quarta-feira, setembro 16, 2020

    Tag: Fernanda Pompeu

    Foto: João Godinho

    Fátima Oliveira dos 1000 Legados

    Temos trabalho e prazer para muitas gerações Por Fernanda Pompeu em seu blog  Foto: João Godinho Em 2005, tive a honra e o prazer de entrevistar a médica Fátima Oliveira (1953-2017). Fiz seu perfil para o Projeto Mil Mulheres pela Paz. Ele foi publicado no libro Brasileiras Guerreiras da Paz. Fátima Oliveira dos 1000 fazeres reservou um tempinho para me mostrar a Pampulha em Belo Horizonte: Não dá para vir a Belô e não conhecer a Pampulha, ela me disse. Também me levou no Mercado Municipal e me orientou na compra de um vidro de pimenta. Fátima se foi precocemente no 5 de novembro de 2017. Deixou 1000 legados: para a saúde da população negra, para o feminismo, para o pensamento de esquerda, para a pesquisa médica e também para a literatura. Antenada, era uma ativista no Twitter e mantinha um blog Tá lubrinando – escritos da Chapada do Arapari. Leia a seguir: Município de Graça Aranha, Maranhão, 1961. A menina ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    A vida é raçuda

    Alvorada Acordar cedo é fonte de sofrimento para Celina Macunis. Toda vez que é obrigada a sair da cama antes das 10, vivencia a espantosa sensação de ter apenas metade do cérebro. Mais ou menos assim: um olho espia, o outro se fecha. Um ouvido escuta, o outro ensurdece. Uma mão trabalha, a outra adormece. Por Fernanda Pompeu em seu blog Mas nesta manhã, Celina acordou antes das 9h. Muito feliz. É o seu dia D – não tão famoso quanto o Dia D que marcou o desembarque dos aliados na Normandia, em 1944, iniciando a derrota do exército de Hitler. Mas para sua pessoinha é um dia tão histórico quanto. Hoje, ela deixará a coxia em direção ao palco. Se a sorte estiver ao seu lado, poderá divorciar-se do anonimato para casar com o reconhecimento. À noite, ela irá estrear como atriz principal. Celina vai emprestar corpo, postura, voz, emoção para ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Luiza Bairros (1953-2016)

    Morreu no 12 de julho 2016 a grande Luiza Bairros. Ela foi de tudo: ativista, professora, ministra. Gaúcha e baiana. O texto que segue foi resultado de um passeio por Salvador ao seu lado. Publicado na revista Vozes e Faces da Articulação para o Combate ao Racismo Institucional (CRI), em 2007. Por Fernanda Pompeu em seu blog   Quando o avião se aproxima de Salvador, os pelos da alma arrepiam. Primeiro, o Atlântico enfeitado com barcos de pesca. Depois, a Baía de Todos os Santos ornada com esplendor e, por fim, as dunas. Em terra firme, e navegando nas tantas águas, encontra-se a maior população negra por metro quadrado do país. O aeroporto de Salvador chama-se Deputado Luís Eduardo Magalhães, em referência póstuma ao filho de um dos mais poderosos políticos do Brasil, Antônio Carlos Magalhães (ACM), também falecido. O aeroporto já se chamou 2 de Julho, em justíssima homenagem a uma das mais importantes rebeliões em ...

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    Chuvas de amor

    Lembro que na juventude amar se parecia a devorar. Tinha a ver com seduzir a alma e degustar a carne. Uma mistura de intelecto e quadris. Dançar sob luzes estroboscópicas e sair para incendiar lençóis. A gente pode chamar esse negócio de amor-paixão. Ver-se refletido no outro. Respirar e existir para o outro. Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu Digo juventude, mas é claro que o amor-paixão pode sorrir para qualquer idade. Tem casal velhinho apaixonado, mesmo sem luz piscante e sexo da hora. Assim como existe mocinho com coração resistente como madeira de lei. A idade das pessoas pouco tem a ver com os sentimentos. Estes não dão bola para a cronologia dos calendários. Mas o que quero nesta tarde de outono paulistano é falar do amor microscópico – o que não se exibe, o que não escreve poemas e nem toca no iPhone. O amor da viúva oitentona beijando ...

