Tag: antirracismo

Atila Roque (Foto: Reprodução Fopir/Youtube)

Setor privado tem oportunidade histórica para romper pacto racista

O impacto do racismo sobre a vida das pessoas negras se impôs, em 2020, como um tema inevitável de debate público em quase todas as regiões do mundo. Aos dados que já vinham sendo coletados sobre a alta letalidade da pandemia de Covid-19 nas populações negras em países como Estados Unidos e Brasil, somou-se a onda de protestos decorrente do assassinato de George Floyd, durante uma abordagem policial no estado de Minnesota, nos EUA, em maio desse ano. No Brasil não foi diferente. Os protestos massivos no mundo inteiro deram visibilidade a luta histórica dos negros brasileiros, para que o racismo estrutural seja considerado fator determinante das desigualdades sociais no Brasil. Como diz um manifesto recente da Coalizão Negra Por Direitos, “com racismo não há democracia”. O retrato do país nesse aspecto, em que pese a maioria negra da população, é efetivamente desolador, e um breve olhar para a nossa realidade não deixa dúvidas: 71% das vítimas de ...

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Concurso visa à propagação do debate contra todas as formas de discriminação (Foto: Michelle Tantussi/Efe)

Enajun seleciona artigos sobre questão racial e antidiscriminatória

O edital foi apresentado no dia 23 de março durante evento online transmitido no canal da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que celebrava o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. Os trabalhos aprovados serão publicados em uma obra digital a ser lançada durante o quinto Enajun e ficará disponível para download gratuito a todos os internautas. Caso haja viabilidade, é possível a impressão de exemplares da obra a fim de distribuição em instituições de ensino e pesquisa, bibliotecas públicas e órgãos que integram o sistema de justiça. Exige-se que o artigo enviado seja inédito, escrito em português, com resumo de até cem palavras e com três palavras-chave. O tamanho deve ser de 10 a 30 páginas e a autoria pode ser compartilhada por, no máximo, três autores, que não podem estar em mais de um artigo submetido. Citações e referências bibliográficas seguem padrão ABNT, de acordo com formato ...

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Lélia Gonzalez (Foto: Cezar Louceiro / Reprodução)

Lélias em movimento

Lélia Gonzalez  é referência internacional nos estudos interseccionais de gênero, raça e classe. A filósofa e feminista estadunidense Angela Davis sempre quando em visita ao Brasil, não deixa de reverenciar a genialidade da intelectual brasileira, que é também uma de suas grandes referência sobre o feminismo afrolatinoamericano. Davis, em 2019, realizou uma pergunta às mulheres brasileiras sobre o porquê de procurarmos nas estadunidenses outras possibilidades de luta, sendo que no próprio Brasil o ineditismo de Lélia e de tantas outras mulheres negras estão fervilhando rebeldias únicas. Gonzalez inspira, além de deixar um grande legado, abriu passagem para uma contribuição enorme que perpassa e tem fertilidade em todas as áreas do conhecimento. No último ano assistimos o aumento do interesse do mercado editorial brasileiro nos escritos da mineira que lançou as bases para o movimento antirracista no Brasil bem como também para o de mulheres organizadas, como defende Jolúzia Batista, do Centro ...

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Gislene Aparecida dos Santos (Arquivo Pessoal)

Faça a coisa certa!

Levei algum tempo para escolher por me manifestar. Desde meu mestrado, muitos anos atrás, nunca deixei de me manifestar sobre o tema do racismo. Eu, assim como pesquisadores, ativistas, professores, professoras, cidadãos e cidadãs que assumiram o trabalho árduo de serem antirracistas, estamos o tempo todo nos manifestando, explicando, informando, pesquisando, escrevendo, produzindo evidências, formando, educando, sugerindo e implementando ações de combate ao racismo e às opressões que estruturam o Brasil. Por vezes, um cansaço nos alcança e foi o que eu senti ao ver, às vésperas do Dia da Consciência Negra de 2020, mais uma imagem da tão frequente e cotidiana violência contra pessoas negras que terminam em linchamento/homicídio/assassinato a sangue frio. Uma nova evidência gritante daquilo que, sistematicamente, temos apontado e nomeado como racismo estrutural, necropolítica, genocídio. A primeira coisa que me ocorreu diante das imagens da morte de João Alberto Silveira Freitas, no Carrefour de Porto Alegre, ...

