Africanos “papáveis” na imprensa alemã

Estará o mundo católico preparado para um papa africano? Quem são os papáveis em África? É precisamente sobre estas questões que se debruçaram – ao longo da corrente semana – os comentadores da imprensa de língua alemã.

Depois do pedido de demissão do Papa Bento XVI, na segunda-feira de carnaval, a igreja católica procura um sucessor, escreve o jornal Neue Zürcher Zeitung, editado na cidade suiça de Zurique. E adianta: “Muito se fala dos ‘papabili’, ou seja: dos papáveis. Entre eles contam-se dois cardeais africanos. Recorde-se que Joseph Ratzinger, ou seja o ainda Papa Bento XVI, já em 2004, tinha dito numa entrevista que a igreja está preparada para um Papa do continente africano.”

Quem são os candidatos africanos?

“O favorito é – sem dúvida – o cardeal nigeriano Francis Arinze, que já há oito anos pertencia ao grupo dos papáveis”, adianta o Neue Zürcher Zeitung. “Francis Arinze – no entanto – já atingiu os 81 anos de idade , razão pela qual os observadores também atribuem grandes hipóteses ao ganês Peter Turkson, um cardeal mais jovem – de 64 anos de idade – e bem posicionado na hierarquia da igreja, ocupando atualmente o cargo de Presidente do Conselho para a Justiça e Paz.

Igrejas evangelicais avançam em África

O diário Der Tagespiegel, de Berlim, publica um vasto artigo sobre o alegado “medo” que a igreja católica sente das igrejas evangelicais ou protestantes em ascenção no continente africano. O Der Tagesspiegel explica: “África espera por um Papa saído das suas fileiras, sobretudo desde o conclave de 2005, altura em que  – pela primeira vez – se debatia a possibilidade de um africano ascender ao mais alto cargo da hierarquia da igreja católica. Em termos quantitavos, a importância do continente africano para a igreja católica tem vindo a aumentar. É no continente negro que o cristianismo mais cresce: no ano de 1900 viviam em África apenas 10 milhões de cristãos, entre os cerca de 100 milhões de habitantes. Hoje, cerca de metade dos ao todo 900 milhões de habitantes em África são cristãos. A grande maioria é católica, mas em muitas regiões as igrejas e seitas protestantes estão a ganhar terreno. Isso nem sempre é visto com bons olhos por parte da hierarquia católica. E é precisamente nessa área que um Papa católico poderia ter um papel importante.”

“Bamako não é Cabul

A situação no Mali continua também a fazer correr muita tinta nos jornais alemães. OFrankfurter Allgemeine Zeitung escreve: “As últimas informações independentes disponíveis indicam que o exército francês no Mali está a avançar no terreno, mas está longe de ganhar a guerra definitivamente. Na reunião dos ministros da defesa da União Europeia, que teve lugar quarta-feira em Dublin, a parte francesa salientou que as dificuldades são muitas, sobretudo devido à falta de controlo fronteiriço no norte do Mali. Existe o perigo real dos islamistas continuarem a receber armamento, por via terrestre, através de países vizinhos. A parte francesa quis também deixar claro, que a situação no Mali está longe de poder ser considerada estável. Pacificar o norte do Mali não é coisa fácil, mas – por outro lado – também é certo que Bamako não é Cabul nem Kandahar.”

Super-águias voam mais alto depois da vitória no CAN

Destaque – também – para o futebol na Nigéria, que se sagrou campeã das Nações africanas no CAN realizado na África do Sul. O jornal Die Welt publica um retrato do treinador nigeriano, Stephen Keshi: o artigo intilulado “Nigeria felicita o seu Beckenbauer” reza o seguinte: “Stephen Keshi estava quase a ser despedido, agora tudo mudou. Ele vai receber um chorudo prémio, mas queixa-se da maneira como os treinadores normalmente são tratados no seu país. Recorde-se que em 1994 Stephen Keshi era capitão das “super eagles”, as super-águias, vencendo o último campeonato africano pela Nigéria, mas como jogador. Keshi queixa-se de que só é respeitado quando vence. Mas em futebol, salienta, nem sempre é possivel ganhar. Pelo menos financeiramente Keshi não tem razão de queixa: o multi-milionário nigeriano e magnata dos telemóveis, Aliko Dangote, ofereceu-lhe 200mil dólares. Além disso prometeu passar a pagar o seu salário.”

Autor: António Cascais
Edição: António Rocha

 

 

Fonte: Media Center

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