Bastidores

Nainfância, a maioria das crianças quer comandar. Ser o piloto do avião, o motorista do trator, o dono da bola, a primeira bailarina, o primeiro violino. Protagonizar soa tão natural quanto o molhado da água. Mas infância é chuva de verão. Verdade que, efêmera nos anos, é eterna na memória e na imaginação. 1, 2, 3 viramos adultos. Daí constatamos que a maior parte dos ofícios, serviços, contribuições está por trás dos panos, nos bastidores. No fundo do palco e nas laterais, uma legião dedicada irá garantir a reflexão e o entretenimento da plateia.

Por Fernanda Pompeu Do Yahoo

Quem primeiro morre nas guerras? Os soldados e os civis. Generais, governantes, embaixadores costumam se safar. Eles aparecem justificando carnificinas embaixo da luz dos refletores. Nos tempos de paz, a lógica é parecida. Muita gente conhece as biografias de Balzac, Joyce, Amado, Lispector. Mas, excetuando familiares e amigos, o público pouco ou nada sabe dos gráficos, revisores, livreiros que garantiram que Ilusões Perdidas, Ulisses, Dona Flor, A Hora da Estrela chegassem ao nosso deleite.

Conte o exército de trabalhadores em volta do Lolapalooza, Rock in Rio e semelhantes. Pessoal da luz, da maquiagem, da limpeza, da segurança. Mais motoristas, manobristas, carregadores. Recuando na história, quanto da riqueza do café passou nas mãos das lavradoras, nas costas dos estivadores. Mas escritores preferem biografar os barões do café. Do mesmo jeito que a mídia narra o dia a dia de celebridades e desliga as máquinas para a vida dos comuns.

Donas de casa sabem tudo do trabalho nos bastidores. Não exatamente as de agora. Mas as da geração da minha mãe, por exemplo. Papai, com vinte e poucos anos, queria mudar o mundo. Para isso saía do emprego direto para o sindicato. Enquanto isso mamãe, com vinte e poucos anos, cuidava da casa, dos cinco filhos e dele também. Papai comandava a banda, mamãe afinava os instrumentos. Outro dia perguntei se ela sentia mágoa do passado. Ela respondeu que gostaria que as tarefas domésticas tivessem sido divididas. Mas ressaltou que criar os filhos, com intensidade e constância, foi uma grande obra.

Por fim, há os operários da construção civil. Essa gente que põe um tijolo sobre outro, move pedras, cimenta pisos, ergue telhados, constrói paredes separando o privado do público. Ah, também abre janelas para que eu e você possamos enxergar a vida no palco.

Imagem: Régine Ferrandis

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