sexta-feira, agosto 14, 2020

    Tag: Fernanda Pompeu

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    Versos da madrugada

    Pedro Paulo está remoendo uma dor que o azucrina: o fim do seu segundo casamento. Pelo seu ponto de vista, ele continua o mesmo homem de seis meses atrás, quando juntou com ela corpos e louças para lavar. Por Fernanda Pompeu Do Fernan da Pompeu Ele desconfia que as mulheres são maldosas. Com a primeira ex, tudo ia na santa ordem, até a noite em que ela gritou: Pra mim chega, Pedro Paulo! Pega sua vida e dá o fora! O pobre se mandou levando o notebook e os livros. Deixou os móveis e o bebê. Pedro Paulo tem a sensação de que sempre foi perseguido. Na infância, pela mãe que o queria limpinho, comportado, gordinho. Depois pelo pai, coronel da Aeronáutica, cujo pavor eram dois: que o filho virasse comunista ou veado. O rapaz se viu obrigado a jogar futebol, ler O Globo, competir no judô e exibir namoradas. Foi ...

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    Palavra seca

    O salão fervia de gente encalorada a ouvir frases de 2000 anos: Bem-aventurados os famintos porque serão saciados. Lá essa esperança era com eles, experimentadores da fome desde a barriga das mamães. Havia, entre muitos, quem tinha degustado a cal das paredes e a terra dos quintais. Em Grotão de Dentro, a única fartura é o sol. Já nasce ardente. A pino frita até minérios. Ao se pôr, todavia estorrica. Para se reunirem no salão, nesse domingo de Ramos, as pessoas com solas de pé agrestes caminharam, horas, sobre um chão gretado. Sem uma única árvore a franquear sombra, sem nenhum arroio a dadivar água. Por Fernanda Pompeu em seu blog  Apesar das sendas torcidas sem vento nem brisa, no dia do Senhor e dos santos: mulheres, homens, crianças, velhos e velhas afluem ao salão. São recebidos pelo diácono Marcus. Mais do que olhar os paramentos, melhor do que cheirar os ...

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    Saias educadas

    Por séculos predominou no mundo a concepção de que as mulheres eram intelectualmente inferiores aos homens. Portanto, de nada adiantaria oferecer-lhes educação. Não foi diferente no Brasil colonial. Por Fernanda Pompeu em seu blog  Embora haja registros de algumas iniciativas dos jesuítas em prol da educação rudimentar das meninas índias, a verdade é que foram os colégios para meninos que proliferaram. Neles eram ministradas noções de latim, retórica e aritmética. Nas raras escolas para meninas – geralmente ligadas a conventos – os ensinamentos consistiam nos trabalhos de agulha, ou seja, costura e bordado. Também eram ensinadas boas maneiras, como sentar-se com as pernas fechadas, não olhar o interlocutor diretamente nos olhos, manter-se a maior parte do tempo de bico calado e aprender muita reza. A ideia de manter as meninas na ignorância das letras e números é irmã gêmea da orientação de não alfabetizar as crianças escravas, pois mulher que sabe ...

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    Moradas em Sampa

    Ninguém mora em São Paulo. Pois existem cerca de 65 mil logradouros na cidade (entre ruas, avenidas, praças, viadutos). No máximo mora-se numa região. Ou até mesmo em um bairro. Tem gente que nasce e morre na Mooca. Eu não nasci em Sampa. Tinha 15 anos quando minha família veio do Rio para cá. Meu primeiro bairro paulistano foi os Campos Elísios, na região do Centro. Era um lugar curioso, abrigava enormes casarões, entre eles, o antigo Palácio do Governo, na avenida Rio Branco. Quando chegamos – primeiro na rua Conselheiro Nébias, depois na Ribeiro da Silva –  o bairro, antes chique, vivia serena decadência. Muitos dos casarões estavam abandonados e postos à venda. Outros, abrigavam cortiços. Então era um bairro pátina, a cor da memória. Por Fernanda Pompeu em seu blog Casa da Sagarana. Arte da Tereza Meirelles Ao sair da casa de mamãe e papai, o endereço foi o ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Mãe Beata de Iemanjá – Por Fernanda Pompeu

