Barack Obama – Reeleição está atrelada à economia

Luciana Antonello Xavier

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve terminar seu atual mandato sem a aura de salvador da pátria que o elegeu em 2008, e por isso mesmo precisará de mais fôlego para conseguir se reeleger em novembro de 2012. Sua eventual vitória ou derrota depende muito de como andará a economia americana nos próximos meses, e é justamente o desempenho fraco da economia que deve usado contra Obama por quem quer que venha a ser o candidato republicano escolhido durante a corrida eleitoral. “Creio que irá depender da queda do desemprego. Se isso não ocorrer, a economia pode ser o maior vento contrário à reeleição”, acredita Mohamed El-Erian, chefe-executivo do maior fundo de bônus do mundo, a Pacific Investment Management Company (Pimco), em entrevista à Agência Estado.

A reeleição de Obama também dependerá de quantos obstáculos levantados pelos republicanos no Congresso ele terá que saltar pra chegar como vencedor na reta final. Após várias derrotas, Obama conseguiu uma vitória importante às vésperas do Natal, no último dia 23. A aprovação da prorrogação do corte de impostos sobre a folha de pagamento e do pagamento de benefícios aos desempregados por mais dois meses veio como um presente de Natal para o presidente. O benefício venceria no próximo dia 31 de dezembro, e a prorrogação só foi possível porque os republicanos, após terem rejeitado a proposta dias antes na Câmara de Representantes, resolveram ceder desta vez.

Mesmo assim, Obama está longe da popularidade que tinha quando assumiu a Casa Branca. O índice de aprovação de seu trabalho está em declínio, segundo pesquisa Gallup. Dados referentes à semana encerrada em 23 de dezembro mostram que a aprovação à administração Obama teve ligeira alta de 42% para 43%, enquanto o nível de desaprovação caiu dos 50% mantidos há várias semanas para 48%. Ainda assim, o nível de aprovação de Obama está bem abaixo do pico de alta, de 69%, registrados em janeiro de 2009, e bem perto do pior resultado, de 38%, em outubro de 2011.

Os maiores reveses para Obama se concentraram no segundo semestre deste ano. Seu governo sofreu um golpe doloroso quando a agência Standard & Poor’s retirou a cobiçada – e aparentemente intocável – nota de crédito AAA do país. A S&P rebaixou o rating dos EUA de AAA para AA+, com perspectiva negativa, em agosto deste ano, após semanas de intensa queda-de-braço entre governo e Congresso para elevar o teto do endividamento do setor público Após muito debate e impasse entre democratas e republicanos, o teto da dívida do governo foi elevado em cerca de US$ 2,4 trilhões, para US$ 14,3 trilhões, mediante contrapartida de um corte de pelo menos US$ 2,1 trilhões no déficit do Orçamento dos EUA nos próximos dez anos.

Como se não bastasse o fato de a proposta ter ficado bem abaixo dos US$ 4 trilhões de cortes que Obama havia proposto inicialmente, a negociação para implementação desses cortes impôs uma nova derrota à Casa Branca. Em novembro, o supercomitê bipartidário do Congresso fracassou em entregar um plano para redução de US$ 1,2 trilhão em gastos do Orçamento ao longo da próxima década.

O fato é que Obama herdou mais do que um elefante branco quando assumiu a Casa Branca, em 2009. O legado deixado por seu antecessor republicano, George W. Bush, foi uma economia mergulhada num caos após a grave crise financeira de 2008, um país endividado e em recessão, com duas guerras para administrar (Afeganistão e Iraque) a um custo de vários bilhões de dólares por ano. O mercado de trabalho, que ainda opera com uma taxa de desemprego acima de 8%, perdeu 820 mil empregos – o maior nível de toda crise – no mesmo mês em que Obama assumiu o governo.

Muitos pacotes fiscais depois, a economia dos EUA está melhor, mas não oferece uma boa plataforma de reeleição para Obama. Apesar do Ato para Recuperação e Reinvestimento, de 2009, e outras medidas para estimular a economia, a taxa de desemprego de 8,6% registrada em novembro ainda é muito superior à mínima registrada no ano de sua eleição, de 4,8%, em fevereiro de 2008.

Obama está, em larga medida, nas mãos dos indicadores econômicos O mercado de trabalho tem de continuar mostrando um número crescente de criação de vagas, a taxa de desemprego seguir recuando e o mercado imobiliário, origem da crise de 2008, ainda mostrar finalmente alguma força. “Embora esperemos expansão contínua da economia nos próximos trimestres, o ritmo em geral da recuperação deve pesar no sentimento do eleitor em relação ao presidente. A taxa de desemprego deve ficar acima de 8% até as eleições”, prevê o economista para os EUA do Barclays Capital, Peter Newland.

