quinta-feira, maio 19, 2022
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Aristocrata Clube: Uma resposta contra o Racismo em clubes Tradicionais da Época

O clube Aristocrata desfrutou dos “anos de ouro” na década de 60 e 70, por lá passaram grandes nomes do Show Business nacional e internacional como Michel Jackson, ainda criança, quando veio pela primeira vez ao Brasil numa apresentação dos Jackson Five.

por Thais Siqueira Do Dolado de ca

Por Maurício Pestana

O início dos anos de 1960 foi marcado por várias movimentações sociais e políticas no Brasil. Os tais cinquenta anos em cinco, progresso em curtíssimo prazo do mineiro JK (JuscelinoKubistchek), inspiraria uma geração de jovens, muitos dos quais, o golpe de 1964, não interromperiam seus projetos e suas obstinação. Neste ambiente, nascia no centro da cidade de São Paulo o Aristocrata clube, fundado por um grupo de negros.

Com sede de campo nas mediações da represa Guarapiranga, o clube foi um uma resposta num período em que, a presença de negros em clubes tradicionais como Homs, Pinheiros, Paulistano e Tietê era um afronta, como bem lembra o ator Milton Gonçalves que, quando jovem foi impedido de entrar no Clube de Regatas Tietê, local em que se reunia a nata da elite branca paulistana. Negros nesses espaços, somente em dias de jogo de futebol contra os próprios clubes.

Já, a década de 60 e 70 foram “anos de ouro” do Aristocrata. Por lá passaram grandes nomes do Show Business nacional e internacional como Michel Jackson, ainda criança, quando veio pela primeira vez ao Brasil numa apresentação dos Jackson Five. No cenário político, também do Aristocrata, emergiram para a vida pública, políticos como Adalberto Camargo eleito quatro vezes deputado federal, Theodosina Ribeiro, primeira deputada estadual negra de São Paulo, entre outros.

Não diferente de muitas agremiações de sua época, as últimas décadas trouxeram decadência para o aristocrata que, teve ainda sua sede de campo ocupada por moradores sem teto, sofreu também com a queda de associados e, a não renovação de seu quadro diretório quase o levou a fechar as portas.

Numa reviravolta histórica, o grupo de já senhorzinhos, com muito mais de 50 anos, negociou o terreno ocupado com a prefeitura de São Paulo, sanaram as dívida do clube e compraram uma nova sede, recém-inaugurada. Um exemplo para os mais jovens do poder da resiliência de negros que não se abateram pelo racismo e nem pelo tempo.

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