    No 20 de janeiro de 2017, Mãe Beata completou 86 anos. Muita estrada e infinitas paisagens, por suposto. O perfil que segue foi escrito em 2008. Por Fernanda Pompeu em seu blog Foto: Reprodução/fernandapompeu.com.br Ao receber o Prêmio Bertha Lutz-2007, Mãe Beata ofereceu-o à trabalhadora doméstica Angélica Teodoro, presa por furtar um pote de 200 gramas de manteiga em um supermercado. Valor da mercadoria: R$ 3,10. A moça de 18 anos, sem antecedentes criminais, alegou que o filho pequeno estava passando fome. Foi recolhida a uma cadeia de São Paulo. O sentimento de indignação frente às injustiças deve ter nascido com Beatriz Moreira Costa, nome de certidão de nascimento da Mãe Beata de Iemanjá. Eu tinha oito anos, quando vi meu pai puxar um chicote para bater na minha mãe. Não tive dúvida agarrei o machado que ficava atrás da porta. Enfrentei meu pai. Falei que, ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Vale quanto menos pesa

    Em bom português substantivo é ouro. Adjetivo, bijuteria Fonte: Fernanda Pompeu Adjetivo é que nem colesterol. Há o bom e o ruim. Adjetivo e colesterol precisam ser mantidos sob controle.  No caso do adjetivo, trata-se de observar a sua função. Adjetivo bom é aquele que especifica o substantivo, tornando-o mais específico: Necessito de professores preparados. Responda ao teste com lápis preto. É melhor usarmos uma mesa redonda. Texto sucinto comunica melhor do que o prolixo Nesses exemplos, os adjetivos funcionam para delimitar: não basta ser professor, é preciso estar preparado. É vedado responder ao teste com lápis colorido ou caneta. Não serve mesa quadrada. Sucinto exclui o prolixo. No dia a dia a falta de adjetivação causa contratempos. Se eu na papelaria peço papel sem adjetivar, o vendedor não saberá como me atender. Pois o papel pode ser couché ou couché opaco, branco ou amarelo, fino ou grosso. Já adjetivo ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    A gente não lê pra subir na vida. A gente lê porque é vida.

    Para Bel Santos Mayer, formadora de leitores Fonte: Fernanda Pompeu Digital Por que ser um leitor? Se for de poesia, para enxergar estrelas ao meio-dia. Se for de prosa, para visitar a experiência dos outros. De biografias, para conhecer fatos e fotos. De autoajuda, para ter um empurrãozinho. De notícias, para ter assuntos. De crônicas, para ouvir um lero ao pé do ouvido. Aquilo que se lê importa muito pouco. O que interessa é a leitura. Conheço gente que só lê ciências sociais, outros que se amarram em histórias fantásticas. Existem aqueles que passam a vida lendo a bíblia, decorando salmos e parábolas. Ou os que são leitores de culinária – seja afegã, colombiana, francesa. Tem leitor que adora o cheirinho dos livros e as cócegas das páginas nos seus dedos. Outra legião carrega sua biblioteca no Kindle e congêneres. Existe o cara que só lê deitado, a moça que ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Fracassos vitoriosos

    Todo fracasso é doloroso. Fracassar põe em marcha o motor da baixa autoestima. Provoca a constatação: Não fui capaz de alcançar meu objetivo. Errei em algum momento do processo, comprometendo o resultado esperado por mim. Ou pelos outros. Fonte: Fernanda Pompeu Digital por, Fernanda Pompeu A gente entende que fracassar é verbo forte e incômodo de conjugar – apesar de gramaticalmente ser um verbo regular. No melhor dos mundos, mereceríamos a vitória como recompensa aos nossos esforços e dedicação. Mas na vida real os fracassos fazem parte do currículo profissional e pessoal, mesmo que a gente os esconda na gaveta, no esquecimento, ou debaixo de uma pedra pesada em um terreno distante e baldio. Afinal, a narrativa de insucessos não encoraja ninguém. Mas à medida que amadurecemos – delicioso eufemismo para substituir à medida que envelhecemos – os fracassos vão formando uma lista, ou pilha indisfarçável a reclamar alguma reflexão. ...

