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Arundhati Roy: ‘tragédia indiana é que sistema de castas tornou a injustiça algo sagrado’

Arundhati Roy: ‘tragédia indiana é que sistema de castas tornou a injustiça algo sagrado’

Vencedora do prêmio Booker Man em 1997 por ‘O deus das pequenas coisas’, escritora diz que senso de justiça guia sua vida e sua obra e comenta luta de mulheres em seu país: ‘na Índia, vivemos em vários séculos simultaneamente’

Por Saba Naqvi, do Opera Mundi 

Arundhati Roy é a escritora premiada de uma obra de ficção considerada uma das melhores nos últimos tempos. Qualquer um que tenha lido O deus das pequenas coisas também veria ali as raízes de seus artigos políticos que vieram depois. Os trabalhos se complementam e fazem de Roy uma voz poderosa não somente na Índia, mas em todo o mundo.

Ela também investe no que acredita. Em 1998, doou 1,5 milhão de rúpias [cerca de 80 mil reais], valor do prêmio Man Booker por O deus das pequenas coisas, para o movimento social Narmada Bachao Andolan, que se opõe à construção de hidrelétricas no rio Narmada, na Índia. Em 2002, a Fundação Lannan deu-lhe um prêmio de 16,7 milhões de rúpias [cerca de 880 mil reais] por “seus precisos e poderosos escritos, destacando seu comprometimento com a justiça social, econômica e ambiental”. Ela doou o valor do prêmio em solidariedade a 50 movimentos populares, publicações, institutos de ensino, grupos de teatro e indivíduos na Índia. E conforme seus trabalhos publicados continuam a render royalties, ela continua compartilhando sua boa fortuna com movimentos sociais e pessoas em seu país.

Roy, portanto, abarca um universo maior do que o da maioria dos escritores. Leia a seguir a entrevista em que ela fala sobre o que a formou, o que a move e o que a faz escrever.

Você é uma escritora, mas você fez algumas afirmações e intervenções fortes sobre questões e movimentos de direitos humanos. Como você vê sua evolução a partir da perspectiva de gênero?

Antes de tudo, devo dizer que não acredito que haja apenas dois gêneros. Vejo o gênero como um espectro, e estou em algum lugar neste espectro. De acordo com uma pessoa amiga minha e queer, a minha evolução no espectro de gêneros tem sido de “heterossexual” para “qwicked” [junção dequeer e “wicked”, perverso].

Em segundo lugar, não me vejo como alguém que vê o mundo através de lentes como “direitos” e “questões”. É uma forma muito estreita e rasa para um escritor ver o mundo. Se você me perguntar o que está no âmago do que escrevo, não é “direitos”, é justiça. A justiça é uma ideia grande, linda, revolucionária. Com o que a justiça deve se parecer? Se desagregarmos as coisas em “questões”, então elas serão apenas “questões”, áreas problemáticas em um cenário que, sem elas, poderia ser aceitável. Claro, não há nenhuma sociedade no mundo que seja justa ou perfeita, mas não podemos deixar de lutar pela justiça.

Hoje, parece que estamos correndo na direção oposta, lutando pela injustiça, aplaudindo-a como se fosse um sonho digno, um objetivo, uma aspiração; e a terrível tragédia indiana é que o sistema de castas institucionalizou a injustiça, tornou-a algo sagrado. Então somos programados a aceitar hierarquias e injustiças. Não é que outras sociedades sejam justas. Outras sociedades passaram por guerras e genocídios numa escala absurda. Estou apenas falando da imaginação da nossa sociedade. O que se pode fazer, como protestamos contra isso? Muitos de nós fazemos o que podemos, sabendo que, ainda que ninguém estiver ouvindo, ainda que nunca ganhemos, apesar de querermos muito, preferimos cair a fazer parte dessa marcha vitoriosa que é, na verdade, uma marcha da morte.

Ao meditar sobre isso, é possível entender por que as mulheres têm estado na frente de tantas lutas contemporâneas?

Por que as mulheres estão envolvidas? Porque, falando genericamente, elas estão sendo atacadas de ambos os lados, tanto da tradição quanto desta nova “modernidade” orientada para o mercado. Eu mesma cresci em Kerala, sonhando escapar de uma vida de “tradição”, mas então me deparei com um tipo de modernidade da qual eu também queria fugir. Então é preciso escolher dentre tudo isso e encontrar seu próprio caminho. Neste país temos pessoas que praticam o infanticídio feminino, o feticídio feminino, nos quais milhões de meninas são mortas — e não apenas nas comunidades rurais tradicionais —, temos assassinatos de honra baseados em casta, e, ao mesmo tempo, temos as mulheres mais livres, mais fortes, mais vibrantes de todo o mundo, as mulheres mais independentes e radicais, pensadoras autônomas que estão nas linhas de frente das lutas — na Índia, vivemos em vários séculos simultaneamente.

