Brasileiros em municípios de alto desenvolvimento saltou 30% em sete anos

Por: Mariana Mainenti

Cinquenta e sete milhões de pessoas — número equivalente a 31,4% da população do país — viviam em municípios de alto desenvolvimento em 2007. Em 2000, essa proporção era de apenas 1%. A mudança de nível socioeconômico dos brasileiros pode ser notada a partir da análise da série histórica dos dados que compõem estudo elaborado anualmente pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). O trabalho da entidade, no entanto, mostra que 40 milhões de pessoas — 21,7% do total — ainda vivem em condições precárias, sem acesso a serviços básicos de saúde e de educação e ao mercado de trabalho.

“Permanecem existindo dois brasis”, diz o chefe da Divisão de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme Mercês. A população mais pobre continua concentrada no Nordeste e no Norte do país. O Centro-Oeste, no entanto, conseguiu avançar em direção a padrões antes só vistos no Sul e no Sudeste. De 2006 para 2007, 20% dos municípios da região passaram da base da pirâmide — os níveis baixo e regular — para moderado ou alto. Entre os 500 mais desenvolvidos do país, 14 são do Centro-Oeste. Um ano antes, esse número era de oito.

Em Goiás, por exemplo, apenas Goiânia e Crixás apareciam no patamar de alto desenvolvimento em 2006. Um ano depois, somaram-se à lista Catalão e Chapadão do Céu. Contando, os municípios classificados no nível moderado, a proporção atinge 78,5% no estado. O salto da região deveu-se, principalmente, à elevação no emprego e na renda, critérios utilizados pela federação fluminense para confeccionar o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM).

Com esse indicador, formado também pelas estatísticas de saúde e de educação, são classificados todos os municípios do país em uma escala que varia de 0 a 1. No patamar mais baixo, encontram-se os que atingem nota até 0,4; no nível regular, aqueles que alcançam de 0,4001 a 0,6. As cidades que obtêm de 0,6001 a 0,8 ficam na categoria moderada e as que chegam a pelo menos 0,8001 são consideradas de alto desenvolvimento.

No fim de 2000, só municípios paulistanos conseguiam atingir a faixa mais elevada. Sete anos mais tarde, a lista dos 10 mais, liderada por Araraquara, continuava tendo só cidades médias e pequenas de São Paulo. Apesar dos avanços, o desenvolvimento ainda estava concentrado: dos 56 milhões de brasileiros que viviam em locais com alto nível socioeconômico, 17 milhões estavam nas cidades do Rio ou de São Paulo. A parcela dos classificados no estrato mais alto subiu de 0,3% para 4% em oito anos. Se comparados os anos de 2006 e 2007, no entanto, o número dos mais desenvolvidos teve uma ligeira queda, de 232 para 226.

“Quando há um nível de desenvolvimento mais alto, a melhora é mais lenta. O desafio dos municípios brasileiros mais bem classificados é manter esse patamar”, diz o economista da Firjan. Para ele, a dificuldade reflete a situação do país. “O que ocorre com os municípios mostra por que o Brasil não é ainda desenvolvido e, sim, está em desenvolvimento.” Se aos líderes do ranking forem somados os municípios de nível moderado, a proporção que em 2000 era de 30,4% vai para 55,3% em 2007. Na faixa de baixo desenvolvimento, há, ao contrário, uma queda de 18,3% para apenas 0,6%.

Ligeiro recuo
O desempenho da capital do país teve ligeiro recuo em 2006 para 2007, de 0,8203 para 0,8155. Desde 2000, caiu da primeira para a oitava posição entre as capitais — já ocupava esse posto em 2006. “Embora tenha melhorado seu índice, entrando no nível mais alto de desenvolvimento, Brasília é a capital que menos cresceu”, diz Mercês. Elevaram-se, principalmente, os indicadores de saúde, de emprego e de renda. Quando o item considerado é educação, a pontuação ainda fica em 0,7747, um pouco abaixo do mínimo exigido na faixa mais elevada.

Presidente do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos diz que Brasília deveria ter um nível educacional ainda melhor em comparação com os gastos que realiza na área. “A cidade faz muitos investimentos em educação, os professores do Distrito Federal têm a melhor remuneração do Brasil, compatível com a das universidades federais”, afirma.

No país, a tendência é oposta. Em 2007, pela primeira vez, foi a educação que puxou a evolução do Brasil, com alta de 4,4% sobre 2006. No mesmo período, Brasília teve uma melhora de 0,9% na área. No acumulado desde 2000, o incremento na capital é de 2,2%. É uma melhora tímida, tomando-se por comparação o comportamento da saúde, em que a qualidade elevou-se em sete anos. O indicador de emprego e renda também teve aumento considerável, de 7,9% em todo o período.

No entanto, de 2006 para 2007, houve uma queda de 4,1% nesse último item. O dado surpreendeu o supervisor do escritório do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no DF, Clóvis Scherer: “2007 foi um ano de crescimento da economia do país e, em Brasília, tivemos também boas negociações coletivas que levaram ao aumento da renda”. De acordo com dados do Dieese, naquele ano, o desemprego caiu de 17,7% para 16,5% no DF, a ocupação cresceu 6% e a renda média real (descontada a inflação), 8,5%.

 

 

Fonte: Correio Braziliense

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