segunda-feira, setembro 20, 2021
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Conheça James Chiengjiek, o atleta refugiado que emocionou ao sofrer uma queda nos 800m das Olimpíadas de Tóquio

Sudanês vive no Quênia desde 2002, após fugir da guerra no território onde hoje fica o Sudão do Sul. Em sua segunda participação em Jogos Olímpicos, o atleta tropeçou e caiu, acabando na última colocação da bateria.

Fonte: Do G1

As provas do atletismo deste sábado (31) (horário do Japão) tiveram logo no início uma cena emocionante: o atleta James Chiengjiek, da Equipe Olímpica de Refugiados, tropeçou e sofreu uma queda nas eliminatórias dos 800m das Olimpíadas de Tóquio.

O atleta se levantou e completou a prova, mas ficou na última colocação da bateria. Ao cruzar a linha de chegada com um tempo de 2 minutos e 2 segundos — quase 16 segundos acima do primeiro colocado na prova —, James se ajoelhou no chão, às lágrimas, desapontado com o resultado.

James integra a Equipe Olímpica de Refugiados, uma iniciativa do Comitê Olímpico Internacional (COI) em conjunto com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) que se iniciou para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

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James Chiengjiek, atleta da Equipe Olímpica de Refugiados, sentado no bloco de partida no Estádio Olímpico de Tóquio neste sábado (31) (Foto: Javier Soriano/AFP)

Quem é James Chiengjiek

James Nyang Chiengjiek nasceu em 1992 em Bentiu, cidade que hoje está em território do Sudão do Sul — país que, após anos de guerras, conseguiu se desmembrar do Sudão e declarar independência em 2011. O pai dele morreu em um desses conflitos, quando o atleta tinha apenas 7 anos.

Na juventude, James se viu no meio do fogo cruzado das milícias e exércitos que lutavam na região. Havia ainda o risco de que ele fosse forçado a lutar na guerra civil, o que ele não queria.

Assim, aos 10 anos, James migrou para o Quênia, onde viveu em um campo de refugiados da Acnur. O jovem cresceu no país, onde estudou e criou interesse pelo atletismo.

Com bons resultados, o sudanês recebeu em 2015 um convite para tentar uma vaga na Fundação de Paz Tegla Loroupe — um programa para treinar atletas refugiados com origem em zonas de conflito como Sudão, Congo, Etiópia e Somália.

James conseguiu a vaga. Logo no ano seguinte, conquistou também a classificação para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro para disputar os 400m, em que ficou pelo caminho ainda na fase inicial.

Equipe Olímpica de Refugiados

Pela segunda vez, os Jogos Olímpicos têm um time de refugiados apoiados pelo COI e pela Acnur. No Rio, em 2016, eram 10 atletas. Agora, em Tóquio, são 29 competidores em 12 modalidades.

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Equipe Olímpica de Refugiados entra no Estádio Olímpico de Tóquio na Cerimônia de Abertura das Olimpíadas, na sexta-feira (23) (Foto: David J. Phillip/AP Photo)

A iniciativa veio para suprir uma questão dos Jogos Olímpicos: o evento convida atletas do mundo inteiro, mas alguns deles precisaram fugir da perseguição em seus países de origem e teriam dificuldades, portanto, em competir sob a bandeira de suas nações.

Segundo o COI, que convoca esses atletas, os critérios para a seleção da Equipe Olímpica de Refugiados foram os seguintes:

  • Status de refugiados confirmado pela Acnur
  • Desempenho esportivo nas modalidades
  • Representatividade de gênero, esporte e regiões do mundo
  • Histórico pessoal

Segundo dados mais recentes da Acnur, mais de 82 milhões de pessoas em todo o mundo tiveram de deixar seus locais de origem por perseguições, conflitos, violência e violação de direitos humanos. É o maior número já registrado na história.

Quase metade desse total — 48 milhões — é de pessoas que se deslocaram dentro de seu próprio país. Outras 26,4 milhões são consideradas formalmente refugiadas: ou seja, concluíram os protocolos de solicitação de refúgio em outro país.

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