sexta-feira, agosto 14, 2020

    Tag: antirracismo

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    18 anos de cotas na UNEB: Travessias para educação antirracista na Bahia

    “Vou aprender a ler pra ensinar os meus camaradas”, na letra da canção Yáyá Massemba, composta por Roberto Mendes e Capinam, o plano construído por gerações de negros no Brasil ficou registrado. A canção inicia com o lamento sobre a noite “no porão do navio negreiro”. De lá, do “fundo do cativeiro”, a estratégia de planejar o futuro dos seus foi amplamente utilizada por homens e mulheres em momentos difíceis, e lhes permitiram a construção de redes de apoio e solidariedade em irmandades, associações, terreiros e cantos de trabalho, que foram fundamentais para o acúmulo do pecúlio, com o qual compraram a alforria. Não foi incomum, durante o período escravocrata, que as mulheres negras investissem na compra da liberdade de seus filhos, antes das suas. A tática projetava um futuro diferente para os filhos e previa que as próximas gerações ocupariam outros lugares na sociedade racialmente hierarquizada do Brasil. A ...

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    (Foto: Getty/ Reuters/ PRBK)

    ‘Na escola dos meus filhos não tem negro nas salas de aula’

    Quem são os negros da escola do teu filho? Coletivos de pais dos colégios Vera Cruz, Equipe, Santa Cruz, Oswald de Andrade, São Domingos, Alecrim e Instituto Singularidades têm repetido a pergunta insistentemente dentro das instituições. Aos pais e famílias que as frequentam e às equipes docentes. Um movimento que nasceu tamanha a discrepância da bolha social em que os filhos vivem somada a consciência de que é preciso fazer parte do movimento antirracismo ao lado dos negros. Quase que em sua totalidade, negros, na na vida particular dessas crianças e adolescentes, costumam ser os empregados: faxineiros, domésticas, babás, auxiliares. Uma questão que vai muito além do que é tradicionalmente chamado de racismo. É o racismo estrutural que está enraizado na sociedade de forma basilar. Em que os negros, em suas diferentes posições, garantem o alicerce dos brancos. E a fala não tem exagero. Basta olhar ao redor. Qual escola ...

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    SILVIA IZQUIERDO / AP

    Brasil atrasa 12 anos e lista ações antirracismo à ONU sem gestão Bolsonaro

    Com um atraso de doze anos, o Brasil submeteu em julho à ONU (Organização das Nações Unidas) seu informe sobre o que tem feito para lidar com a discriminação racial no país. O documento, porém, não cita os acontecimentos, iniciativas e políticas do governo de Jair Bolsonaro e se limita a tratar da questão até o ano de 2017, destacando ações de administrações passadas. Pelas regras da ONU, o Brasil deveria ter entregado seu informe oficial ao Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial em 2008. Trata-se de uma das obrigações da convenção sob o mesmo assunto, assinada e ratificada pelo Brasil. Mas nem os governos Lula, Dilma ou Temer cumpriram o que estipula o tratado. Com o informe oficial, as autoridades na ONU avaliarão a situação da discriminação racial no Brasil, o que neste caso deve ocorrer em 2021. Veja o documento completo aqui. De acordo com o governo, ...

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    Jaqueline é fundadora do Coletivo Di Jejê.(Foto: Imagem retirada do site DC)

    Doutoranda em Antropologia Social, professora Jaqueline Conceição desenvolve ações que abordam a cultura antirracial

    A professora Jaqueline Conceição é representatividade. Mulher negra, empreendedora e doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina, ela se coloca como voz e cria espaço de fala para mulheres, negros, indígenas, pobres e marginalizados através da educação. A pedagoga, de 35 anos, nasceu em São Paulo, mas escolheu e foi escolhida por Florianópolis, em 2015, para fixar o projeto de vida. Fundou em 2014, o Instituto de Pesquisa sobre Questões Étnico Racial e de Gênero Coletivo Di Jejê, que está sediado na capital catarinense, mas com braços em outros estados e países. A inquietação para o projeto surgiu após a finalização do mestrado em Educação; História, Política, Sociedade na PUC-SP e da percepção “da ausência de intelectuais negros na formação teórica, mesmo para pesquisadores que trabalham com a temática racial”. A plataforma de ensino desenvolvida por ela tem foco na educação antirracista e feminismo negro do Brasil, ...