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    Papo de manos

    – Aí, o que vai rolar hoje à noite? Por Fernanda Pompeu enviado para o portal Geledés – A pérola do Beethoven, regida por uma maestra americana. – A Marin Alsop? – Exatamente. Vai ser a Nona Sinfonia. – Puxa, sempre essa. Mas é tão bom que vale ouvir 1000 vezes. – Assino embaixo. A Nona é como a Bachiana n.5 do Villa, vicia. – E pensar que quando éramos crianças adorávamos os dodecafônicos. – Bons tempos! Você não tirava o foninho do Arnold Schöenberg. – E você não largava o Anton Webern. – Mas aí a gente vai crescendo, né? – Roda-roda e o ouvido sente falta da graciosa harmonia.

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    Luiza Bairros (Foto: Valter Campanato/ABr)

    Assim falou Luiza Bairros

    Nascida em 1953, a gaúcha de Porto Alegre Luiza Helena de Bairros – que nos deixou em julho de 2016 – adotou Salvador para viver e trabalhar. Nessa cidade – na cafeteria do Ibis Hotel, na rua Fonte do Boi, no bairro Rio Vermelho – eu tive o privilégio de entrevistá-la para uma publicação coordenada pela física e feminista Vera Soares. Aconteceu no ano da graça de 2006. Por ocasião dessa entrevista, Luiza era coordenadora  do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI). Mais tarde, de 2011 a 2014, ela seria ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) no governo Dilma Rousself. Filha de uma dona de casa e de um militar, Luiza teve a educação como o grande objetivo de sua vida. Tudo o que família pudesse fazer para investir na minha educação e na do meu irmão, fazia. Aluna de escola pública, começou a ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Culpas ultrassecretas

    O livro Lugar Nenhuma de Lucas Figueiredo relata o (pouco) que foi feito pelos governos democráticos pós-ditadura para evitar que as Forças Armadas escondam os documentos que revelam seus crimes Por Fernanda Pompeu Do Fernanda Pompeu Neste 2016 comemora-se trinta e um anos da volta da democracia ao Brasil. Mas a história de mais de duas décadas de ditadura, iniciada com o golpe de 1964, ainda não foi completamente passada a limpo. Isto é verdade, particularmente, com os chamados documentos secretos da repressão. De todos os atores, as Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – são as que seguem firmes no pacto do silêncio. Insistem no teatro do ninguém sabe, ninguém viu. Essa fuga de responsabilidades fere a memória histórica recente do País. Porém não só. O ocultamento de provas que registram investidas contra adversários do regime militar condena familiares das vítimas a continuado e insolúvel sofrimento. Impedir que circunstâncias ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Estrelas & Miojo

    O facebook tem algumas postagens recorrentes, candidatas a virais. Em uma delas lemos:Toda vez que uma criança come miojo, uma estrelinha morre. Sei que macarrões instantâneos vêm com aquele pozinho mais suspeito do que olhar de cachorro para picanha na brasa. O miojo é ruim mesmo. Mas daí a matar uma estrelinha há montanhas de exagero. Por Fernanda Pompeu enviado para o Portal Geledés Nas redes sociais e nas ruas há muitas afirmações com pretensão de verdade absoluta. Quando nenhuma pedra é só pedra, nem a água é só água. Tem pedra falsa, tem pedra mole, tem pedra de rim. Água suja, água misturada com areia, água de joelho. Os extremos sempre flertam com as mentiras. Eles gostam de hipnotizar para nos enganar e ganhar. No mundo lúdico temos o exemplo dos dois bois em Parintins, Amazônia. O vermelhoGarantido e o azul Caprichoso. São rivais no bumbódromo e no imaginário. Os adeptos de ...

