sexta-feira, dezembro 2, 2022
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Após comprar sapato, servidor negro é acusado de roubo e agredido em shopping

O servidor público federal Paulo Arifa, de 38 anos, registrou um boletim de ocorrência por injúria, calúnia e lesão corporal após ter sido acusado de roubo por funcionários de um shopping em Cuiabá

Fonte: Brasil 247

O servidor público federal Paulo Arifa, de 38 anos, registrou um boletim de ocorrência por injúria, calúnia e lesão corporal após ter sido acusado de roubo por funcionários da Studio Z, uma loja de calçados localizada no Shopping Pantanal, em Cuiabá. A reportagem é do portal UOL.

Paulo, servidor da Secretaria de Patrimônio da União, foi ao shopping na semana passada comprar um sapato e roupas para uma reunião extraordinária, da qual foi informado poucos instantes antes de seu início.

“Estava de chinelo, camiseta e bermuda, porque Cuiabá costuma fazer calor, iria em casa para colocar uma roupa adequada mas, neste momento, me ligaram. Então decidi passar no shopping que fica em frente ao meu trabalho para comprar um sapato e uma calça”, lembra.

Quando chegou no Shopping Pantanal, o servidor foi até a loja da Studio Z, onde comprou um sapato no valor de R$ 79,99. Paulo conta que fez o pagamento em dinheiro e recebeu R$ 20 de troco.

Assim que pagou pelo produto, ele já calçou o sapato e foi em direção a uma loja de roupas, onde comprou uma calça. Paulo também já se vestiu com as roupas novas e saía do provador quando foi abordado por um segurança.

“Escutei a vendedora [da Studio Z] falando ‘ele pegou o sapato’, ainda questionei sobre o que ela estava falando e ela repetiu que eu havia roubado o calçado. Nesse momento o segurança me abordou e pediu a nota fiscal”, conta.

Segundo a reportagem, Paulo lembra que ficou muito nervoso e não conseguiu encontrar o comprovante de pagamento de forma rápida. Ele tentou explicar que pagou pelo sapato em dinheiro e chegou a mostrar os R$ 20 que havia recebido de troco na loja.

“A vendedora continuou me acusando, falando que tinha pegado o troco na loja de roupas, que ela tinha visto. Mas eu tinha feito o pagamento no débito e não em dinheiro. Uma situação humilhante. Neste momento já tinha um grupo de cinco a oito seguranças me cercando”, diz.

O servidor tentou sair da situação, explicando que tinha uma reunião importante, mas ouviu dos seguranças que a Polícia Militar seria acionada e ele precisaria ser encaminhado para a Central de Flagrantes. Paulo conta que a justificativa não adiantou para acalmar os seguranças e continuou cercado por eles, relatando que chegou a ser empurrado.

“Nessa confusão toda, eles me empurraram e eu acabei pisando em falso. Tentei sair dali a todo momento, um deles [dos seguranças] tentou pegar meu celular, que era, na verdade, a única ‘arma’ que tinha para me defender: filmar a situação e as agressões”, conta.

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