Um brinde com Letícia Sabatella

Deitada no asfalto, na companhia de amigos e com os olhos voltados para as estrelas, você riu de si mesma, e pôde gargalhar da sociedade que ainda procurar injetar os chamados bons modos nas mulheres…

Do: O Tempo

É bem provável que, por conta do delírio diário de me embrenhar em madeixas, tenha sido os seus cachos — lindos cachos, por sinal! Porém, ao fazer uma rápida pesquisa no sótão do meu interior, onde há desejos empoeirados e, vários desses, trancados em baús, a revejo na pele de mulheres fortes, entregues ao amor, destemidas… E isso sim, Letícia, é apaixonante, pois apenas refletiu nas personagens o que realmente é!

Desde a cristã Ana, que foi aprisionada pelo machismo retrógrado de Jerônimo na minissérie “A Muralha”, mas não abriu mão de uma paixão por um outro homem, passando pela Ana do longa-metragem “Romance”, que reproduz a linda e dolorosa história de Tristão e Isolda, e desaguando em Bianca, a mulher que, com o discurso de amar o marido, aceita os seus maus tratos, mas busca elaborar esse conflito, em “Sessão de Terapia”, você ajuda a desconstruir o moralismo que, em pleno século XXI, ainda nos assombra.

Enquanto os consumidores de leite com achocolatado, nascidos e criados em apartamentos espaçosos da área nobre, a taxavam de delinquente por ter atingido o ápice cerebral potencializado pelo álcool — ou qualquer que tenha sido o alucinógeno — e ter se permitido viver independentemente da opinião alheia, você surge e, com a leveza de quem sabe dançar no compasso do vento, se “nega a sentir vergonha com a pedra (bosta) moralista com que tentaram lhe atingir”.

Deitada no asfalto, na companhia de amigos e com os olhos voltados para as estrelas, você riu de si mesma, como salientou em uma rede social, e pôde, de acordo com o meu ponto de vista boêmio, gargalhar da sociedade que ainda procurar injetar os chamados bons modos nas mulheres — esses modos, a propósito, nada trazem de bons! E quando digo nas mulheres é porque, sem sombra de dúvidas, se a mesma situação tivesse sido vivida por um ator qualquer, os julgamentos seriam outros.

Letícia Sabatella, com o copo erguido, o corpo ereto e uma voz doce que, neste momento, escuto interpretando “joga pedra na Geni, joga bosta na Geni, ela é feita para apanhar, ela é boa de cuspir”, eu lhe acompanho no brinde que ofereceu aos “queridos acusadores”. Santé!

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