A vida não foi um sopro para Alê Makkeda

História de legado, força e alegria em movimentos sociais marcam a trajetória da ativista Alessandra Ramos

Dizem que a vida é um sopro. Quando o mundo perde pessoas como Alessandra Ramos Makkeda, a sensação que fica é essa mesmo. No entanto, com toda representatividade que carregava consigo, sua vida não passou como detalhe.

Mulher negra com uma longa história de luta no movimento LGBTQIA+, transsexual, intérprete de libras, educadora social, ativista dos Direitos Humanos, Alessandra morreu aos 40 anos após um mal súbito na tarde de ontem (15/05). A informação foi confirmada pela família.

Alê Makkeda foi assessora parlamentar do deputado federal Jean Wyllys e, nos últimos anos, da deputada estadual Dani Monteiro (PSOL).  Conhecida por muitos, ela fundou o Instituto Transformar Shelida Ayana, formado por Mulheres e Homens Trans, Transmasculines e Travestis, que atua no combate à LGBTIfobia.  Sendo referência nacional e internacionalmente em movimentos sociais, a educadora recebeu diversas homenagens nas redes sociais. Amigos, figuras públicas, coletivos e organizações deixaram sua homenagem.

“Infelizmente uma notícia triste da perda de uma de nós no dia em que celebramos nossa luta. Neste 15 de maio sua partida nos entristece e nos alenta o orgulho pela pessoa transvestigenere que ela foi”, escreveu em um post no Instagram a Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (ANTRA). 

“Partiu hoje para o outro plano deixando uma lacuna gigante e um legado de ensinamentos de luta e resistência”, publicou o Fórum Nacional de Travestis e Transsexuais Negras e Negros (FONATRANS), do qual Alê foi uma das fundadoras.

Parlamentares como Dani Monteiro, Tainá de Paula, Renata Souza e Tarcisio Motta também prestaram suas homenagens nas redes sociais. 

“Alessandra Ramos Makkeda, uma mulher extraordinária, de aguçada inteligência, força incrível e transativista importantíssima, nos deixou hoje. Recebemos essa triste notícia há pouco e estamos sem acreditar. Uma grande perda para todas nós. Militante imprescindível, deixa um importantíssimo legado para a luta por um mundo sem racismo e LGBTfobia. Que saudade sentiremos da sua força, do seu sorriso largo e da sua generosidade! Nosso abraço apertado na família. Que dor! Alessandra, hoje e sempre!”

Talíria Petrone, deputada federal no Instagram

Ela foi homenageada, hoje  na audiência pública “Enfrentar a discriminação contra LGBTQIA+ no Rio”, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Na homenagem, os deputados fizeram um balanço das políticas públicas para a população LGBTI+ do estado nas áreas de educação, trabalho, saúde, assistência social, segurança e direitos.

O enterro será amanhã (17/05), às 10h30, no Cemitério Ricardo de Albuquerque, localizado na Estrada Marechal Alencastro, 1743.

+ sobre o tema

Denzel Washington diz que nunca gosta dos roteiros que recebe

Denzel Washington disse que nunca gosta dos roteiros de...

Rihanna vai a funeral em Barbados

Rihanna voltou para a casa, em Barbados, mas o...

para lembrar

Colonização francesa na Argélia foi ‘brutal’, diz Hollande

Presidente francês reconheceu que o país africano foi 'submetido...

Homenagem aos imigrantes africanos e africanas

A habilidade de lidar e conviver com extremo contraste...

África conseguiu reduzir a pobreza

Nova Iorque - A Campanha do Milénio da...

Greve assombra Copa na África

Perueiros protestam contra obra para melhorar o transporte de...
spot_imgspot_img

Livro sobre Luiz Gama o consagra como o maior advogado negro da abolição

Impossível não ficar mexido, ou sair a mesma pessoa, com a mesma consciência dos fatos narrados, depois da leitura de "Luiz Gama Contra o Império",...

O atleta negro brasileiro que enfrentou o nazismo nas Olimpíadas de 1936

A poucos dias da abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, em uma Europa cada vez mais temerosa com a agenda política de forças alinhadas...

Oito em cada dez quilombolas vivem com saneamento básico precário

De cada dez quilombolas no país, praticamente oito vivem em lares com saneamento básico precário ou ausente. São 1,048 milhão de pessoas que moram...
-+=