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Benedita da Silva (GABRIELA BILÓ / ESTADÃO )

Antirracismo, uma luta de negros e brancos

Março não é apenas o mês em que, no dia 8, celebramos a luta das mulheres por seus direitos, mas é, também, o mês em que, no dia 21, reafirmamos a luta pela eliminação da discriminação racial em todo o mundo. Nesse dia, lembramos do massacre ao protesto negro contra o brutal regime do apartheid da África do Sul, ocorrido em 1960. Contudo, o nosso foco é o dia da luta contra a discriminação racial, pois o racismo que o define, mesmo sendo negado oficialmente, é praticado diariamente em nosso país desde que o primeiro preto escravizado botou os pés aqui. Na realidade, em nossa história, a escravidão apenas mudou do chicote para a caneta e, desta, para a exclusão social. Tanto a Abolição quanto a Proclamação da República em nada mudaram o domínio do latifúndio e a extrema concentração de renda do capitalismo brasileiro. Sem reforma agrária, sem emprego, ...

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Imagem: Ehimetalor Akhere Unuabona

Artigo: Racismo e o desafio de combatê-lo

Apesar do avanço da tecnologia, que nos traz uma gama de conhecimentos sobre o certo e errado, e de a Lei Caó (lei 7.716/89), que combate o racismo no Brasil, ter completado 32 anos no último dia 5 de janeiro, vivemos um retrocesso na questão racial. As atitudes criminosas provêm desde o meio virtual (internet e redes sociais) ao pessoal, em que os intolerantes se manifestam sem se importar com os valores do ser humano. No Brasil, as causas do racismo podem ser associadas, principalmente, à longa escravização de povos de origem africana e a demora na abolição da escravidão que, a meu ver, foi limitada, por não inserir os escravos libertos no meio social, nem lhes permitir os direitos à educação e ao mercado de trabalho, tornando-os marginalizados. Em diversas leituras em que me ative para alinhar o pensamento sobre o tema, encontrei várias definições, e o modo mais ...

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Negros continuam a ser alvo de racismo estrutural e institucional em muitos países europeus

Opinião: Europa precisa despertar para o racismo

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Este mesmo princípio, consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, esteve no centro da reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial e é o alicerce do sistema internacional de direitos humanos. Lamentavelmente, muitas vezes os negros não são tratados de acordo com esse princípio. Apesar de todos os progressos alcançados no campo da igualdade e da não discriminação, eles continuam a ser alvo de racismo estrutural e institucional em muitos países europeus. Se você é negro, tem mais chances do que um branco de enfrentar discriminação no mercado de trabalho, na educação, na área da saúde e de moradia, e de ser parado e revistado pela polícia. Embora a maioria dos Estados europeus não reúna dados sobre discriminação racial, alguns relatórios dão uma ideia da magnitude do problema. Na França, uma pesquisa da autoridade independente Defenseur des ...

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Papa Francisco.

Papa Francisco: “Racismo é um ‘vírus’ sempre à espreita”

O Papa Francisco denunciou o racismo em seu discurso neste domingo (21.03), comparando-o a um "vírus que se transforma rapidamente e, em vez de desaparecer, esconde-se, e espreita à espera". As declarações do Papa foram feitas através de uma mensagem pela rede social Twitter, na data que as Nações Unidas assinalam como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. "Instâncias de racismo continuam a envergonhar-nos, pois mostram que o nosso suposto progresso social não é tão real ou definitivo como pensamos", escreveu, acrescentando os hashtags #FightRacism #FratelliTutti. "Fratelli Tutti" "Fratelli Tutti" é o título que o Papa emitiu no ano passado, em meio à pandemia da Covid-19, para pressionar pela solidariedade, irmandade e cuidados com o meio ambiente em todo o mundo. Entretanto, no seu tweet, o Papa Francisco não especificou nenhum caso particular de racismo. El racismo es un virus que muta fácilmente y que, en lugar de desaparecer, se esconde ...