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    Esqueço não

    Janaína de Almeida Teles, nascida em 1967, tem pedigree político. É filha de Amelinha e César Teles – dois ativistas pelos direitos humanos de longa viagem. Sobrinha da Criméia de Almeida, sobrevivente da Guerrilha do Araguaia. Irmã de Edson Teles, estudioso do período militar. Prima de João Carlos Grabois, o Joca, nascido na prisão. Historiadora e pesquisadora com livros publicados, Janaína dedica-se a procurar restos mortais dos desaparecidos políticos e a reconstituir possíveis últimos momentos de luta e de vida dos mortos e desaparecidos. Valente, ela e sua família denunciaram à justiça o torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Podemos defini-la, também, como um misto de ativista e estudiosa da memória pública. Por Fernanda Pompeu em seu blog  No ano de 1972 você tinha cinco anos e seu irmão quatro. Após prenderem seus pais, policiais levaram vocês dois para o DOI-CODI (um dos mais temíveis órgãos de tortura da ditadura ...

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    Luiza Bairros (Foto: Valter Campanato/ABr)

    Luiza Bairros (1953-2016) Por Fernanda Pompeu

    Morreu hoje, 12 de julho 2016, a grande Luiza Bairros. Ela foi de tudo: ativista, professora, ministra. Gaúcha e baiana. O texto que segue foi resultado de um passeio por Salvador ao seu lado. Publicado na revista Vozes e Faces da Articulação para o Combate aos Racismo Institucional (CRI), em 2007. Quando o avião se aproxima de Salvador, os pelos da alma arrepiam. Primeiro, o Atlântico enfeitado com barcos de pesca. Depois, a Baía de Todos os Santos ornada com esplendor e, por fim, as dunas. Em terra firme, e navegando nas tantas águas, encontra-se a maior população negra por metro quadrado do país. O aeroporto de Salvador chama-se Deputado Luís Eduardo Magalhães, em referência póstuma ao filho de um dos mais poderosos políticos do Brasil, Antônio Carlos Magalhães (ACM), também falecido. O aeroporto já se chamou 2 de Julho, em justíssima homenagem a uma das mais importantes rebeliões em prol da independência do Brasil. Embora a ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Cauby, Cauby!

    A cena é tão boa que dispensa roteirista. Mamãe grávida do meu irmão, Júlio, entusiasmada com a presença de Cauby Peixoto (1931-2016) em Niterói. Aliás, cidade natal do cantor. O ano era 1957. Cauby era chamado de o terror das moças. Errado. Era o terror dos namorados e maridos que viam mulheres se emocionarem com o intérprete de Conceição eu me lembro muito bem vivia no morro a sonhar com coisas que o morro não tem. Mamãe nunca morou no morro. Mas tinha seus sonhos com coisas que a vida de casada certamente não tem. Papai então se perguntava: O que esse cara tem que eu não tenho? Nos anos 1950 a regra geral, com exceções honrosas, era: homens mandam, mulheres obedecem. Eram eles a cabeça do casal. De maneira que meu pai proibiu que mamãe fosse ao show de Cauby Peixoto no estádio Caio Martins. Ele gostava de contar ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    1964 foi amanhã

    Eu tinha oito anos, quando policiais invadiram a minha casa e levaram meu pai preso. Essa foi a primeira vez que ouvi falar do golpe militar. A partir desse dia, e por mais de vinte anos, a ditadura faria parte da minha vida e da minha família. Por Fernanda Pompeu, do Observatório da Esquina Passados 52 anos, eu adoraria não voltar a essa cena. Fazer uma página virada do folhetim de autoritarismo, repressão, censura, mau humor, e muita burrice. Adoraria não escrever mais nada sobre 1964. Mas o problema é que a conta não fecha. A imagem é horrível, mas verdadeira: o sangue daquela época não estanca. Porque os ossos da maioria dos desaparecidos ainda não apareceram. Porque as circunstâncias de várias mortes não foram elucidadas. Porque torturadores devidamente reconhecidos seguem de boa. A simples menção à abertura de arquivos, comissão da verdade, responsabilização faz tremer parte da sociedade. Freud, se vivo, ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Il duce

