sexta-feira, janeiro 27, 2023
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Vocabulário Afro e a Contribuição Sociolinguistica

por: Djalmira Sá Almeida
Sobre a contribuição Africana no Brasil, Gilberto Freyre ( 1933/2006: 270-272), no terceiro e quarto capítulos de Casa Grande & Senzala, mostra as condições de colonização criadas pelo sistema político de capitanias hereditárias e mantidas pelo econômico, das sesmarias e da grande lavoura-condições francamente feudais, o que acentuaram de superior aos governos e à justiça del-Rei foi o abuso do coito ou homízio pelos grandes proprietários de engenhos; e não pelas catedrais e pelos mosteiros. Segundo Freyre, sobre o colonizador português antecedentes e predisposições,
“(…) No Brasil, a catedral ou a igreja mais poderosa que o própria rei seria substituído pela casa-grande de engenho. Nossa formação social, tanto quanto a portuguesa, fez-se pela solidariedade de ideal ou de fé religiosa, que nos supriu a lassidão de nexo politico ou de mística ou consciência de raça. Mas a igreja que age na formação brasileira, articulando-a, não é a cathedral com o seu bispo a que se vão se queixar os desenganados da justice secular; nem a igreja isolado e só, ou de mosteiro ou abadia, onde se vão acoitar criminosos e prover-se de pão e restos de comidas mendigos e desamparados. É a capela de engenho. Não chega a haver clericalismo no Brasil. Esboçou-se o dos padres da Companhia para esvair-se logo, vencido pelo oligarquismo e pelo nepotismo dos grandes senhores de terras e escravos.”

Assim, a Linguagem, os costumes e comportamentos mesclavam-se sem preocupação de classes sociais ou etnias. Freyre afirma que:
“Os jesuítas sentiram, desde o início, nos senhores de engenho, seus grandes e terríveis rivais. Os outros clérigos e até mesmo frades acomodaram-se, gordos e moles, às funções de capelães, de padres-mestres, de tios-padres, de padrinhos demeninos; à confortável situação de pessoas da família, de gente de casa, de aliados e aderentes do sistema patriarchal, no século XVIII muitos deles morando nas próprias casas –grandes.” (FREYRE, 1933, 2º capítulo, 51ª edição de 2006).

Entre os termos de origem lusitana, moçárabe, indígena e crioulo do periodo colonial perdem-se os vocábulos utilizados pelo negros e mestiços no âmbito das fazendas e aceitos pelos religiosos até o século XIX. Muitos destes termos, hoje, já estão aportuguesados e incorporados ao vocabulário regular do português dos brasileiros, tais como:

Alforria: Operação pela qual um escravizado é inteiramente redimido e tornado igual um indivíduo livre, pela liberação total do seu estado de escravizado.