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Fátima Oliveira (Foto: João Godinho)

Médica Fátima Oliveira deixou legado de uma saúde pública antirracista

É com muito orgulho, que escrevo sobre Dra. Fátima Oliveira, mulher negra, feminista, médica, defensora incansável dos direitos sexuais e reprodutivos, onde deixou grande legado nas suas pesquisas, articulando as questões de gênero raça e classe social. Fátima Oliveira, 63 anos, médica, feminista emancipacionista, escritora, avó de Maria Clara, Luana e Lucas e mãe de Maria, Débora, Lívia, Gabriel e Arthur, faleceu no dia 05 de novembro de 2017. Dra. Fátima Oliveira veio de uma família de origem pobre mas sempre teve o sonho de ser médica e lutar pelo seu povo. Foi autora de vários livros e pesquisas publicadas pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), onde contribuiu com textos sobre as doenças prevalentes na população negra. Sempre preocupada com as mulheres negras brasileiras quando foi uma grande ativista na questão da legalização do aborto enaltecendo a linha de uma sociedade igualitária, sem machismo e sem homofobia ou ódio religioso. ...

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Arquivo Pessoal

Reações ao mito da democracia racial no contexto moçambicano (séc. XX)

No início da década de 1950, houve uma crescente contestação contra o colonialismo, resultando no surgimento de vários movimentos de libertação nacional no continente africano. De forma relacional, ocorreu uma significativa mobilização do regime salazarista (1933-1974) para garantir as colônias portuguesas na África: Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné portuguesa, Angola e Moçambique. O Estado português, no intuito de fortalecer sua posição no continente, valeu-se estrategicamente das ideias do sociólogo Gilberto Freyre nessa conjuntura, bem como financiou a sua viagem à Portugal, à África e à Ásia e promoveu a divulgação de suas obras e do seu pensamento nos meios de comunicação.  É nessa conjuntura que Freyre aproxima-se cada vez mais da política colonial portuguesa e cria uma teoria que beneficiava os interesses políticos, econômicos, culturais e étnico-raciais de Portugal: o luso-tropicalismo. Tal conceito defendia que os portugueses tinham uma forma específica de agir e estar nas sociedades tropicais ...

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Molho para panqueca Aunt Jemima: marca abandonada pela Pepsi (Foto: JUSTIN SULLIVAN / AFP)

Mais uma marca considerada racista é aposentada nos EUA

A Pepsi disse nesta terça-feira que suas massas e xaropes para panquecas passarão a ser vendidos sob o novo nome Pearl Milling Company depois que a empresa abandonou o logotipo da marca Aunt Jemima (Tia Jemima) no ano passado, reconhecendo que ela reforçava um estereótipo racial. O logotipo da marca, com mais de 130 anos, que apresentava uma mulher negra com o nome de um personagem em shows de cantores brancos que se pintavam de preto do século XIX, foi criticado em meio a um debate nacional sobre racismo e desigualdade racial nos Estados Unidos. "Misturas para panquecas, xaropes, fubá, farinha e grãos com a marca Pearl Milling Company começarão a chegar ao mercado em junho", disse a PepsiCo em um comunicado. A decisão da PepsiCo foi parte de uma resposta corporativa nacional aos protestos de movimentos como o Black ives Matter contra o tratamento de negros e a brutalidade ...

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(Foto: REUTERS)

Mas afinal de contas, o que deseja a luta antirracista?

As vivências e escrevivências nos revelam caminhos contemporâneos, com novas e louváveis iniciativas, porém, permanecendo intrínsecas, velhas práticas já denunciadas pelas nossas referências, tais como Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro. O objetivo é a luta antirracista, mas o que deseja essa luta infidável? Certamente, muitos responderão automaticamente essa indagação, enfatizando sobre a construção de uma sociedade igualitária. A dúvida é se esse desejo de igualdade está imbricado na minimização das categorias de opressão de gênero e de classe. Dá para lutar contra o fim de uma opressão que é estrutural e alimentar outra? Isso auxilia ou reforça a desumanização? Afinal de contas, não é justamente a luta antirracista que se estrutura na desconstrução da ideia de modelo de sujeito universal,que aborda sobre respeito às diferenças? Aqui estamos falando dos quadrados onde somente uma bandeira pode ser hasteada. Assim, temos que deixar de sermos pretas para pautar sobre ser mulher, temos ...

