quinta-feira, dezembro 8, 2022
InícioEm PautaApós recomendação do MP, Faculdade de Medicina da USP suspende 'Show Medicina'

Após recomendação do MP, Faculdade de Medicina da USP suspende ‘Show Medicina’

Promotoras pediram abertura de sindicância interna na universidade e questionaram concessão de autorização para realização do evento

por Rodrigo Gomes, da RBA

São Paulo – O diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), José Otávio Costa Auler Júnior, determinou a suspensão da realização do 73º Show Medicina, nas dependências da instituição, “até que as recomendações do Ministério Público sejam atendidas”. A decisão atende à recomendação das promotoras Beatriz Helena Budin Fonseca, de Direitos Humanos, e Silvia Chakian de Toledo Santos, da coordenadoria de Violência Contra a Mulher, do Ministério Público paulista, realizada ontem (31), e foi comunicada por meio de nota.

O MP investiga denúncias de trotes violentos, castigos físicos, humilhações e discriminação de gênero praticados por integrantes da Associação Cultural Show Medicina durante a organização e a realização dos eventos anteriores.

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As promotoras pediram a abertura de sindicância interna na FMUSP para apurar os fatos relatados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de São Paulo que investigou denúncias de estupro e violações de direitos humanos na universidade. “Tais fatos não são devidamente apurados e coibidos pela Diretoria da Faculdade”, afirmou a promotora Beatriz.

O documento enviado pelo MP questionava o diretor quanto à concessão de Termo de Autorização de Uso do Teatro e de Anfiteatros da unidade de ensino para que a Associação Cultural Show Medicina realizasse o evento.

“A permissão de uso foi concedida sem qualquer apuração dos fatos constatados no relatório da Alesp e sem a garantia da efetiva modificação da cultura de violência praticada pelo grupo, consistente na prática de violência física, moral e sexual, bem como na imposição da submissão e humilhação àqueles que pretendem integrar a associação. É certo, ainda, que a discriminação de gênero praticada pela associação reforça a violência que vem sendo praticada contra a mulher nas dependências da faculdade”, defendem as promotoras.

O MP também recomendou que a associação realize a seleção de integrantes de forma aberta, com igualdade para participação feminina e que nenhuma atividade seja caracterizada por violência, trotes humilhantes, assédio moral ou sexual.

Segundo a apuração da CPI, para integrar o Show Medicina, os interessados passam por um ritual composto de trotes violentos e humilhantes, “com forte assédio moral, sexual, além de violência física e noitadas com prostitutas nas dependências da universidade”.

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