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A Cidade de Deus e a desumanização do pobre

Estamos diante de uma epidemia silenciosa, devastadora e vorazmente letal, o processo de desumanização a que são submetidos os mais pobres.

Por Mônica Francisco Do Jornal Do Brasil

Somando-se à indiferença das consequências desse ato por parte da sociedade, temos um quadro gravíssimo.

A naturalização das violações diárias vividas pelos mais pobres ou a minimização dos impactos delas nas áreas mais vulneráveis, se constitui em uma das maiores aberrações.

O episódio vivido pelos moradores da Cidade de Deus, por exemplo, onde portas foram arrombadas, mostra claramente que apesar de se sustentar o discurso do percentual de “gente boa” e honesta que merece “respeito, como dizia minha mãe, na hora que a porca “torce o rabo”, tudo isso desaparece.

Desaparece o discurso frágil e se evidenciam os caminhos dolorosos, caminhados diariamente pela fauna que habita os espaços mais pobres no Brasil.

Dores que, mais do que promoverem um permanente estado de humilhação, adoecem e matam.

Precisamos buscar bem rápido um caminho diferente. Nenhuma ação direcionada ao semelhante deixará de produzir alguma consequência. Em sociedade, de alguma forma, em algum momento, os reflexos do que fazemos ao outro acabam voltando para nós.

*Consultora na ONG Asplande, Colunista e Membro da Rede de Instituições do Borel

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