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    Foto: ONU Brasil

    Após quase três décadas, luta de mulheres negras da América Latina contra o racismo continua

    Rádio Sagres · Manhã Sagres #645: Entrevista com a professora de Filosofia e Ciências Humanas do IFGO, Janira Sodré Em 1992, grupos femininos negros de 32 países da América Latina e do Caribe se reuniram em Santo Domingo, na República Dominicana, para denunciar opressões e debater soluções na luta contra o racismo. Esse encontro ficou marcado na história e foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que completou 28 anos no último sábado (25). Em entrevista ao Manhã Sagres desta segunda-feira (27), a professora da Coordenação de Filosofia e Ciências Humanas do Instituto Federal de Educação de Goiás, Coordenadora do Núcleo de Estudos em Gênero, Raça e Africanidades do IFG e Presidente da Câmara Técnica de Enfrentamento ao Racismo e Diversidade Étnica do Conselho Estadual da Mulher, Janira Sodré, falou sobre a baixa representatividade das mulheres na política e ...

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    ONU lembra lutas antirracistas e feministas no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

    Esse encontro ficou marcado na história e foi reconhecido pela ONU como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e da Diáspora, celebrado em 25 de julho. Passados 28 anos dessa reunião, e também no contexto do 5º aniversário da Década Internacional dos Afrodescendentes, é preciso relembrar a história de luta e conquistas dessas mulheres, mas também jogar luz nos desafios que elas enfrentam até hoje como resultado de séculos de discriminação, opressão e desigualdade social. “Precisamos afirmar ao mundo que é urgente e necessária uma nova ordem”, diz Valdecir Nascimento, do Instituto Odara da Mulher Negra, em Salvador (BA). “Ninguém acredita que as mulheres negras podem pensar em uma estratégia de transformação do mundo, pois as pessoas continuam com uma narrativa e um imaginário da negra como coitada, como alguém sem instrução.” “Essa é uma lógica de negação que não cabe mais, e o nosso desafio é ...

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    A luta antirracista e as ‘hashtags’

    O capitalismo sempre foi racial. O capitalismo não seria a instituição econômica global que é hoje se não fosse pela escravidão, se não fosse pela colonização.  − Angela Davis As redes sociais têm sido um campo fértil de protestos contra o racismo estrutural. Aos olhares desatentos, existe a falsa impressão de que esses protestos acontecem desde o assassinato do afro-americano George Floyd, na cidade de Minneapolis – EUA, onde um policial branco o asfixiou durante uma abordagem e desencadeou manifestações em diversos países¹. Mas o debate sobre o racismo estrutural acontece há muito tempo. A questão é que os meios de comunicação de massa sempre foram omissos sobre a situação da população negra, e isso reflete na performance das redes sociais. No entanto, sabemos que centenas de “George Floyds” deixam de respirar, anualmente, no Brasil.    Impulsionados pelas hashtags − por exemplo, #vidasnegrasimportam − inúmeros perfis inundam as redes sociais, ...

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    Josh Johnson em ação pelo Washington Redskins — Foto: Christopher Hanewinckel / USA Today

    Washington Redskins vai mudar nome e logo na NFL após pressão antirracista

    Após pressão de grupos antirracistas, o Washington Redskins anunciou que vai mudar o nome da franquia. Nesta segunda-feira, a diretoria divulgou um comunicado afirmando que vai buscar uma nova marca para o time, um dos mais tradicionais da NFL, a liga de futebol americano. O time de Washington levou em consideração os recentes eventos antirracistas que aconteceram nos Estados Unidos e também as opiniões da comunidade, que pede pela mudança do termo "redskins" (peles vermelha), por conta da sua conotação racista com os índios, povo nativo americano. O time foi batizado com o termo em 1933, quando saiu de Boston para Washington, e deixou de se chamar Braves. Em 2013, Dan Snyder, dono da franquia, chegou a dizer que o time nunca trocaria de nome. Há dez dias, porém, a franquia de Washington já havia admitido a possibilidade de mudança.   Ver essa foto no Instagram   Uma publicação compartilhada ...

