Admiração e inveja do romance do casal Obama

Fonte: Folha de São Paulo –

O casamento deles é amadurecido -já dura mais de 16 anos. A vida deles é marcada pela correria típica dos tempos modernos: duas filhas em idade escolar, um cachorrinho, a sogra que vive com eles. Ambos trabalham longas horas diárias. É uma receita padrão para um relacionamento em que sobra pouco tempo para a intimidade.

No entanto, em sua agenda lotada, ele reserva diariamente um “tempo para Michelle”. E, no final do mês passado, ele cumpriu uma promessa que tinha feito a ela. Eles embarcaram num avião para Nova York, foram de limusine para jantar e assistir a um show na Broadway e então voaram de volta para casa. Foi uma noite de namoro, só dos dois. Michelle e Barack. E seus seguranças.

Enquanto comentaristas reclamavam do custo não revelado que a noite de namoro presidencial teria representado aos contribuintes, a notícia da noitada romântica levou muitas mulheres americanas a olhar para seus maridos com irritação, tentando se lembrar da última vez em que receberam deles atenção especial.

Cutucados, os maridos se sentiram traídos por seu comandante em chefe. No “Daily Show”, o apresentador Jon Stewart reviu a noite romântica e glamourosa do casal Obama e reclamou: “Como se compete com isso?” Ele avisou Obama: “Pega leve, cara!”.

Mas os especialistas em relacionamento aplaudiram o primeiro-casal por infundir vida à fantasia moderna de que pessoas casadas há muito tempo ainda podem nutrir paixão mútua.

“Os Obama realmente são frutos da cultura atual”, comentou Christine B. Whelan, socióloga da Universidade do Iowa que estuda a família americana. Os Obama exemplificam o que os sociólogos chamam de “casamento individualizado”, disse ela, em que um relacionamento vivo e forte é marcado não apenas pela devoção à família e aos papéis sociais, mas também pelo amor e a atração mútua.

“Nós, como sociedade, queremos imaginar que um marido ainda possa colocar a mão sobre o joelho de sua mulher debaixo da mesa, mesmo depois de 15 anos de casados”, disse Whelan, autora de “Por Que Homens Inteligentes Se Casam Com Mulheres Inteligentes”. “Isso não é necessariamente ruim, mas acrescenta uma pressão adicional.”

A apresentadora do programa de TV “The View”, Joy Behar, cujo casamento chegou ao fim depois de 17 anos, disse que o cronograma diário do presidente cria desafios conjugais singulares. Todos os dias Barack precisa pesar exigências conflitantes, disse ela. “Paquistão ou Michelle? É mais difícil para ele que para o homem comum. Por isso é realmente significativo quando você vê os Obama juntos.”

Alguns maridos apresentam seu argumento próprio, do qual não se desviam: espanto total. Mark Hyman, comentarista de TV conservador, disse que sua primeira reação à noite de namoro dos Obama não foi de inveja, mas de não entender como eles conseguiram. Ele e sua mulher, explicou, mal conseguem dar conta de coordenar as atividades de fim de semana de seus três filhos, que têm sete, dez e 13 anos.

“Às vezes falamos em ir ao cinema juntos, mas quando finalmente concordamos sobre o filme a ver, ele já saiu em DVD”, disse ele. Algumas famílias vêm prestando atenção ao exemplo dos Obama. Eileen O’Connor, advogada de Washington, acha que a mensagem do “sim, podemos”, versão conjugal, está penetrando até mesmo o casamento dela, que já dura 19 anos. Seu marido, John, parece estar entendendo a dica: vem mandando flores a ela todas as semanas.

A maioria dos maridos não tem condições de criar noites de contos de fadas como a de Obama, mas poderia aprender alguma coisa com o exemplo do presidente, disse Arthur Aron, psicólogo social que estuda relacionamentos de longo prazo. Segundo Aron, estudos mostram que “casais que fazem coisas novas, desafiadoras e empolgantes vivem melhor”. Um simples piquenique já surtiria efeito, disse.

Outros casais avisaram que não se deve deduzir demais de algo que pode não ter passado de uma encenação de contentamento conjugal.

“Nunca se sabe como são os casais na realidade”, disse a humorista Rita Rudner, casada há 21 anos. “Antigamente eu sentia inveja de Brad Pitt e Jennifer Aniston.”

Matéria original: Admiração e inveja do romance do casal Obama

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