O ataque a todo tipo de sustento e subsistência, o ataque à terra, tudo isso afeta fundamentalmente as mulheres. Temos o movimento Narmada, que diz respeito ao deslocamento e à destruição de toda uma civilização de um vale, centenas de milhares de pessoas; às mulheres que trabalham juntas e têm propriedade conjunta de terrenos, as mulheres adivasi — e não estou dizendo que a sociedade adivasi é um modelo ideal de virtudes feministas — mas havia uma ideia na qual as mulheres eram coproprietárias, a terra também era delas. Deslocar toda uma população de mulheres e dar somente a compensação em dinheiro aos homens que em semanas terão gastado tudo em bebida e motocicletas; arrancar e lançar as mulheres nesse oceano de uma modernidade aterrorizante, na qual todas estão no mercado como força de trabalho informal ou para serem exploradas de outras formas; isso não é sempre visto como um problema feminista, apesar de ser. O grupo Krantikari Adivasi Mahila Sangathan de 90 mil membros em Bastar [no centro-leste da Índia], que luta contra o deslocamento, não é visto como uma organização feminista. Mas elas estão lutando, e como! No vale Narmada, são as mulheres que têm levado para frente o combate. E, no processo da luta, elas mudam, fortalecem-se.

Quando fui para Bastar, quando escrevi “Walking with Comrades” [“Andando com camaradas”, em tradução livre], fiquei pasma em ver que metade dos guerrilheiros armados eram mulheres. Conversei muito com elas sobre por que tomaram aquela decisão. Claro, muitas testemunharam os horrores de Salwa Judum [milícia pró-governo] e das forças paramilitares — os estupros, as vilas queimadas, e por aí vai. Mas muitas também viram nisso um escape ao machismo e à violência dos homens da sua própria sociedade. E, claro, depararam-se com machismo e violência também dentro do “partido”. Houve um momento quando todas descemos para nos banharmos no rio, eu e as mulheres camaradas. Algumas delas ficaram de vigia, enquanto o restante de nós nadávamos e tomávamos banho. Rio acima, algumas mulheres fazendeiras também banhavam-se. E pensei: “Olhe para todas que estão na água! Olhe para as mulheres nesta água corrente”. Como era incrível.

Então, para responder à sua pergunta, acho que há uma explicação bem lógica de por que as mulheres estão à frente dos movimentos. E há algo muito especial nas mulheres que conseguem fazer isso, numa sociedade cheia de violência contra elas. E não é apenas as poucas mulheres extraordinárias, cujos nomes todos conhecemos, são muitas mulheres, não só as urbanas e sofisticadas, e estão lá não como esposa ou mãe ou viúva ou irmã de alguém. Elas são elas. Elas são magníficas.

Quais são as influências na sua própria vida que lhe fazem ser quem você é?

Minha mãe selvagem e incomum, para começar, eu acho, de formas maravilhosas e também brutas [Mary Roy é uma conhecida ativista pelos direitos das mulheres e dos pobres na Índia]. Ela consegue me reduzir a um barco naufragado e instável em menos de alguns segundos. Talvez você devesse entrevistá-la, e não a mim. Ela vem de uma família cristã síria que não era nem um pouco rica. Daí ela casou fora da comunidade, com um bengalês, divorciou-se em alguns anos e voltou para o vilarejo em Kerala para viver com sua mãe. Ela, e nós, fomos totalmente desprezadas por esta comunidade extremamente ligada às castas, aos títulos, à riqueza e às terras. Agora, claro, ela é celebrada. Mas, naquela época, muitas vezes ela descontou sua raiva em mim e em meu irmão. Nós entendemos, mas isso tornou as coisas bem mais difíceis.

Tenho uma relação complicada com minha mãe; saí de casa quando tinha 17 anos e voltei só muitos anos depois. Para muitas pessoas, a família é retratada como um lugar razoavelmente seguro, mas qualquer um que tenha lido O deus das pequenas coisas sabe que, para mim, era um lugar de perigo. Eu me sentia humilhada naquele lugar. Eu queria sair de lá assim que possível. Eu cresci num vilarejo onde tudo acontecia. Era um lugar onde grandes religiões coexistiam: hinduísmo, cristianismo, islamismo, marxismo — nós acreditávamos que a revolução estava vindo. Tudo era bandeiras vermelhas e “Inquilab Zindabad!” [“Vida longa à revolução” em hindi]. E, ainda assim, era tão provinciano e sempre havia a casta.

