sábado, agosto 13, 2022
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A confissão de Messi que rompe um antigo tabu masculino

“Você também faz sentado? Como eu”, disse o jogador ao colega Luis Suárez

Urologistas e antropólogos debatem sobre a postura do homem durante a micção

Por KRISTIN SULENG, do El Pais 

O que poderia ter sido um comentário jocoso entre dois colegas de time acabou dando a volta ao mundo e até preenchendo minutos nos noticiários, pelo caráter inusitado que alguns conferem a estas declarações. “Eu também mijo sentado porque a gente levanta pela manhã todo adormecido, e é mais cômodo”, confessou o jogador do Barça Leo Messi em uma entrevista a dois com Luis Suárez [que afirma fazer o mesmo] no programa matutino da TV uruguaia Por la Camiseta (Pela Camisa), no Canal 10. Embora se saiba que os homens possam escolher entre urinar em pé ou sentados, que um deles diga que prefere fazê-lo sobre o vaso sanitário continua sendo um tabu em países como a Espanha, enquanto na Alemanha ou na Suécia instituições públicas e partidos políticos defendem cada vez mais que os homens descarreguem seu jorro do mesmo modo que as mulheres, em prol da igualdade também nos banheiros. Além de ser um debate sobre higiene pública (respingar ou não respingar), há outros argumentos relevantes para o debate?

O que fazem Messi e Suárez recebe um nome específico em alemão. O homem que opta por sentar-se para urinar é, para os alemães, um Sitzpinkler, e o que o faz em pé, um Stehpinkler. Ambos os rótulos para essas posturas corporais levam anos de discussão na esfera pública, o que despertou dois movimentos sociais opostos nesse país: o que defende a posição sentada para os homens e o que antepõe o direito de fazê-lo em pé, em nome da masculinidade. Porque, em alguns círculos, esse não deixa de ser o xis da questão. “Meu filho faz sentado porque diz que assim é mais higiênico. Eu, em pé: na minha família sempre riram da posição sentada nos homens”, esclarece um dos homens consultados sobre este comportamento íntimo.

A corrente que, em defesa de acabar com convencionalismos sexuais, reivindica que os homens façam xixi sentados se fundamenta em um aspecto fundamentalmente político, segundo Fernando Villaamil, professor de Antropologia Social da Universidade Complutense de Madri. “Trata-se de representar visivelmente os privilégios da masculinidade. Está muito bem que cada vez mais homens optem por ver o ridículo de fazer em pé como uma questão de hombridade. A mudança já está em marcha, mas não há necessidade de transformá-la em uma obrigação nem em uma questão de saúde”, enfatiza este antropólogo.

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