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7 frases do papa Francisco que incomodam as mulheres

Este mês, quando o papa Francisco quis dar destaque ao fato de ter nomeado várias mulheres para integrar uma comissão teológica de alto nível, ele descreveu as teólogas como “morangos em cima do bolo”.

Por  no Brasil Post 

Quinze dias antes, ao fazer um discurso perante o Parlamento Europeu, Francisco recorreu a outra analogia envolvendo mulheres. Dessa vez, destacou a crise cultural e o declínio demográfico do continente, comparando a Europa a uma avó “que já deixou de ser fértil e vibrante”.

Sim, o papa é uma verdadeira máquina de cunhar frases. Ele vive lançando metáforas e comparações improvisadas que o público adora, em parte porque vêm da boca de um pontífice católico. O papado não é uma instituição conhecida por improvisar.
Mas, quando fala sobre mulheres, Francisco muitas vezes soa exatamente como o clérigo argentino de quase 78 anos de idade que é, recorrendo a analogias que soam às vezes paternalistas e politicamente incorretas, mesmo que a intenção seja boa.

Ele já falou muitas vezes sobre o “gênio feminino” e sobre a necessidade de que a Igreja desenvolva “uma teologia mais profunda das mulheres”, além de sua determinação de promover mulheres a cargos seniores em Roma. O papa também observa que algumas de suas frases pretendem ser brincadeiras, frutos de um senso de humor que faz parte de seu carisma.
Depois de um discurso em que o papa aconselhou as freiras a não se tornarem “solteironas espirituais”, Melinda Henneberger, do Washington Post, escreveu: “Não vejo como isso não possa ser um insulto a mulheres que já abriram mão de ter família própria para servirem a Deus”.

E, numa coluna publicada no Los Angeles Times esta semana, a estudiosa do Novo Testamento Candida Moss, da Universidade Notre Dame, e Joel Baden, professor de estudos bíblicos na Universidade Yale, tacharam de “nada mais que chauvinismo grosseiro” as alusões a avós feitas por Francisco no Parlamento Europeu.

Para eles, apesar de suas muitas declarações e reformas positivas, o papa “revela uma visão altamente patriarcal” do valor e do papel tradicional das mulheres.

A seguir, sete exemplos do que esses críticos repudiam.

 

“Que seja uma castidade frutífera, uma castidade que gere filhos e filhas na igreja. A mulher consagrada é uma mãe, ela deve ser uma mãe, não uma solteirona. Perdoem-me por falar assim, mas a maternidade da vida consagrada, sua fertilidade, é importante.”
– Discurso a freiras de todo o mundo em 8 de maio de 2013

“É preciso ampliar as oportunidades para uma presença mais forte das mulheres na igreja. Desconfio de uma solução que possa ser reduzida a uma espécie de ‘masculinidade de saia’, porque a mulher é feita de maneira diferente do homem. Mas o que ouço sobre o papel das mulheres com frequência é inspirado por uma ideologia de machismo.”
– Entrevista a publicações jesuítas, setembro de 2013

Pergunta: “Vossa Santidade enxerga um pouco de misoginia no pano de fundo (de suas referências às mulheres principalmente como mães e esposas, em vez de líderes)?”
Resposta: “O fato é que a mulher foi tirada de uma costela.” (O papa solta uma risada.) “Estou brincando, isso foi brincadeira.”
– Entrevista ao jornal Il Messaggero, 29 de junho de 2014

Pergunta: “Podemos esperar algumas decisões históricas de Vossa Santidade, como colocar uma mulher na direção de um departamento do Vaticano?”
Resposta: (Francisco ri novamente) “Bem, os pastores muitas vezes acabam recebendo ordens de suas empregadas!”
– Entrevista ao jornal Il Messaggero, 29 de junho de 2014

“Encontramos em muitas partes uma impressão geral de cansaço e envelhecimento, de uma Europa que hoje é uma ‘avó’, que já deixou de ser fértil e vibrante. O resultado é que as grandes ideias que inspiraram a Europa no passado parecem ter perdido sua atração…”
– Discurso ao Parlamento Europeu, 5 de novembro de 2014

“No contexto da composição cada vez mais diversificada da Comissão, quero chamar a atenção para a presença maior das mulheres – mas ela ainda é insuficiente. Elas são os morangos em cima do bolo, mas queremos mais!”
– Discurso na Comissão Teológica Internacional, 5 de dezembro de 2014

“Quando a igreja não evangeliza, quando a igreja se freia, quando ela se fecha em si mesma, mesmo que seja bem organizada, que tenha um organograma perfeito, que tudo esteja certinho, tudo esteja arrumadinho – falta alegria à igreja, falta paz, e assim ela se torna uma igreja desanimada, ansiosa, triste, uma igreja que mais parece uma solteirona que uma mãe, e essa igreja não funciona, é uma igreja num museu. A alegria da Igreja é dar à luz.”
– Homilia na missa matinal, 9 de dezembro de 2014

 

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