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    O educador negro Hemetério José dos Santos (Imagem: Biblioteca Nacional)

    A história do professor negro e antirracista que ensinou durante a escravidão

    O Folha na Sala desta semana conta a história do professor Hemetério José dos Santos, um intelectual negro que lutou por uma educação universal e uma sociedade antirracista durante o fim do século 19 e primeira metade do século 20. ​Hemetério nasceu em Codó (MA), em 1858, trinta anos antes da abolição da escravidão no Brasil. Aos 16, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde terminou os estudos e se tornou professor explicador de francês no Colégio Pedro II. Ali, diz-se, foi visto pelo próprio imperador, que ficou admirado pela sua competência. Ao longo da vida, publicou livros, escreveu para jornais e se firmou como um respeitado estudioso da língua portuguesa, a ponto de ser um dos patronos da Academia Brasileira de Filologia. Sua atuação, no entanto, esteve sempre ligada às questões raciais e à educação dos mais pobres. “Não podemos pensar o Hemetério como um revolucionário do ponto de ...

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    Manifestações nos EUA trazem de volta o trabalho da educadora antirracismo Jane Elliott. Aos 87 anos, ela se diz cansada de repetir as mesmas coisas Foto: Divulgação/Imagem retirada do site Celina)

    Desde 1968, ela dá aulas antirracismo. Está cansada de repetir a mesma coisa. E de ser ameaçada de morte

    Conforme os protestos antirracistas cresciam nos Estados Unidos e em outros países, imagens de Jane Elliott, uma professora e educadora antirracista, começaram a circular na mídia americana. Em um clipe de 2011, Elliott, com seus óculos redondos e cabelos brancos, entra em uma discussão calorosa com uma estudante universitária branca durante um exercício educativo sobre racismo. A moça, desconfortável e pertubada pela experiência, começou a chorar e deixou a sala. "Você acabou de exercer uma liberdade que nenhuma dessas pessoas negras tem", diz Elliott à estudante, severamente. "Quando as pessoas negras se sentem cansadas do racismo, elas não podem se retirar da sala." Talvez você tenha visto um vídeo de 2018 em que Elliott está em uma mesa-redonda com a atriz e produtora Jada Pinkett Smith; a filha, Willow, e a mãe de Jada, Adrienne Banfield-Norris. "Eu não sou uma mulher branca. Sou uma pessoa negra desbotada", diz Elliott, atordoando ...

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    Branquitude: reconhecer-se enquanto pessoa branca e os privilégios atrelados a isso é passo importante na luta antirracista (Foto: Gabe Pierce/Unsplash)

    Precisamos falar sobre branquitude e seu papel na luta antirracista

    “Por que você gostaria de me entrevistar?”, perguntou o historiador Lourenço Cardoso, professor do Instituto de Humanidades da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no Ceará, quando fiz o pedido de entrevista para escrever este texto. “Há tendência de reportagens sobre branquitude invisibilizarem pesquisadores negros. Escutam pesquisadores brancos e negros, e dão protagonismo ao pesquisador branco; o negro está lá somente para dizer que o repórter também entrevistou o negro. Portanto, sou reticente.” Do alto da minha branquitude, fiquei irritada. Um dos principais pesquisadores do país sobre o tema, Cardoso é autor da tese de doutorado O branco ante a rebeldia do desejo: um estudo sobre a branquitude no Brasil, publicada em 2014 pela Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em Araraquara, no interior paulista. Sua reação ao pedido de entrevista deu um nó na minha cabeça: “ué, mas nós ...

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    Imagem retirada do site SOS_Corpo

    Antirracismo no Brasil: uma tarefa inadiável às pessoas brancas

    “O colonialismo é uma ferida que nunca foi tratada. Uma ferida que dói sempre, por vezes infecta, e outra vezes sangra”. Grada Kilomba   Estamos vendo acontecer neste mês de junho de 2020 uma revolta popular contra o racismo, num primeiro olhar, desencadeada a partir da ação do movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos, e que tem irradiado grandes manifestações de pessoas que têm se levantado para a luta racial ao redor do mundo. A morte de George Floyd foi o estopim para as mobilizações de massa em quase todos os estados daquele país, numa ação articulada e liderada por mulheres negras. No Brasil, movimentos sociais e organizações populares voltaram às ruas, em manifestações puxadas especialmente pelas torcidas antifascistas dos principais clubes de futebol, em defesa da democracia e contra os atos antidemocráticos, reanimando as forças da resistência para continuar a luta no enfrentamento ao bolsonarismo e contra o fascismo que molda ...

