atender diretamente a população. Ainda, começaram o resgate dos instrumentos e aparelhos das áreas que eles atendem, incluindo os do hospital La Providence, de Gonaïves, grande número dos quais «ficaram sepultados na lama».

 

Engenheiros em eletromecânica, que fazem parte das brigadas médicas cubanas são os responsáveis pela reparação e recuperação desses equipamentos.

Neste momento, em Gonaïves, a brigada dividiu-se em vários grupos que atendem diferentes pontos da cidade, oferecendo atendimento médico num hospital de campanha, em três clínicas móveis, num local de uma ONG e em duas igrejas que albergam inúmeros evacuados. O hospital de campanha dispõe de um salão de partos, funcionando em sua capacidade plena, no qual trabalham especialistas em obstetrícia, cirurgia e ortopedia.

 

Desde 25 de setembro até à data, tinham sido atendidos mais de 12 mil haitianos, principalmente com febre e tosse, afecções da pele e traumatismos.

No Haiti, integram o Programa Integral de Colaboração (PIS) mais de 500 trabalhadores da saúde que prestam sua ajuda nos lugares mais inacessíveis desse país.

 

A colaboração médica de Cuba com outros países começou na década de 60 do século passado, com o envio à Argélia de uma brigada de médicos. Mas em 28 de setembro de 1998, após a passagem pelo Caribe do furacão Georges, o presidente Fidel Castro expôs a idéia de um programa integral de saúde para o Haiti.

 

Posteriormente, veio o oferecimento de enviar gratuitamente milhares de médicos cubanos à América Central, vítima também do pior desastre natural acontecido nessa região nos últimos dois séculos: o furacão Mitch.

 

Neste momento, com o programa PIS, 2 600 médicos trabalham com as populações mais necessitadas de 24 países e realizam trabalhos de formação de recursos humanos para garantir o desenvolvimento sustentável da saúde em nações pobres.

 

Nos países africanos existem três faculdades de Medicina com professores cubanos: Guiné Equatorial, Gâmbia e Eritréia, esta última a mais recentemente criada, com uma matrícula total de 400 alunos nos diversos anos da carreira.

 

Ao mesmo tempo, estudam em Cuba 17 700 bolsistas de 15 nações, em mais de 30 especialidades.

 

O Departamento de Cooperação do Minrex pôs em destaque o alto sentido altruísta de nossos trabalhadores da saúde. Após se conhecer o estado de emergência surgido no Haiti, os médicos que estavam de férias em Cuba suspenderam seu descanso e por próprio pedido se reincorporaram a seu trabalho nesse país caribenho.

Fonte: Granma.cu

 

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