Ascendência: Geração que precedem a geração de uma pessoa; por exemplo, os pais, avós, bisavós e tataravós de uma pessoa constituem sua ascendência.
Axé: saudação com votos e paz e felicidade
Bafafá: confusão, anarquia (movimento político, ideologia).
Bagunça: desordem, desarrumação (objetos).
Batucada: festa ao som de tambores
Berimbau: do quibomdo mbirimbau instrumento musical de origem Africana, constituído por um arco com extremidades ligadas por um fio de metal, ao qual se prende uma meia-cabaça que serve como caixa de ressonância; instrumento de percursão que acompanha a dança da capoeira; o mesmo que urucungo.
Caçamba: Do quimbundo kisamba, cesto ou caixa grande.
Cacimba: Do quimbundo kixima, poço lugar próprio para tirar água em rio naturais de água potável.
Cachimbo: Do quimbondo Kaximibo aparelho para fumar composto de um fornilho de Madeira em que se põe o fumo e ao qual está adaptado um tubo por onde se respire a fumaça.
Cachaça: aguardente da cana –de –açúcar, pinga.
Cafuné: fricção vagarosa no couro cabeludo de alguém com o fim de acariciar, acalmar.
Cafundó: lugar ermo e distante, local entre montanhas.
Caçula: O mais moço dos filhos ou dos irmãos; do quimbundo kasule, último filho.
Calunga: Comunidade renascente de quilombo em Goiás, do torno multilíguistico banto kalunga, que encerra idéia de grandeza, imensidão, desiguado por Deus, o mar, a morte. Em Pernambuco os escravos denominavam calunga de louça ou de barro.
Cangaço: banditismo social que ocorreu no sertão nordestino de 1870 até 1940; esqueleto, restos.
Capoeira: Jogo atlético afro brasileiro, vem de kapuila, que no imbundo significa, bofetada, espancar sertão o torno é usado como mata fechada.
Caruru: nome comum a várias plantas invasoras de campos cultivados, das quais se consomem as folhas saborosas e nutritivas.
Cativo: Aquele que, tendo sido capturado ainda não foi adquirido por um senhor. O cativo é uma mercadoria que, compadre torna-se “escravo” preio de produção e propriedade.
Cafundó: Comunidade remanescente do quilombo no estado de SP; de língua Dimbundo kA- nfundó lugar afastado e de acesso difícil.
Coco: Dança e canção nordestina de origem banta.
Cango: Do tropônimo kango que deriva do nome do rio africano, vem de kikongo dikongo, quer dizer devida, tributo.
Corcunda: protuberância anormal no dorso ou deformidade da coluna vertebral
Cuica: Instrumento musical em que se pressiona o couro para prolongar o som.
Curinga: carta do baralho que pode substituir e assumer o valor de qualquer outra.
Cangado: Dança dramática de origem do campo- angolano.
Dendê: do quimbondo ndénde, palmeira, fruto do dendenzeiro, oleo do coco dessa palmeira
Dengo: faceirice, requebro, manha, modo afetado de falar.
Escravo: Cativo adquirido para um senhor e que serve como mão de obra gratuita. Da mesma maneira que foi adquirido por meio de compra, pode também ser vendido pelo pretendido dono.
Fuá: fuxico, intriga, conflito, briga.
Fubá: farinha de milho ou de arroz para uso culinário.
Fubana: mulher malvada, menina travessa.
Furdunço: algazarra, gritaria
Fuxico: fofoca, intriga
Gangorra: engenho primitivo de cana-de-açúcar, manual, formado por dois rolos de madeira com esteios verticais; trave apoiada transversalmente sobre outra e que oscila na vertical conforme o peso que sepõe em cada extremidade.

Macaco
: aquele que faz micagens, caretas e imitações.
Malemolença: preguiça, sono.
Mandinga: Bruxaria, feitiço, talismã, do quincago quer dizer voz, maldição.
Maracatu: Dança afro- brasileiro; de origem banta.
Maribondo: Do quimbundo madimbondo, significa vespo.
Mocambo: Cabana, palhaço, refúgio de escravos, na mente; do quincongo mucambu, que significa cumeleiro tenheiro ou telhado de palha.
Encontra- se ainda mocambor no nordeste, fazendas, povoações e vilas com esse nome.
Moleque: Do quimbondo mu’leke, menino, garoto, homem jovem, pessoa sem palavra, rapaz divertido, homem canalha.
Mungunzá: Do quimbondo mu’kunzá, canjica, comida de milho seco cozido.
Quicongo: reinado, império, diretório.
Quimbundo: indivíduo dos quimbondos, povo banto da região de angola, lingua desse povo.
Quilombo: Do quimbondo Kilombo, refúgio,esconderijo, acampamento fortificado de escravos fugidos, geralmente distante da povoação dos broncos ou em locais de difícil acesso.
Quitanda: pequena mercearia, tabuleiro onde se expõe doces à venda.
Quitute: do quimbondo ki’tutu, indigestão, comida refinada, iguaria.
Quiabo: fruto do quiabeiro que constitui uma cápsula alongada com a ponta afilada, comestível enquanto verde.
Samba: dança popular brasileira com forte influência do batuque africano, música que acompanha essa dança, local onde se dança ao som de batuque.
Senzala: Do quimbondo sanzala, alojamento que se destinava à moradia dos escravos das fazendas e engenhos.
Umbanda: Do quimbondo u’mana, forma religiosa brasileira, resultante do sincretismo do candomblé,do espiritismo, do catolicismo e de outros cultos.
Zabumba: espécie de tambor grande, cilíndrico, de madeira e com ambas as extremidades fechadas.
Zumbi: Lider Maximo do quilombo dos palmes (século XVII); a palavra vem da língua bantas e significada espírito, fantasma, que se liga a idéia de imortalidade; parece estar presente no espírito do movimento negro do Brasil.
Fonte: Vocabulário Afro e a Contribuição Sociolinguistica publicado 6/08/2010 por Djalmira Sá Almeida em http://www.webartigos.com

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