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    Criança participa de marcha no Central Park West em celebração ao Juneteenth em Nova York (Foto: Reuters/Andrew Kelly)

    O racismo deixará de existir quando quem o sente disser que já não existe – Amnistia Internacional

    "Fazer uma manifestação para provar que não há racismo não tem sentido. O racismo não se sente numa manifestação. Quer dizer, sente-se se for uma manifestação de ódio e espero que não seja o caso", disse Pedro Neto. À pergunta se vê a manifestação marcada para sábado em Lisboa pelo partido Chega como uma provocação, o responsável da AI respondeu: "Não queria dizer isso, dar-me-ia protagonismo, mas não ajudaria muito ao debate". Considerou, no entanto, que não é com uma manifestação que se prova que não há racismo, mas sim com políticas públicas de inclusão, que não permitam discriminação. "Não haver racismo é também não haver discursos xenófobos no parlamento que instiguem ao ódio contra a comunidade cigana", defendeu, numa alusão às posições do líder do Chega, André Ventura, que tenciona reunir 1.500 participantes numa manifestação destinada a afirmar que "Portugal não é racista". "Quando quem o sente disser que ...

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    A jornalista Anielle Franco (Imagem retirada do site ECOA)

    Como podemos construir um futuro antirracista?

    Nunca teremos de fato uma democracia sem debater todas as desigualdades que dividem esse país. E quando me refiro a desigualdade, falo amplamente de todos os tipos possíveis da mesma. Impossível passarmos por uma pandemia global, por casos que exemplificam o genocídio do povo negro, pela fome, pela pobreza, pelo descaso com nossas favelas e periferias, sem nos incomodarmos, e ainda dizer que lutamos pela democracia desse país. De qual democracia estamos falamos? Pois para mim, falar em democracia é falar de desigualdade e como combatê-la. Uma coisa não se separa da outra. Ou pelo menos não deveria. Em um dos momentos mais difíceis do mundo inteiro, nosso país se destaca pelo racismo, pela ausência de líderes que se importem mais com vidas do que com números, e por divisões ideológicas que a cada dia nos destroem. No meio disso tudo, nosso povo preto se torna ainda mais vulnerável, ainda ...

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    O antropólogo, crítico e pesquisador Hélio Menezes, que também é curador de arte contemporânea do Centro Cultural São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)

    Monumentos públicos de figuras controversas da história deveriam ser retirados? SIM

    Na biografia que dedica ao poeta João da Cruz e Sousa, Paulo Leminski analisa a história do país e conclui: "O Brasil, qualquer transeunte sabe, foi descoberto por Cabral e fundado pela violência". Qualquer transeunte, contudo, ao passar pela avenida Ibirapuera, em São Paulo, se depara com o monumento a Pedro Álvares Cabral, estátua que imagina o português em pose de herói descobridor, sem qualquer menção à violência genocida que compõe a biografia do homenageado, mais próxima à figura do invasor. Uma placa de granito no seu pedestal de mármore reproduz frase atribuída a Tancredo Neves, reforçando a ideia que o monumento tenta narrar visualmente: "A Portugal devemos tudo". Vai-se embora, nessa combinação de imagem e texto, a centralidade das populações indígenas, africanas, seus descendentes e uma grande diversidade de povos na conformação do esgarçado, mas inequivocamente diverso, tecido social brasileiro. Monumentos nem sempre são salvaguardas da história. Eles dizem ...

