Barry Jenkins relembra caso de racismo que sofreu durante a divulgação de Moonlight

O próximo filme de Barry Jenkins, If Beale Street Could Talk, estreou no Toronto International Film Festival na noite de domingo (9). Durante uma sessão de perguntas e respostas após a exibição, Jenkins relembrou quando um motorista racista o chamou de nigger (crioulo/nego).

Por Ana Reis Do Papel Pop

Foto: Reprodução/papel pop

De acordo com Vulture, alguém na multidão perguntou ao diretor se havia um momento durante a produção de seu novo filme, em que tudo fez sentido para ele. Ele respondeu com uma afirmação positiva e apontou uma cena em que o personagem de Brian Tyree Henry sai da prisão por um crime que não cometeu e, enquanto conversa com seu amigo, fala sobre como a polícia o incriminou por um roubo de carro sendo que ele nem sabe dirigir e o modo como os homens brancos tratam os homens negros na prisão. “Senti profundamente que este filme, embora tenha sido ambientado em 1973/74, seria relevante hoje”, disse ele.

Para sustentar seu ponto, ele contou uma história pessoal sobre o racismo que experimentou ao promover Moonlight. Ele estava deixando o Governor Awards para a festa da Academia uma noite e esperando por seu carro. Como era difícil entrar e sair do hotel onde tava acontecendo o evento, seu motorista foi forçado a circular. De acordo com a revista, Jenkins continuou:

“Eu saio e um manobrista [que estava lá] fica chocado. Eu digo: ‘O que está acontecendo?’ Ele diz: ‘Ah, você não deveria entrar no carro com aquele cara’. Eu fico tipo ‘Por quê?’ Ele responde: “Ah, porque quando eu estava aqui antes, ele parecia todo agitado, e eu perguntei a ele ‘O que há de errado?’. Ele disse que ‘Ah, você sabe, nada, eu só estou sentado aqui esperando para pegar esse crioulo.’ E então ele sorriu e disse: ‘Ah, e ele provavelmente será indicado para Melhor Diretor’”

Jenkins disse que, se um incidente racista como esse pode acontecer com ele, enquanto vestindo um terno de US$ 5.000, isso pode acontecer com qualquer um. “Então, quando chegamos a essa cena [de racismo em If Beale Street Could Talk] eu estava tipo, isso é foda. É isso. Tudo o que estamos fazendo. Sim”, ele diz, concluindo com: “Temos que contar essas malditas histórias”.

+ sobre o tema

Protocolo negro

Quem é negro costuma cumprir um protocolo ao colocar...

Cidinha da Silva e as urgências de Cronos em “Tecnologias Ancestrais de Produção de Infinitos”

Em outra oportunidade, dissemos que Cidinha da Silva é, assim...

Fiocruz alerta para aumento da taxa de suicídio entre criança e jovem

A taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% por...

para lembrar

Carta de repúdio ao racismo praticado na formatura de História e Geografia da PUC

Durante a tradicional cerimônia de formatura da PUC, onde...

Sociologia e o mundo das leis: racismo, desigualdades e violência

Foi com muita satisfação que recebi o convite do Justificando para...

PARANÁ: Caso de racismo leva treinador a pedir demissão no estadual

  O treinador Agenor Picinin pediu demissão do...

Ele perguntou se eu preferia maçã, conta vítima de racismo em Confins

Preso em flagrante por injúria racial, advogado terá que...
spot_imgspot_img

Quanto custa a dignidade humana de vítimas em casos de racismo?

Quanto custa a dignidade de uma pessoa? E se essa pessoa for uma mulher jovem? E se for uma mulher idosa com 85 anos...

Unicamp abre grupo de trabalho para criar serviço de acolher e tratar sobre denúncias de racismo

A Unicamp abriu um grupo de trabalho que será responsável por criar um serviço para acolher e fazer tratativas institucionais sobre denúncias de racismo. A equipe...

Peraí, meu rei! Antirracismo também tem limite.

Vídeos de um comediante branco que fortalecem o desvalor humano e o achincalhamento da dignidade de pessoas historicamente discriminadas, violentadas e mortas, foram suspensos...
-+=