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Foto: SILVIA IZQUIERDO / AP

Coletivo de Espíritas Antirracistas lança manifesto

O Coletivo de Espíritas Antirracistas vem a público defender a ideia de que é necessário ao movimento espírita assumir maior protagonismo na defesa das pautas antirracistas e não se omitir em promover essa discussão dentro das suas instituições físicas ou virtuais. Não é possível hoje, em pleno ano de 2020 e num país imerso no racismo estrutural que mata, adoece e discrimina negras e negros, populações indígenas, ciganas etc., que o movimento espírita continue a se esconder dos debates sobre essa importante questão social, refugiando-se apenas na inócua citação de trechos e frases soltas sobre a igualdade entre as pessoas. Para tanto, propõe a proliferação de debates e discussões sobre o racismo estrutural e suas consequências físicas, psíquicas e sociais sobre as vidas negras, com a necessária presença de negras e negros expondo suas dores e suas dificuldades numa sociedade injusta e racista. Promover eventos, debates, encontros ou palestras, como ...

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iStockphoto

Nós, brancos, precisamos estudar o Brasil a partir de autores negros 

Em um ano confuso, difícil e com grandes problemas mundiais vindo à tona, fora a crise sanitária, várias coisas fazem mais sentido. O mundo todo - e também a nossa classe média alta pra cima - descobriu admirado que existe desigualdade social. Como assim no dia dois da pandemia da Covid-19 já temos pessoas passando fome e sem emprego? Os olhos estavam fechados de propósito. E alguns ainda seguem assim, num ato contínuo de "desver" - desde a invasão dos portugueses no Brasil, aquele momento que tudo começou a dar errado em terras tropicais. Certamente naquela época outros planetas nos olharam e pensaram "essa galera não vai dar certo, vão ferrar com tudo aí nesse pedaço do mapa", e deu. O racismo existe sim, vice-presidente Mourão. Por mais que você e toda essa turma horrível que hoje ocupa Brasília diga que não, simplesmente para manter um plano genocida, o racismo ...

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Getty Images/V.Moriyama

Negritude e consciência

“Uma civilização que se mostra incapaz de resolver os problemas que seu funcionamento provoca é uma civilização decadente. Uma civilização que opta por fechar os olhos para seus problemas mais cruciais é uma civilização doente.” A fala de Aimé Césaire no livro “Discurso de sobre o colonialismo”, propõe uma profunda reflexão sobre o modo como o chamado “racismo à brasileira” tem se engendrado historicamente. Contudo, proponho levantar uma discussão sobre as bases constituintes do pensamento racista no brasil, considerando as determinações sócio-históricas que produzem os mecanismos simbólicos por meio dos quais são mediadas as relações sociais que criam o lugar de opressão ao povo negro. Em primeiro lugar é preciso destacar que mulheres e homens são seres sociais constituídos histórica e culturalmente no instante em que constroem suas condições de existência. Logo, é possível afirmar que a consciência humana é uma instancia do ser que embora materializada no âmbito da ...

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(Foto: LEO MOTTA /ARQUIVO FOLHA)

Cor da Pele

As pessoas tendem a elogiar os negros dizendo: Nossa, mas você é um negro lindo! Que negrinha mais linda! Que mulata bonita! Nunca ouvi ninguém falar: Que branco lindo! Que brancona mais bonita! Esse seu filhinho branco é mesmo muito fofinho. Sim, negro é um maravilhoso adjetivo e temos muito orgulho disso. Mas não há a mínima necessidade desse preconceito travestido de benevolência. Homens e mulheres são bonitos, inteligentes, cativantes e etc... Mas sempre tem aquele jeito de segregar não é? Seu negro lindo! Mulata linda! Parece que somos lembrados o tempo todo de que somos negros. Será que alguém pensa que os negros tem problema de memória?  “A gente não nasce negro, a gente se torna negro.” Lélia Gonzalez. Você precisa da sociedade te chamando de negro o tempo todo para se sentir negro? Você se percebe negro? Quando foi que você se percebeu negro pela primeira vez? Quando ...