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    Vira-virou

    Papai – que mora numa nuvem faz quase 4 anos – foi meu mentor intelectual e fez minha cabeça para que eu cursasse a faculdade de Jornalismo. Estávamos no final dos anos 1970 com o Brasil sob a ditadura militar. Foto: Lucíola Pompeu Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu Meu pai sempre foi um subversivo e os jornalistas eram então fundamentais para afrouxar o garrote da censura e informar a população. Escolher ser jornalista pressupunha ter consciência política e desejar a democracia. Daí, rachei de estudar e entrei na Escola de Comunicações e Artes da USP. Logo no primeiro ano, achei as matérias do curso caretas demais. Tinha até Estatística – disciplina que inspirou a piada: Há três tipos de mentira: as grandes, as pequenas e as estatísticas. Ao final do segundo semestre, me encantei com a turma do curso de Cinema. Eles me pareciam, então, mais soltos, ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Kabengele Munanga, professor

    O 13 de Maio, data da assinatura da Lei Áurea, faz 129 anos, mas o racismo continua insistente e recorrente no Brasil. Para nos iluminarmos um pouco, tirei da gaveta uma entrevista realizada em 2006. Apesar da passagem do tempo, sua essência segue atual. Foto: Reprodução/fernandapompeu.com.br Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu O antropólogo Kabengele Munanga, nasceu no Congo, no ano de 1942. Ganhador de uma bolsa de estudos em 1975, veio ao Brasil fazer seu doutorado na Universidade de São Paulo – USP. Terminada a defesa, voltou ao seu país. Mas a periclitante situação política o obrigou a deixar a terra natal definitivamente. Foi assim que, no ano de 1978, o Brasil ganhou um sofisticado intelectual e a comunidade acadêmica um pesquisador das questões da população negra. Dono de uma gentileza e de um sorriso encantadores, Kabengele Munanga discorre abaixo sobre democracia racial, branqueamento, negritude e sistema ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Amelinha Teles vermelha e lilás

    Faz exatos 53 anos, o Brasil engatinhou ditadura. Essa época entrou para a história como Golpe Militar de 1964. Por mais de duas décadas, o mando da República esteve à força não de projetos e contraditórios, mas de repressão, censura, opacidade, medo. Milhões de brasileiros tiveram suas vidas marcadas a partir do Golpe, bem próximas a mim, meu pai e minha mãe. Escolhi postar a história de uma dessas pessoas, a de Amelinha Teles – ativista política e feminista conhecida internacionalmente Por Fernanda Pompeu em seu blog Foto: Reprodução/fernandapompeu.com.br Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, é uma cidadã brasileira absolutamente convicta de que só alcançaremos justiça se as injustiças forem denunciadas. Ela acredita que se as pessoas se esconderem e se esquivarem – nada se transformará. Filha do seu Jofre, estivador no Porto de Santos e mais tarde ferroviário em Belo Horizonte, ela e a ...

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    Toca em frente

    Mais um cadáver esquisito heterodoxo. Marilda Carvalho começou o texto, eu continuei. Assim vamos nós em releitura surrealista Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu Marilda Carvalho Aeroportos me deixam nervosa. Na falta de um adjetivo melhor para esse estado de excitação onde a liberdade do voo próximo e o poder partir alegram e ativam a cabeça. Imagino que não é assim para os que têm que deixar um país em situações nefastas. Um dia deixaram a janela do passarinho aberta e ele fugiu. Situações criadas pela TV sempre aberta do aeroporto me enervam. A idiotice difundida pelo cenário da senhora enxuta de fala mole entre amarelos e azuis não me seduz, me irrita. É o cânone matutino de instrução em massa cheiroso e doce, doce, doce, docemente hostil. Tentaram dar uma ração com mel pro passarinho e ele recusou. Passarinho tinha vivido fora já e seus olhos ainda ardiam. Se esse cheiro ...

