sexta-feira, setembro 17, 2021
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Veganismo antirracista: Conheça a estudante da periferia que milita pelo movimento

O veganismo, prática de se abster do uso de produtos de origem animal, não é um estilo de vida caro. É o que garante a estudante de direito Luciene Santos, de 25 anos, em conversa com CartaCapital. A moradora do Jaraguá, bairro na periferia de São Paulo, criou um perfil nas redes sociais para desmitificar a ideia de que só rico pode se tornar vegano.

Negra, periférica e LGBT, Luciene tornou-se vegana em 2018, quando assistiu a um documentário que mostrava a violência sofrida pelos animais em abatedouros.

Sete meses depois, criou o perfil “Sapa Vegana” com o objetivo de compartilhar com amigos próximos receitas acessíveis e nutritivas.

A estudante conta que o resultado inicial da experiência foi a percepção de que seus amigos não tinham informação sobre alimentação.

“Assim como eu no passado, as pessoas apenas compravam os ingredientes e faziam da maneira que foram ensinadas, acreditando que aqueles eram os únicos alimentos possíveis”, diz.

“Nunca achei que ia crescer tanto. Com o tempo, eu fui entendendo a importância de falar sobre o veganismo para além da alimentação, que precisa ser acessível e entender outras opressões”, conta a estudante, que hoje soma mais de 130 mil seguidores em suas redes.

O que é um veganismo antirracista?

O veganismo cresce no Brasil. Segundo uma pesquisa do Ibope, divulgada em 2018, houve um aumento de 14% dos adeptos do estilo de vida, mas ainda é uma prática adotada por pessoas com maior concentração de renda, de acordo com o levantamento.

Por isso, Luciene enxerga a necessidade de se fazer um veganismo antirracista. “Essa ideia que ser vegano é elitista não surge do nada. Muitas vezes o discurso fica limitado a determinados grupos de pessoas privilegiadas financeiramente. Precisamos de um movimento que entenda a realidade da população brasileira”, diz.

“Os ativismos precisam conversar para se fortalecer. O veganismo que eu defendo faz conexão com outras causas, outras lutas e não coloca a exploração animal como única questão a ser resolvida. Se a gente está falando de um movimento que quer se espalhar, que quer ganhar cada vez mais adeptos, precisamos entender que essa população que o veganismo precisa chegar tem demandas, e as demandas também precisam ser consideradas”, diz.

Luciene chama atenção para o fato de empresas terem encontrado nesse público um nicho de mercado.

“Se você for no mercado e encontrar produto com rótulo vegano, muito provavelmente vai ser mais caro que um produto semelhante, mas com origem animal. Aí cria-se essa ideia que o veganismo é caro e elitista. É importante entender que algumas empresas veem o veganismo como um nicho de mercado”, ressalta.

Luciene mora sozinha e se mantém com um salário de estagiária. Quando saiu de um emprego CLT para o estágio, ela conta que o veganismo foi essencial para manter uma boa saúde.

“Aprender a me alimentar de maneira acessível foi essencial para minha saúde física e financeira e é isso que tento passar para todo mundo”, diz a influencer.

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