Uma recuperação mais rápida do que o esperado pode assegurar a reeleição de Obama, qualquer que seja o republicano na disputa pela Casa Branca. Por outro lado, uma melhora muito lenta ou mesmo a piora da economia deverá ser sua derrota. A batalha entre o que deve ser cortado no Orçamento deve continuar, mas mesmo sem um plano os cortes começarão automaticamente em 2013.

Republicanos buscam candidato

Nova York (AE) – A batalha dos republicanos pela nomeação, no início de 2012, ao posto de candidato oficial do partido na disputa pela presidência dos Estados Unidos deve se acirrar daqui para frente. Nenhum candidato, no entanto, parece ter o carisma do atual presidente americano, Barack Obama, e muitos pecam por posições homofóbicas, racistas, antissemitas ou xenófobas, extrapolando posições conservadoras em busca de mais eleitores. O fato é que agora nem Obama e nem os “genéricos” republicanos parecem apetecer aos americanos. Segundo pesquisa Gallup de 21 de dezembro de 2011, mais americanos avaliam que não há nenhum candidato bom para ser o próximo presidente em relação às eleições anteriores. O levantamento mostrou que 48% disseram que há um bom candidato, contra 46% que acham que não há. Em janeiro de 2008, ano em que Obama se elegeu, 84% dos entrevistados achavam que havia um bom candidato a presidente e apenas 11% diziam que não havia.

Por enquanto, essa briga pelo posto de candidato republicano à Casa Branca está mais acirrada entre o ex-líder da Câmara de Representantes, Newt Gingrich, e o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney. Gingrich, apesar de estar na frente entre os republicanos após uma subida meteórica no início de dezembro, já não está mais tão longe do segundo candidato. Ele chegou a ter até 15 pontos porcentuais de vantagem sobre Romney no início de dezembro, mas a pesquisa Gallup de 21 de dezembro mostrava apenas cinco pontos porcentuais de dianteira para Gingrich.

Segundo o levantamento, Gingrich tem 27% da preferência dos eleitores e Romney, 21%. Em terceiro, Ron Paul aparece com 12% da preferência dos entrevistados para ser o candidato republicano em 2012. Entre os demais candidatos, Rick Perry tinha 7%, Michele Bachmann, 6%, Rick Santorum 4% e Jon Huntsman 1%.

Mitt Romney, de 64 anos, de Massachusetts, parece ser o candidato que mais preocupa Obama. Além da carreira política, Romney é um bem-sucedido homem de negócios, o que pode contar a seu favor quando o assunto é recuperar a economia americana. Ele também é menos polêmico do que a maior parte dos demais concorrentes.

Newt Gingrich, 68 anos, surpreendeu a todos com sua escalada meteórica no início de dezembro. Seu histórico político e pessoal deixam a desejar. No passado, nos anos 90, enfrentou várias acusações de que teria ferido as leis de ética no Congresso. Casou-se três vezes e teve casos extraconjugais, admitidos por ele anos depois.

O texano Ron Paul, 76 anos, tem uma carreira política sólida de 20 anos de experiência no Congresso. É tido como libertário e chamado de “padrinho intelectual do Tea Party”. Mas há os que preferem se lembrar dele também por suas teorias de conspiração contra os EUA, racismo contra negros e judeus e preconceito contra gays, manifestados em publicações e newsletters assinadas por ele nos ano 90.

Rick Perry, de 61 anos, é governador do Texas, como também foram Ron Paul e o ex-presidente George W. Bush. É o governador que está há mais tempo no poder, tendo assumido no lugar de Bush, em 2000. Gosta de apregoar que criou número recorde de empregos no seu estado e deve usar isso em seus discursos sobre como levantar a economia americana caso venha a ser o oponente de Obama.

Michelle Bachmann, de 55 anos, se elegeu pela primeira vez a uma posição na Câmara de Representantes pelo estado de Minnesota em 2006 e ganhou notoriedade por suas opiniões ultra conservadoras.

Rick Santorum, de 53 anos, ex-senador pela Pensilvânia, foi eleito em 1990, aos 32 anos, a uma cadeira na Câmara dos Representantes, se reelegeu em 2000 e perdeu a vaga em 2006. É um nome menos conhecido entre os candidatos.

Jon Huntsman, de 51 anos, carismático ex-governador de Utah, também foi embaixador na China no governo Obama, o que pode contar pontos contra ele entre os republicanos.

O carismático e popular Herman Cain, que poderia vir a ser um adversário de Obama em 2012, deixou o páreo em dezembro em meio a um escândalo, sob acusações de assédio sexual e de manter um relacionamento extraconjugal por 13 anos.

 

 

Fonte: Agência Estado

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