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    Emoção e técnica

    Ainda acredito que a técnica – conjunto de procedimentos para a boa realização de algo – é atributo providencial em qualquer profissão. No meu caso, me esforço estoicamente para observar e praticar o melhor arranjo das palavras em cada frase. Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu De forma semelhante, uma pintora tem que conhecer a anatomia das linhas e a gramática das cores. O que distingue uma cozinheira boa de uma cozinheira comum é principalmente o repertório de técnicas que a primeira detém e põe nas suas panelas e frigideiras. Mas houve um tempo em que pensei que a técnica era tudo. O pulo do gato, o salto para o sucesso, a excelência. Fosse para que página eu olhasse, imaginava jogos de palavras. Procurava adjetivos inusitados para modificar substantivos: mar amarelo, céu finito, estrada líquida, dor alegre. Cheguei a construir um romance (assim o chamei) com formalismo exacerbado. Nele, expus palavras desconhecidas ...

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    Reeditar-se é prazer incomensurável

    Na esfera Gutenberg – cujo reinado soma mais de 500 anos – um autor só tem a possibilidade de corrigir, suprimir, acrescentar palavras e frases no seu texto quando das chamadas reedições. O que é raridade, pois a imensa maioria dos livros físicos, no mundo inteiro, ficam na primeira edição. Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu Mas – tchan, tchan, tchan – chegaram as plataformas digitais e com elas a maravilhosa possibilidade de trabalhar com rascunhos infinitos. Corrigir erros de ortografia, trocar palavras, mudar semânticas se tornaram tão fáceis quanto descascar uma banana. O provérbio: Escreveu, não leu, o pau comeu se tornou tão anacrônico quanto as fichas telefônicas. Acontece muito comigo. Compartilho um post do meu site nas redes sociais, e vem uma mensagem amiga avisando algum erro: Você escreveu pousar, mas no caso o correto é posar. Ou então: Se a personagem do conto se chama Ana, por que ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Mãe Stella de Oxóssi

    Todo mundo tem o seu orixá, até o Papa Por Fernanda Pompeu em seu blog Foto: Reprodução/fernandapompeu.com.br Bem que tentaram, por séculos a fio, aniquilar a religiosidade africana. Durante a escravidão, o catolicismo dos brancos foi um morde e assopra. Depois de suplícios e chibatadas, eram distribuídos terços e sermões. Mesmo após a Abolição, e na maior parte do século 20, o candomblé foi continuamente perseguido. Desqualificado, era chamado de seita ou de idolatria. Discriminado, era caso de polícia. Para soar os atabaques só com permissão do delegado. Mas esse esforço de etnocídio em nada resultou. Os terreiros de candomblé entram no terceiro milênio vivíssimos. Sendo que alguns deles são verdadeiras escolas de cidadania, onde se praticam a iniciação ao mundo dos orixás e a educação para a vida. Tal exemplo de resistência e de transformação se deve principalmente às ialorixás – mães-de-santo –, responsáveis pela governança ...

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    O que tenho a ver com os modernistas

    Perfil e frente de Anita Malfatti Eu sei. Você talvez tenha se fartado de ler sobre os modernistas de 1922. Boa parte do jornalismo vive de efemérides, e a Semana de Arte Moderna sempre dá pauta. Ocorre que algumas das personagens, ligadas direta ou indiretamente à Semana, seguem vivas no que eu faço e, provavelmente, no que você faz. Por Fernanda Pompeu em seu blog Por exemplo, toda vez que a gente escreve curto, ou somos irreverentes com a semântica e a sintaxe, tem a ver com Oswald de Andrade (1890-1954). O bruxo-mor do modernismo escreveu o bem-humorado e bem pensado Manifesto Antropófago. Nele, a providencial advertência: A alegria é a prova dos nove. Toda vez que levamos a sério a pesquisa da arte popular, ou nos apaixonamos pelo café de São Paulo e o leite de Minas Gerais, ou somos generosos com jovens e velhos poetas, estamos evocando Mário de ...

