Cinemateca e Paço Municipal recebem Mostra que Preserva os Saberes das Mulheres Mais Velhas

25/02/26
Enviado para o Portal Geledés
Exibição temática exibe vídeos que preservam a cultura e os saberes ancestrais de mulheres.

Chega este mês na Cinemateca de Curitiba e no Sesc Paço da Liberdade, nos dias 27 e 28 de fevereiro, a Terceira Mostra Eu Mais Velha de Audiovisual, com projetos de documentários, ficção, videoclipes e outras expressões do audiovisual e que têm como conceito e temática, a preservação da cultura de saberes ancestrais femininos.

A mostra, que já foi realizada em anos anteriores na cidade de São José dos Campos (SP), no Vale do Paraíba, chega ao Paraná com a organização das pesquisadoras e curadoras Bi Sevciuc e Lais Araújo, e da antropóloga Mariana Diniz. O propósito da organização é estimular a elaboração cultural que preserve e divulgue a produção audiovisual de mulheres, com protagonismo das mulheres guardiãs de saberes ancestrais e da biodiversidade e pertencentes a comunidades tradicionais.

Bi Sevciuc conta, que a ideia da mostra teve origem em 2021, com a publicação do livro “Eu mais velha – cura, fé e ancestralidade”, de sua autoria e de Laís Araújo, sobre saberes tradicionais de curandeiras, benzedeiras, parteiras e raizeiras do litoral do Paraná, detentoras de conhecimentos sobre processos de cura. “Depois desta pesquisa, a mostra se iniciou como uma expansão de ações socioeducacionais de preservação da memória e valorização de líderes comunitárias”, conta. “Tínhamos o desejo de realizar produções audiovisuais sobre elas e a mostra vem como uma janela de amplificação de vozes”, completa.

Na mesma época, se reuniram com antropóloga Mariana Diniz e enquanto se aprofundavam na temática da ancestralidade, produziram um filme sobre a história de Dona Adélia Cunha, matriarca do Jongo, uma das manifestações afro-brasileiras da região Sudeste do Brasil, que mistura percussão de tambores, canto e dança.

(Dona Adélia Cunha e Ana Maria Carvalho foram protagonistas na mostra. Imagem: Luiza Matravolgyi)

Depois, contempladas por um edital cultural, realizaram em São José dos Campos a primeira mostra, com intuito de trazer o cuidado matriarcal para o centro da discussão. “Decidimos trazer este cuidado para as perspectivas atuais, para a definição dos próximos passos da sociedade e também, para as nossas escolhas pessoais”, conta Laís.  “Nesse projeto, nós mostramos como as mulheres têm esse papel histórico de resistência e cuidado, que criam condições para a preservação da vida”.

Mariana destaca que existem muitas produções com a temática da ancestralidade no país e por isso, o sucesso da mostra vem de encontro com um interesse em comum desses registros contemporâneos. “Tem muita gente no Brasil realizando produções audiovisuais, como filmes, documentários, videoclipes, homenagens audiovisuais às mulheres mais velhas”, diz. “Recebemos muitos filmes sobre mulheres da terra, que estão em territórios. Existe uma potência nesse projeto e desde a primeira edição, ele tem sido um sucesso”, completa.

Memória Viva e Ancestralidade

Vale lembrar que este ano, além da parceria com a Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas, que assina a curadoria de uma das sessões, a mostra também tem a colaboração da Associação de Mulheres Indígenas Organizadas em Rede (AMIOR).

Para Amauê Jacintho, Guarani Nhandewa, socióloga e uma das fundadoras da AMIOR, a mostra é um instrumento importante de fortalecimento da memória dos territórios. “O evento fortalece a memória viva dos nossos territórios e a nossa ancestralidade, além de reafirmar que os saberes ancestrais seguem em nós,nos nossos corpos e nas nossas vozes”, afirma.

Ainda, Jacintho também fala da importância do protagonismo feminino nos trabalhos escolhidos pela curadoria. “Quando mulheres contam suas próprias histórias por meio do audiovisual, estamos rompendo silenciamentos históricos e garantindo que nossas narrativas não sejam apagadas ou distorcidas”, diz. “Para nós, mulheres indígenas, preservar os saberes ancestrais é preservar a vida, a espiritualidade, a relação com a terra e com nossos corpos-territórios ou seja a nossa cosmovisão”, completa. 

O evento também acontece em Piraquara, no dia 26 de fevereiro, no Teatro Municipal, e em Guaraqueçaba, no dia 07 de março. Além da mostra, serão realizadas oficinas, performances e rodas de conversas com realizadores e artistas, com destaque para as presenças da pesquisadora, antropóloga, ativista e curadora Sandra Benites, que participa da roda de conversa “Nós mais velhas: tecnologias ancestrais de resistência e regeneração”; da ativista e liderança espiritual Pajé Rita Tupinambá, na conversa “O que a natureza ensina: mulheres guardiãs da biodiversidade”; e da diretora e roteirista Marília Nogueira na roda Intercâmbio de saberes: Mulheres realizadoras de mostras e festivais”.

Esse projeto foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura – Governo Federal.

Confira a programação completa: https://xn--programaoeumaisvelha-wyb1g.my.canva.site/

Serviço:

Terceira Mostra Eu Mais Velha de Audiovisual

Piraquara

Data: 26 de fevereiro / Local: Teatro Municipal

Horário: das 18h30 às 21h

Endereço: Teatro Municipal Heloína Ribeiro de Souza – Parque das Águas Jacob Simião – Rua Vitório Scarante, 461 – Centro, Piraquara – PR

Curitiba

Data: de 27 e 28 de fevereiro.

Local: Cinemateca de Curitiba e Sesc Paço da Liberdade

Horário: das 9h30 às 21h

Guaraqueçaba

Data: 07 de março

Local: Espaço de Eventos Prefeitura de Guaraqueçaba

Horário: 09h às 20h

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