Eu me lembro de tentar entender tudo desde muito pequena. Ficou muito claro para mim que eu não era uma cristã síria “pura” e nunca seria parte dessa grande sociedade. E assim cresci desesperada em escapar de lá, não havia nenhum grande romance no vilarejo para mim, não havia desejo de encaixar-me na comunidade ou na família, e a comunidade e a família não desejavam que eu me encaixasse. Eu não conhecia o meu pai, tinha visto algumas fotos, só isso. Só cheguei a vê-lo bem mais tarde, quando tinha 20 e poucos anos, então nunca tive aquela figura masculina na minha vida que iria cuidar de mim ou proteger-me. Emocionalmente, era um lugar estranho e inseguro para crescer. Com todo o sofrimento no mundo e pelo que as crianças passam, não posso reivindicar que tive uma infância trágica. Mas foi uma infância pensativa, ter de pensar sobre as coisas mais ou menos sozinha. Como escritora não posso exercer a voz raivosa, clara e crua da vítima “pura” da opressão, se de fato existir tal coisa. Eu meio que me sento em meu vantajoso ponto de vista um tanto desconfortável e angulado para escrever a partir daí.

Você já escreveu sobre o movimento Narmada, os conflitos na Caxemira, os maoístas, e o capitalismo. Acabamos de ter a execução de uma pena de morte por enforcamento aqui na Índia e você escreveu uma vez um texto muito forte argumentando a favor da inocência de Afzal Guru [sentenciado à morte e enforcado em 2013 por participação em ataque terrorista ao Parlamento indiano em dezembro de 2001].

Quando O deus das pequenas coisas ganhou o prêmio Booker, fui jogada junto com as Misses Mundo como uma manifestação da Índia triunfante, recentemente globalizada e do mercado livre desfilando com confiança no palco do mundo. Eu estava sendo usada de certa forma, e tudo bem. Mas, pouco depois disso, o Partido do Povo Indiano (BJP, na sigla local) chegou ao poder e imediatamente realizou os testes nucleares, recebendo grandes e vulgares aplausos dos lugares mais inesperados.

Eu estava horrorizada. Eu era uma figura tão pública na época que silenciar era como endossar os testes, era tão político quanto a crítica. E então escrevi “The End of Imagination” [“O fim da imaginação”, em tradução livre] (2010). Fui imediatamente expulsa do pedestal, do pedestal da rainha-das-fadas-miss Índia-escritora-premiada. Iniciou-se saraivada silenciosa de ódio e abuso. Acredito que aqueles testes nucleares mudaram o tom do discurso público. Ele se tornou mais feio, mais estridentemente nacionalista e continuou assim. Mas enquanto eu era destruída por um tipo de pessoa, fui abraçada por outro. E isso me fez iniciar uma viagem que ainda está acontecendo. Pouco depois dos testes nucleares, o Supremo Tribunal suspendeu seu posicionamento defendido há muito tempo sobre a construção da barragem Sardar Sarovar. Viajei para o vale Narmada e escrevi “The Greater Common Good” [“O grande bem maior”, em tradução livre] (1998).

Cada viagem, cada artigo que escrevi aprofundou o meu entendimento. O ataque ao Parlamento, até mesmo quando aconteceu, parecia totalmente falso para mim. Naquela época, fui presa por desacato à corte. Afsan Guru, uma das acusadas do ataque ao Parlamento, também estava lá. Estava grávida, de olhos arregalados, chorando e sem nenhuma ideia de por que estava presa. As outras prisioneiras tratavam-na como uma grande traidora. Tentei conversar com ela. Disse: “Eu vou sair logo, o que posso fazer por você?”. Ela me olhou sem expressão e disse: “Você pode conseguir uma toalha para mim? Eu não tenho toalha.” Ela foi absolvida alguns anos depois, mas a vida dela foi arruinada.

Ninguém mais fala sobre ela. Depois daquilo, acompanhei o caso atentamente. Quando Afzal sentenciado à morte, recolhi todos os documentos judiciais do caso e fui para Goa sozinha com uma mala cheia de papéis. Era época de monção, poucas pessoas estavam lá, fiquei sentada numa cabana e li tudo. Fiquei chocada. Então escrevi “And His Life Should Become Extinct” [“E a vida dele deve ser extinta”] (2006) sobre como as provas haviam sido forjadas, como nenhum processo foi seguido, como Afzal nunca havia tido um advogado para representá-lo. O Supremo Tribunal afirmou que as confissões extraídas dele quando estava sob custódia da polícia eram inadmissíveis enquanto prova, mas a mídia usou vários vídeos das várias “confissões” extraídas dele pelo batalhão especial da polícia de Deli.