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    Um mundo de passado

    Os jovens costumam se referir aos velhos como os contadores de histórias. Eles, os jovens, têm razão. A maioria de nós – passadinhos dos 60 – não perdemos a oportunidade de aproveitar o presente para assaltar o baú de lembranças. Muitas vezes não vem só uma história, mas um cardume delas. Por Fernanda Pompeu em seu Blog  Aconteceu comigo, mês passado, ao cruzar a Ipiranga com a São Luís. Estava na companhia adorável do meu sobrinho Caio. Ele que está com seus trinta e poucos tem mais familiaridade com a Avenida Paulista e suas cercanias. Foi uma festa mostrar o Edifício Itália, o Copam, a Escola Caetano de Campos, inaugurada em 1894 (hoje sede da Secretaria de Estado da Educação). Mais do que mostrar foi bom contar. Não tudo. Uma coisa ou outra. Por exemplo, eu fugindo da cavalaria da PM em 1977. Era uma passeata de estudantes. Lembro que morrendo ...

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    O sexo faz a diferença

    Durante bons anos, na saída do estacionamento do Aeroporto Internacional de Guarulhos – São Paulo, ao pôr o ticket de pagamento na máquina, você ouvia uma gravação com inequívoca voz feminina dizendo: Obrigado, volte sempre. Soava estranho, pois mulher deve dizer obrigada. Quem fala obrigado é o homem. Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu É certo que, nesse caso, a voz feminina agradece em nome do Aeroporto (palavra masculina). Mas havia o ruído de gênero. Ruídos dificultam a comunicação, perturbam o ouvinte, comprometem a compreensão exata da mensagem. Portanto, devemos evitá-los ao máximo. Por exemplo, o aeroporto agradece… Quando o assunto é agradecer, o idioma português difere: Do francês, no qual mulheres e homens dizem merci. Do inglês, no qual ambos falam thank you. Do espanhol, no qual todos respondem gracias. Do italiano, no qual contraltos e tenores dizem grazie. Do alemão, no qual meninas e meninos agradecem com danke. Entre ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    De apertos e sinhazinhas

    Ainda bem menina descobri que as roupas e a vida dos meninos eram mais divertidas do que a minha. Nos domingos, eles pulavam da cama e numa velocidade incrível ganhavam as ruas da Tijuca para brincar. Comigo era diferente. Sempre saía depois deles, pois havia mais panos para cobrir o corpo e o maldito cabelo para pentear. Por Fernanda Pompeu em seu blog  Mamãe pegava a escova e começava a operação Desembaraçamento. Pôr em ordem os fios rebeldes. No caso da minha cabeça, todos. Um estado de insurreição ampla e irrestrita. Doía muito. Mas mamãe recitava o versinho: Sinhazinha está tão bela, pois então aguente mais. Pois então se estou tão bela, por favor aperte mais. Eu ficava doida. Porque não queria ser sinhazinha e muito menos sentir dor. É claro que os meninos também sentiam dor, mas em geral acontecia quando eles se machucavam. Quando caíam da bicicleta ou brincando ...

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    Mulheres com cabelos brancos

    Minha mãe nasceu em 1933. O Brasil tinha menos de 40 milhões de habitantes. O presidente da República era Getúlio Vargas. Alguns anos depois estouraria a Segunda Guerra – que deixou mais de 50 milhões de mortos. Os bondes ainda trilhavam e os automóveis eram para os ricos. Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu Antes de completar 30 anos, mamãe tingiu seus cabelos. Na década de 1960, brasileiras com fios de cabelo branco era indicador de mau gosto e desleixo. Então ela – que sempre foi muito inteligente – fez a pintura preventiva. Pois melhor extirpar o mau antes que apareça. O fato é que lembro da mãe loira, caju, ruiva. Também recordo de suas melenas pintadas de preto. Eu nasci em 1955. O Brasil tinha mais de 60 milhões de habitantes. Juscelino Kubitschek – o JK – seria eleito presidente da República. A Segunda Guerra havia acabado 10 anos ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Tempos Brutos

