Casamento civil homoafetivo: apesar da intolerância, vamos avançando – Por: Leonardo Sakamoto

Apesar da influência de alguns grupos religiosos contrários a mudanças e a exaltação de reacionários desocupados, mais cedo ou mais tarde, o Brasil irá garantir dignidade, estender direitos e combater preconceitos.

A resolução, desta terça (14), do Conselho Nacional de Justiça – que obriga os cartórios em todo o país a celebrar casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, abrindo caminho para a adoção de filhos, por exemplo – é um passo a mais, não o derradeiro. O problema é que essa caminhada está sendo bem lenta quando, em verdade, deveria correr rápida para dar tempo às pessoas que hoje vivem de desfrutarem uma nova realidade. Uma sem homofobia.

O Congresso Nacional que, por vez ou outra, transpira as mais bizarras formas de preconceito através de seus Bolsonaros e Felicianos, é fruto do tecido social em que está inserido – e sim, a sua esbórnia que ganha as páginas policiais, digo, de política, é um reflexo de nós mesmos. Como já disse aqui antes, eles somos nós. E a letargia deles também é nossa. Porque, na prática, uma (não) decisão tomada pelo Legislativo tem em seu âmago o mesmo preconceito das piadas maldosas contra homossexuais, transsexuais e transgêneros ou dos pequenos machismos em que nós (e não me excluo disso) nos afundamos no cotidiano. O que difere é o tamanho do impacto, não sua natureza. Legislativo que transfere, vez ou outra, para o Supremo Tribunal Federal e, agora, o CNJ, o papel de tornar real a garantia constitucional da dignidade.

E depois fica choramingando.

Nem sempre a Justiça acerta. Desta vez, sim, nacionalizando algo que já estava ocorrendo em um Estado ou outro.

Como já disse aqui várias vezes, ainda bem que essas decisões legais não são tomadas com base em pesquisas de opinião pública. Afinal de contas, uma democracia verdadeira passa pelo respeito às minorias, garantindo sua dignidade mediante a uma maioria que é avassaladoramente violenta.

Dizem que falta informação e por isso temos uma sociedade que pensa de forma tão excludente. Mas isso não basta. Deve-se saber como trabalhar com essa informação que recebemos, refletir sobre ela. Entramos aqui na questão da consciência social, que não se aprende nos bancos de escola, mas no trato com a sociedade. O contato com o “outro”, e com suas diferenças, contribui para fomentar essa consciência. Ou seja, aceitar que as pessoas têm direito à própria vida e ao próprio corpo e que não é com uma sociedade ditatorial e sumária que se resolverão os problemas.

 

Fonte: Blog do Sakamoto 

+ sobre o tema

Como dialogar com quem discorda de você?

Direitos humanos pressupõem consensos sobre como conviver em sociedades...

As tendências (e os interesses) por trás da revista ‘The Economist’

Assim como a agência americana Moody's, que na quarta-feira...

Joaquim Barbosa, racismos, esquerda e direita

por Dennis Oliveira Joaquim Barbosa, novo presidente do...

Marina diz que é contra testes com células-tronco embrionárias

Por: FÁBIO GUIBU   Um dia após o...

para lembrar

Brasil é o país com maior número de mortos pela nova gripe, diz Saúde

Fonte: G1 Taxa de mortalidade, no entanto, é menor do...

Pare de chorar negro! REAJA! Por Marcos Romão

O neoliberalismo, os incentivos prometidos e a boa massagem...

Leci Brandão lançará Frente Parlamentar em Defesa da Cultura

A iniciativa da deputada comunista já recebeu adesão de...

Novo álbum de Alcione repete velha e boa fórmula

Fonte:Folha de São Paulo Alcione não andou um milímetro -nem...

Em 20 anos, 1 milhão de pessoas intencionalmente mortas no Brasil

O assassinato de Mãe Bernadete, com 12 tiros no rosto, não pode ser considerado um caso isolado. O colapso da segurança pública em estados...

CPMI dos Atos Golpistas: o eixo religioso

As investigações dos atentados contra a democracia brasileira envolvem, além dos criminosos que atacaram as sedes dos três Poderes, políticos, militares, empresários. Um novo...

Como pôr fim ao marco temporal

A tese do marco temporal, aprovada na Câmara nesta terça-feira (30), é ancorada em quatro pilares: genocídio, desinformação, atraso e inconstitucionalidade. Dos dois últimos, deve-se dizer...
-+=