Eles podiam escolher a dedo que confissão mostrar. Decidir qual lhes servia melhor. A mídia mostrou-as sete anos depois, quando ele ainda estava vivo, e enquanto o vídeo passava, mensagens de texto dos espectadores passavam na parte inferior da tela dizendo: “Pendurem-no pelas bolas em praça pública”, e por aí vai. Era tanta bestialidade. Se morássemos numa louca república das bananas, seria aceitável, mas fingimos ser outra coisa. Lembro as cartas que a revista Outlook, onde o artigo foi publicado, recebia dizendo coisas como “poupem Afzal Guru, mas enforquem Arundhati Roy”. Apesar de tudo, o governo — o governo congressista — enforcou-o, sabendo plenamente que ele era inocente. Foi uma jogada política, eles estavam tentando cair nas graças da multidão que bradava por sangue, pescando votos, foi uma coisa terrível e covarde de se fazer. Eles deveriam se envergonhar… Nem devolveram o corpo à família. Você vê, coisas como essas não são “questões”. A barbaridade realizada em Caxemira pelo governo indiano não é uma “questão”, é vida em si. E, se estamos preparados a digerir isso enquanto sociedade, nós nos corroemos. Amaldiçoamos a nós mesmos.

Escrevi sobre dois vales, o vale Narmada e a Caxemira, e às vezes me pergunto por que a busca feroz por justiça em um vale não deixou tempo para entender, ou não deixou sua marca no outro. Em outras palavras, no vale de Narmada existe uma compreensão tão sofisticada das questões ambientais, do que uma barragem faz, da economia local, do Banco Mundial, do massacre da pobreza, mas há pouca compreensão sobre o sofrimento das pessoas na Caxemira. E na Caxemira há uma compreensão tão sofisticada sobre o que significa viver sob ocupação militar, mas muito pouco do que uma grande barragem é e faz, muito pouco sobre como políticas neoliberais trituram pessoas. Estou mencionando apenas o fio da justiça que segui… Este não é necessariamente o fio seguido por todas as pessoas, mas é certamente o meu. Junto, tudo isso resulta no que o escritor britânico John Berger chama de “Modos de ver”. Literatura é isso, poesia é isso. É o que deveria ser.

O que mais te preocupa na Índia de hoje?

O que estamos vivendo hoje é algo que tinha que acontecer a certa altura, dada a história da RSS [Rashtriya Swayamsevak Sangh ou “Organização Voluntária Patriótica Nacional”, grupo de extrema-direita indiano]. Como superaremos isso estabelecerá do que realmente somos feitos. Hoje, há um assalto vicioso e comunitário a todas as instituições; o Judiciário, as instituições de ensino. As universidades estão sendo desmanteladas enquanto lugares de aprendizagem, pessoas estúpidas estão sendo nomeadas como professores, os currículos estão sendo esvaziados de erudição e substituídos por ração para idiotas. Tudo está sendo transformado para este ponto de vista fascista. Não é apenas sobre partidos políticos e poder. Há uma merda tectônica acontecendo. Um assalto a todas as almas, à imaginação deste país. É sério. Preciso dizer que me sinto encorajada com algumas reações. As pessoas estão se levantando em todos os lugares, veja os estudantes do Instituto de Cinema e Televisão da Índia (FTII), maravilhoso. O ataque contra o qual nos levantamos é amplo, profundo e perigoso, mas a euforia ao redor do governo [do primeiro-ministro Narendra] Modi evaporou bem rápido, muito antes de todas as expectativas. Receio que quando se tornarem desesperados, se tornarão perigosos. Preocupo-me com a falsa bandeira de ataques “terroristas” e uma guerra com o Paquistão, uma guerra nuclear. Este é o tipo de estupidez suicida de que alguns desses maníacos em ambos os lados da fronteira, tanto no governo quanto na mídia, são capazes.

Você é uma escritora internacionalmente aclamada, mas não parece querer fazer parte de uma comunidade de escritores; você não vai a festivais literários apesar de ser parte de uma comunidade de pessoas que podem ser chamadas de ativistas.

Não tenho certeza se há uma comunidade de escritores aqui na Índia. Olha, não sou purista. Tudo o que posso fazer é dizer o que penso. As pessoas precisam ir aos festivais, e às vezes eles são patrocinados por corporações da mineração e fundações contra as quais já escrevi. Mas não estou sugerindo que sou mais pura do que eles. Não sou. Fico desconfortável, então não vou. Mas o mundo é um lugar difícil de sobreviver, as pessoas precisam fazer coisas que não querem fazer. Eu tenho o privilégio de fazer uma escolha. Então escolho. Nem todos têm escolha.

Já sobre o termo “ativista”, eu não sei quando ele foi cunhado. Chamar alguém como eu de escritora-ativista sugere que não faz parte do trabalho do escritor escrever sobre a sociedade em que ele vive. Mas era o nosso trabalho. É algo peculiar, é o que os escritores faziam até serem abraçados pelo mercado, escreviam na contramão, patrulhavam as fronteiras, moldavam os debates sobre como a sociedade deveria pensar. Eram pessoas perigosas. Agora, nos dizem para ir a festivais, entrar na lista de mais vendidos e, se possível, tentar ter uma boa aparência.

 

Tradução: Jessica Grant

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