Carol Marra poupa para fazer cirurgia sexual: “me sinto uma mulher”

“É uma operação cara, que custa cerca de R$ 40 mil, e terei de ficar afastada de dois a três meses dos compromissos profissionais”, disse a modelo em entrevista ao Terra

 

 

A modelo transgênera Carol Marra se prepara para realizar a operação de retirada dos órgãos genitais masculinos, que se chama readequação sexual. Ainda não sabe quando devido a questões financeiras, mas os projetos não param de surgir, como uma linha de lingerie com seu nome. “É uma operação cara, que custa cerca de R$ 40 mil, e terei de ficar afastada de dois a três meses dos compromissos profissionais. Tenho de trabalhar muito para fazer caixa. Brinco que vou lançar um Disk-Vagina”, disse rindo.

 

 

Durante a entrevista, primeiro por e-mail e depois por telefone, Carol se emociona ao lembrar que em seu Facebook recebe muitas mensagens de pessoas como ela, algumas rejeitadas pela família e que têm de fazer programas para se sustentar.

A também atriz deve protagonizar o primeiro beijo de uma transex na TV brasileira, na sériePsi, do canal HBO Brasil, que terá 13 capítulos e cuja estreia está marcada para fevereiro. “A cena já foi gravada”, disse ao Terra. Ela também está gravando ‘Segredos Médicos’, do Multishow.

Em sua estreia como atriz, Carol fará papel de mulher. “Tive convite de uma emissora para interpretar um personagem transgênero, mas não aceitei, porque não queria em minha estreia começar com um papel estereotipado, tipo clichezão, como cabeleireira ou prostituta.”

Além de se lançar como atriz, Carol ainda assina uma linha de lingerie. Confira abaixo trechos da entrevista exclusiva da modelo ao Terra.

Terra: Como decidiu trabalhar como atriz?
Carol Marra: Quando fiz faculdade de jornalismo, também fiz artes cênicas para perder a timidez. Nunca pensei em exercer carreira de atriz, as coisas aconteceram. No set de gravação, descobri minha vocação e falei “é isso que quero para a minha vida”. É maravilhoso poder interpretar, viver a vida do personagem, poder ser outra pessoa, se entregar na história do personagem.

T: Fale um pouco das séries em que vai trabalhar?
CM: O seriado do canal HBO se chama ‘Psi’, com texto de Contardo Calligaris e direção de Paulo Baldini. Trata-se de série de ação com drama psicológico, protagonizado por Emilio de Mello, que fará o papel do psiquiatra Carlo. Eu interpreto a namorada de Mark, papel vivido por Victor Mendes, filho de Carlo. Tudo indica que pode ser a primeira cena de beijo de uma transex na TV brasileira. Já gravamos a cena e foi tudo natural. Também estarei em ‘Segredos Médicos’, do Multishow, que estreia em abril, onde num dos episódios farei uma mulher que descobre ter câncer de mamas.

T: Por que você não quis fazer papel de transexual? Se surgir um papel assim, você faria?
CM: Como atriz, faria qualquer tipo de personagem, ator não tem sexo. Desde a Grécia Antiga, homens faziam papéis masculinos e femininos. Não quero é ser rotulada e estereotipada. Não quero apenas ser chamada para trabalhos por minha condição sexual e sim pela minha capacitação profissional. Posso fazer papéis masculinos, femininos e até mesmo de transexual. Mas não somente papéis de transexual.  Quero que me vejam como uma atriz e me deem oportunidades para poder exercer minha profissão, seja para que papel for. Os papéis destinados aos transexuais são clichês, como cabeleireiro ou prostituta.

T: Como é o retorno das pessoas em relação a você e a sua condição sexual?
CM: 
Trabalhei na série ‘Tabu Brasil’, da Net Geo. Quando o programa é reapresentado, recebo uns 300 comentários e mensagens na minha página do Facebook. Muitas pessoas me admiram e outras, que são como eu, me perguntam como devem fazer, agir. Querem algum tipo de ajuda. Não sei como ajudar. Eu estudei, fiz jornalismo, trabalhei como produtora de moda, sou modelo e agora quero seguir a carreira de atriz. Tento levar minha vida normalmente. Recebo mensagens de pessoas que se prostituem, porque não são aceitas(nesse momento ela chora). Eu tento ser exemplo de dignidade.

T: Você já disse que vai fazer a operação de readequação sexual, mas já tem data? Como está esse processo?
CM: 
Eu vou fazer. Queria fazer agora, mas é uma operação cara, vai custar cerca de R$ 40 mil e vou fazer na Tailândia, onde a tecnologia está adiantada. Já estou conversando com os médicos e hospital, que me dão toda a orientação e me ofereceram acomodação VIP. Ainda não tenho todo o dinheiro e, depois da operação, vou precisar ficar de dois a três meses de repouso, sem trabalhar. Podia vender meu carro, mas vou poupar. Brinco que vou lançar um “Disk-Vagina”. Espero fazer esse ano, mas não está nada certo.

T: Por que a necessidade de realizar a operação?
CM: 
Muita gente confunde travesti com transgênero. O travesti aceita a genitália, usa o pênis, mantém relações sexuais etc. O transgênero não, por isso a necessidade da operação. Até 2001, ser transgênero era um considerado pela OMS um transtorno mental, sem reconhecimento da necessidade de operação.  Depois mudou, temos as necessidades de uma mulher. Mas para mim não é uma vagina que vai me transformar numa pessoa melhor. Vou fazer a de readequação cirurgia porque me sinto uma mulher.

T: E como são seus relacionamentos? Está com alguém agora?
CM: Estou solteira, mas como diz a música “solteira sim, sozinha nunca”. Os relacionamentos às vezes são complicados, porque quando conheço alguém não costumo falar da minha condição. Quero que a pessoa me conheça primeiro. Na maioria das vezes, o outro se assusta quando sabe. Outros não. Aí a importância de fazer a operação, para ficar anatomicamente uma mulher. Mas não gosto de entrar em detalhes da minha intimidade.

T: Recentemente, você trocou a prótese de silicone de 240 ml para 350 ml. Como foi a segunda operação, já que na primeira teve um problema?
CM: 
Na primeira vez, tive um processo inflamatório porque não tive disciplina. Com uma semana de cirurgia, dirigi para o Rio, desfilei no Fashion Rio, emendei com um cruzeiro. Agora, resolvi aumentar (de 240 ml para 350) e fiz repouso direitinho, ficou ótimo o resultado. Operei no dia 28 de dezembro com o doutor Edmundo Auaghi, em Belo Horizonte. Ficou uma mama natural e muito feminina.

T: Você vai lançar uma linha de lingerie com sua assinatura?
CM: 
Fiz umas fotos e uma grife me fez a proposta de parceria. Eu aceitei com a condição de que pudesse opinar nos modelos, tecidos, cores. Estamos conversando e criando juntos as peças. A linha deve ser lançada ainda no primeiro semestre deste ano. Mas queria mesmo uma linha de moda praia, que eu amo!

Fonte: Terra 

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