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Reprodução/Facebook

O Coletivo Maria Felipa e a luta antirracista no Ministério Público do Estado da Bahia

Negro. Negra. Negritude. Pretitude. Atitude preta. Consciência e Ação. Orgulho. Mergulho no mundo, no meu mundo. O mundo do preto, do cabelo crespo, do nariz largo, da boca carnuda, da pele preta. Cor? Raça? Amor? Desamor? Racismo? É crime. Sim, é crime. Eu quero respeito, quero espaço! Quero respirar e me libertar! Liberte-se você também! Solte os seus cabelos, as amarras, as correntes, e tudo que te prende; tudo que te impede de respirar e ser livre... Pensar, falar, gritar, escrever, cantar, dançar, estudar, brigar também, se preciso for! Sorrir, atento ao seu humor. Fazer tudo o que quiser... do seu jeito, do seu jeito preto! Que é seu, só seu...Lindo como é. Conecte-se com as suas raízes. Oh, negra cor, como eu te amo... e te admiro, e me encanto... Com seus traços Com meus laços, Que se envolvem nos teus. Obrigada mãe África! Gratidão a minha história, a ...

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Oscar Vilhena Vieira, professor e cientista político (Foto: Jardiel Carvalho /Folhapress)

Racismo: e eu com isso?

Sempre me perguntei o que leva um ser humano a humilhar, torturar ou matar um outro ser humano. Não como uma conduta individual, fruto da maldade ou da insanidade de um indivíduo, mas como conduta sistêmica, que pode ocorrer de forma organizada, como num campo de concentração, ou de maneira difusa, como a violência praticada cotidianamente contra a população negra no Brasil. Como explicar a violência que levou à morte de João Alberto Silveira de Freitas, após ser covardemente espancado por seguranças privados da rede de supermercado Carrefour, em Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra? Ou como compreender a morte do índio Galdino, incendiado por alguns jovens em Brasília, enquanto dormia numa parada de ônibus, após participar das comemorações do Dia do Índio, em abril de 1997? Difícil pensar que pessoas comuns, estejam elas na condição de agentes públicos ou privados, ou de meros passantes em busca ...

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Arte: Luisa Amoroso

Precisamos ser mais rápidos que o racismo ao educar nossos filhos

Você sabia que estudos mostram que crianças começam a aprender sobre características raciais antes mesmo de aprender a andar? Segundo a Academia Americana de Pediatria , os pais são seus mais influentes professores, num processo muito similar ao do aprendizado linguístico; e, entre os dois e os quatro anos, elas já internalizam vieses raciais. De acordo com um estudo publicado no principal periódico da Associação Americana de Psicologia, aos seis anos elas tanto já entendem que há uma hierarquia racial como podem elas mesmas se engajarem em estereótipos racistas diretos. Em um outro estudo com crianças de três anos, conduzido por professores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, pesquisadores mostraram fotos de diversas crianças e perguntaram de quem elas queriam ser amigas; um terço das crianças negras disseram que queriam ser amigas apenas das crianças negras, ao passo que 86% das crianças brancas disseram querer ser amigas apenas das ...

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Membros do Movimento Negro em marcha em comemoração aos 300 anos de morte de Zumbi dos Palmares, em 1995, em Brasília (Foto: Jefferson Rudy/ Folhapress)

20 de Novembro e a defesa de nossos melhores sonhos de liberdade

Em algum momento entre 1962 e 1976, o poeta afro-gaúcho Oliveira Silveira encarou suas angústias acerca da gravidade dos vazios históricos produzidos pelo racismo brasileiro e deu ao mundo o poema “Pobre Menino Preto”. Os versos publicados no livro "Praça da Palavra" reconstroem as tentativas frustradas de uma criança negra para associar sua imagem às dos heróis disponíveis à época: “brincando com a turma: / se imagina mocinho / não cola / os mocinhos são brancos / como os outros”. Ao querer se inventar Tarzan, é logo derrubado do galho por quem o vê apenas como “chita / macaco / chimpanzé / orangotango”. Não fosse tudo isso cruel o bastante, faltava a ele repertório para defender seu íntimo desejo de ser: “não pode brincar de Zumbi / ou Toussaint-Louverture / porque são heróis de verdade / que ninguém conhece / nem ele mesmo nunca ouviu falar”. O menino com o ...

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