No dia 28 de abril, às 10h30, acontecerá o painel “Diálogos em Geledés – Narrativas de mulheres negras no audiovisual brasileiro”. O encontro contará com a presença de Urânia Munzanzu, cineasta e CEO da produtora Acarajé Filmes, de Letícia Leobet, coordenadora adjunta da área internacional de Geledés, e de Bi Sevciuc, membro-fundadora da Rede de Mulheres Eu Mais Velha. Antes do debate, serão exibidos dois curtas metragens dirigidos pelas convidadas: Na Volta Eu Te Encontro (2024) e Pé de Rosa (2025).
O curta Na Volta Eu Te Encontro, com direção de Urânia Munzanzu, retrata a tradição da “Volta da Cabocla”, que integra as celebrações da Festa da Independência da Bahia, no dia 2 de julho. No evento em questão, as figuras do Caboclo e da Cabocla retornam ao bairro da Lapinha, em Salvador (BA), no encerramento dos festejos. A obra conquistou o Prêmio Canal Brasil no 53° Festival de Cinema de Gramado.
“Numa cidade negra fortemente influenciada pelas revoltas caribenhas, a população rebelada contra os europeus toma as ruas comemorando a independência e a liberdade de seu povo preto e indígena, exaltando uma heroína Tumbalalá neste território onde Hauçás, prostitutas, carroceiros e bruxas são as donas de tudo”, diz a sinopse do filme.
Urânia é diretora, roteirista, poetisa e antropóloga. Com longa e premiada carreira no audiovisual, já dirigiu filmes como “O Primeiro Beijo” (2025), que retrata processos de resistência vividos por mulheres negras adictas, e “Merê” (2017), sobre a tradição Jeje Mahi.
Atualmente a cineasta tem trabalhado na construção do documentário “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade”, que celebra a ancestralidade e a luta das mulheres negras brasileiras em conexão com a África. A obra conta com gravações em Senegal, Benin, Nigéria e Cabo Verde. Entre os registros, está o momento em que Sueli Carneiro recebeu seu passaporte beninense.
Já o curta Pé de Rosa versa sobre ancestralidade, memória e continuidade. A obra registra a trajetória de Dona Rosa, mulher negra e benzedeira que mobiliza saberes ancestrais para curar pessoas e equilibrar as energias deste mundo. Ao acompanhar sua prática, o filme evidencia a força espiritual, política e afetiva dos conhecimentos das mais velhas.
Ao mesmo tempo, o curta retrata a relação entre Dona Rosa e sua sobrinha-neta, Letícia Leobet, em um processo íntimo de reencontro com a ancestralidade. Demonstrando assim, a importância da escuta, da transmissão de saberes e do reconhecimento do poder das mulheres mais velhas em nossas vidas. A obra é dirigida por Letícia Leobet, Laís Melo e Bi Sevciuc.
Além disso, Letícia atuou também no roteiro e produção. A coordenadora adjunta da área internacional de Geledés é ativista do movimento negro e cientista social, com linha de formação em Antropologia.
Já Bi Sevciuc, é ativista, gestora de projetos e fundadora da Rede de Mulheres Eu Mais Velha, que realiza ações em conjunto com mulheres guardiãs da biodiversidade e das tecnologias ancestrais de cuidado. É ainda co-autora do livro “Eu Mais Velha – cura, fé e ancestralidade” (2021) e co-diretora dos curtas-metragens “Adélia” (2021) e “Avós da Terra” (2026).
O painel ‘Diálogos em Geledés – Narrativas Audiovisuais Negras’ contará com falas das convidadas, seguidas de um momento de interação com o público. A atividade integra a programação de celebração de aniversário de Geledés, que completa 38 anos em 30 de abril.
Serviço
“Diálogos em Geledés – Narrativas de mulheres negras no audiovisual brasileiro”
Data e horário: 28 de abril às 10h30
Local: Auditório de Geledés (Rua Santa Isabel, 137, 4º andar – República, São Paulo)