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    Manifestação a favor da democracia e contra o racismo na Avenida Paulista no domingo, 14 (Foto: Taba Benedicto/Estadão)

    Racismo é um impedimento ao desenvolvimento econômico brasileiro

    Durante muito tempo a “branquitude” – o privilégio que a sociedade colonial e europeia adquiriu e conservou no Brasil – reinou como se fosse verdade e realidade “natural”: inquestionável e, por isso, invisível. Foi assim que nos acostumamos a achar “normal” não encontrar negros e negras nos bancos das nossas melhores escolas, nas redações dos jornais, nos ambientes corporativos, na direção de instituições e até mesmo nas áreas de lazer dos bairros considerados mais nobres. Também defendemos uma suposta “meritocracia” sem atentarmos para os cortes de classe e raça que esse conceito traz; como falar em “mérito”, de uma forma geral, quando o ponto de largada é profundamente desigual? Nos habituamos, ainda, a chamar de “universal”, e sem pejas, uma história que é só europeia, e a uma arte que é eminentemente masculina e ocidental. Se a “nossa” arte e a “nossa” história carecem de adjetivação, já as demais precisam ...

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    Grafite feito em Bruxelas, na Bélgica, com o rosto de George Floyd (Foto: Kenzo Tribouillard/AFP)

    Sem os EUA como alvo, conselho da ONU aprova apuração sobre racismo sistêmico

    Após uma série de idas e vindas, o Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU aprovou nesta sexta-feira (19) uma resolução na qual condena o racismo no mundo e abre uma investigação internacional sobre o uso excessivo da força por agentes de segurança contra negros. Diferentemente da proposta original, porém, o texto final não destaca o racismo nos Estados Unidos nem pede uma investigação especial dedicada ao país —algo que o governo do presidente Jair Bolsonaro era contra. Em vez disso, os países que participam do conselho chegaram a um meio-termo. A expressão "brutalidade policial", por exemplo, aparecia na versão original, mas acabou sendo substituída por "uso excessivo da força por agentes da lei". Além do trecho que pedia uma investigação específica para os EUA, críticas mais duras ao racismo no país também foram retiradas. Com as mudanças, a resolução foi aprovada por consenso, sem necessidade de votação nominal por ...

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    Imagens da derrubada de estátua de comerciante de escravos do século 17 em Bristol ganharam o mundo (Foto: picture-alliance/empics/B. Birchall)

    Vamos derrubar estátuas para descolonizar

    Quando vi manifestantes derrubando a estátua do mercador de escravos Edward Colston em Bristol, senti que ela não seria a última dessa onda. Lembrou-me um assomo de ira semelhante quando, em 2015, estudantes da Universidade da Cidade do Cabo fizeram tombar o monumento ao imperialista Cecil Rhodes. Desde então, outros protestos em universidades da África do Sul profanaram mais estátuas da era colonial. Em Oxford, no país natal de Rhodes, milhares estão protestando pacificamente para remover outra estátua dele. Há quem considere anti-intelectual remover qualquer monumento, e argumente que essas figuras representavam os valores de sua época. Mas, e os valores de nossos tempos? Até que ponto o passado ainda controla o nosso presente? Numa época em que cidadãos negros ainda sofrem por todo o mundo, essas estátuas - assim como as ruas com nomes de racistas - não são meros monumentos. Elas lembram aos racistas que gente que demonstrou ...

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    Português ganhou dinheiro com tráfico de africanos para o Brasil depois que a atividade já havia deixado de ser legal no país (Foto: ACERVO FGM)

    Quem foi Joaquim Pereira Marinho, o traficante de escravos que virou estátua na capital mais negra do Brasil 

    Quando manifestantes antirracistas retiraram a estátua do britânico Edward Colston, no domingo (7), e a jogaram no fundo de um antigo porto de navios negreiros em Bristol, as imagens reacenderam debates sobre monumentos semelhantes na Europa e nos Estados Unidos. Enquanto isso, em Salvador, o porto onde chegou quase um terço dos africanos trazidos ao Brasil, a homenagem a um dos principais traficantes de escravizados continua imperturbável diante de uma praça pública no centro da cidade. Sua biografia ainda é conhecida, praticamente, apenas por historiadores. A estátua do português Joaquim Pereira Marinho, que fica diante do hospital Santa Izabel, no Largo de Nazaré, na capital baiana, é um exemplo de como país ainda lida com a memória da escravidão, de acordo com um grupo de historiadores que decidiu mapear as homenagens do tipo na cidade. "Aqui nós sequer temos ideia dos monumentos a figuras do passado que têm conexões com ...

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