    Em 1966, eu fazia o curso de admissão. Para os menores de quarenta anos, explico, admissão era a prova oficial para ingressar no ginásio da rede pública. Nessa época, escola particular era para os alunos excedentes ou muito religiosos ou muito ricos. Enviado por Fernanda Pompeu para o portal Geledés  O tal cursinho de admissão, Preparatório Boa Vista, além de me ensinar a calcular o máximo e o mínimo múltiplo comum, me ofereceu as primeiras lições de eugenia e, consequentemente, de discriminação. Os cinquentões seu Antônio e dona Leonor, além de casados, eram os professores e donos do caixa. Sem querer ofender pessoas que pelas contas dos anos podem estar enterradas, digo: o casal era assustador. Eles comparavam a injustiça do mundo a uma ordem natural. Algo como pitangas caem de pitangueiras; jabuticabas, de jabuticabeiras. Assim, brancos nasciam com vocação para vencedores, mas tinham que lutar. Negros nasciam com DNA de perdedores e o a fazer era se resignar. ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    O luto das coisas

    Li discreta nota no jornal noticiando que uma grande, pioneira, qualificada, paulistana locadora de DVDs fechará as portas. Senti uma estocadinha no peito. Não pelo fato de mais uma empresa fechar. Isso é comum em épocas de vacas magras. A dorzinha veio pela emoção. Parece que o DVD já era. Seu antecessor, o VHS, já foi faz tempo. Por  Fernanda Pompeu, do Yahoo Os que são muito jovens talvez não se importem com a morte das coisas. Talvez experimentem lufadas de nostalgia com seus brinquedos de infância. E só. A garotada tem futuro - terra prometida das novidades. Eu pela lógica da idade tenho bem mais passado. Minha mochila vem carregada de objetos findos. Só hoje entendo a saudade dos meus pais em relação aos bondes. Cheguei a andar neles na infância. Quando desapareceram achei natural. A rua ficava mais transitável para ônibus e carros. Agora compreendo que minha indiferença ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Crônica de Natal

    Nunca acreditei em Papai Noel. Pois papai Marcus e mamãe Etienete sempre deixaram claro serem eles que iam na loja comprar nossos presentes. Também costumavam declarar que a situação estava ruim, daí os presentes virem modestos. O que não significava que não fossem encantadores. Na primeira infância amei cada presente que recebi. Em particular recordo de uma baratinha de lata (carro de corrida da época) e da miniatura de uma máquina de escrever. Por Fernanda Pompeu, do Yahoo A falta de crença no Papai Noel poupou a mim e a meus irmãos da desilusão de sua não existência. Nesse quesito agradeço aos meus pais. Se nos privaram de uma fantasia, também nos protegeram da consequente frustração. É fato que os Natais do final da década de 1950 eram muito diferentes dos aturais. Não havia brinquedos em padarias, farmácias, lojinhas no metrô. Por sinal nem tinha metrô. A televisão, ainda incipiente, era ...

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    (Foto: Lucíola Pompeu)

    Tocar o sabor

    Nasci na rua Bambina, no bairro carioca de Botafogo. Bambina, todos sabem, é menina em italiano. Aprecio a sonoridade dessa palavra e sua proximidade com bandolim, bambolê, bamba. Mamãe quase me teve dentro do elevador do hospital, segundo relato do meu pai que excelente contador de histórias era um exagerador. Ainda de acordo com ele, uma enfermeira afirmou: Em noites de lua cheia as crianças têm pressa em nascer. Por  Fernanda Pompeu, do Yahoo O hospital da rua Bambina existe até hoje, chama-se Samaritano. Palavra que designa aquele que é bom, caridoso, cuidador. Quarenta anos depois do meu apressado nascimento precisei tirar um pólipo da bexiga. Por suposto, pólipo tem som e significado desagradáveis. Já o órgão bexiga remete a algo lúdico, infantil, festivo. A graça, se há, é que a retirada da excrescência foi no Hospital Samaritano, dessa vez o paulistano, na Conselheiro Brotero, Higienópolis. Achei que morreria: Nasci ...

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