    Desde garotinho preferiu o não ao sim, a tentativa à certeza. Esse temperamento não correspondia às fantasias dos pais e professores. Ele era uma ave rara no meio de um rebanho rotineiro. De avós a netos, todos haviam encarado a vida como uma biblioteca de tramas já escritas. Na qual bastava estender a mão, colher um volume e viajar para conflitos e resoluções alheios. Ranulfo pensava diferente. Acreditava que, para além de acompanhar histórias já contadas, poderia ele mesmo escrever a sua. Pensando assim, chegou à juventude e, junto, ao teatro. Por Fernanda Pompeu em seu blog Depois do expediente nos Correios, Telégrafos e Telefones de Portugal – onde entediava-se em lançar, num caderno largo de capa dura e preta, débitos e créditos -, Ranulfo rumava para o Café Confraria fundado 50 anos antes de seu nascimento. Pedia uma bica e punha-se a trabalhar. Escrevia para o teatro e também para ...

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    Pequenas felicidades

    Para quase todos, chega uma época em que os lençóis não se incendiam mais, em que os espelhos perdem sua generosidade. É quando nos tornamos matematicamente pessoas com o tempo passado mais extenso do que os possíveis anos futuros. Por Fernanda Pompeu em seu blog  Foto: Lucíola Pompeu É mais ou menos nesse degrau de vida que passamos a prestar atenção nas pequenas felicidades. Aquelas que nos abraçam mansas e despretensiosas. Elas nem batem à porta, vão entrando com a intimidade das sandálias velhas. Se comparássemos a um gênero musical, a pequena felicidade seria mais bossa nova do que samba. Mais música de câmara do que sinfonia. Também seria mais igrejinha de bairro do que catedral. Mais lojinha de esquina do que lojona de shopping. De alguma maneira, penso que precisamos envelhecer para notar e valorizar o detalhe, a meia palavra, a atmosfera. Talvez isso ocorra porque ...

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    Nossas excelências

    Acho que eu estava perto dos 50, quando começaram a me chamar de senhora. Acontecia principalmente com gente muito jovem. A atendente da padaria Pioneira, por exemplo, A senhora quer seu pão na chapa? Eu ficava meio chateada e pensava: Quando será que perdi a prerrogativa do você? Mas os anos voaram mais rápidos do que o Super-Homem.   Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu Hoje todo mundo me chama de senhora. Gente dos 5 aos 96. Então não me importo mais. Até quando me perguntam Quem quer falar? Repondo Dona Fernanda. Assumi o senhora e o dona. Mais ainda, aceito idosa, terceira idade, velha, vale-refeição, vale-transporte, assento e filas preferenciais. Porque tanto faz. São apenas palavras que nos denominam quando temos muito mais passado do que futuro. Não que eu acredite que os nomes sejam inocentes. Ah, isso não! Boa parte da língua portuguesa poderia ir para a operação ...

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    Fuga do carnaval

    O plano era redondo. Escrever sobre o carnaval e publicar em pleno carnaval. Oportuno e conectado com o momento. Comecei a pesquisa e veio o desânimo. Não pela falta, sim pelo excesso de informações. Por Fernanda Pompeu em seu blog  Mas segui na luta e fiquei sabendo que na origem o carnaval se chamava entrudo. Festa trazida pelos colonizadores que ao bater na nossa terra se dividiu entre as versões familiar e popular. Dá para imaginar que a primeira era comportada, já a segunda flertava com a irreverência e o ritmo africano. O entrudo popular foi abraçado, transformado, condimentado pelos escravos. Antecipando os versos de João da Baiana, popularizada na voz de Martinho da Vila, Batuque na cozinha / Sinhá não quer / Por causa do batuque / Eu queimei meu pé. Continuei a investigação. Nadei nas águas foliãs dos cordões, ranchos, blocos, corsos, escolas de samba. Também nos bem ...

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