Diálogos – Evento de enaltecimento e empoderamento à juventude negra realizado pelo Coletivo Justiça Negra-Luiz Gama

Diálogos foi o primeiro encontro público, do Coletivo Justiça Negra – Luiz Gama, que ocorreu na noite do dia 21 de Julho de 2015,às 18:00, no auditório da Caixa de Assistência ao Advogado do Rio de Janeiro (CAARJ), trazendo assuntos sociais, históricos e jurídicos decorrentes e ocorrentes da atualidade.

Enviado por Amanda Martins Cruz de Mattos via Guest Post para o Portal Geledés

O evento que contou com palestrantes ilustres, no calibre do Professor Jorge da Silva, doutor em Ciências Sociais e professor-adjunto pela UERJ, ex- secretário de Estado de Direitos Humanos / RJ; a doutora Giovana Mariano de Jesus advogada ativista do Movimento Negro e Coordenadora do Curso Preparatório para Carreiras Jurídicas do CJNLG; e o Professor Carlos Alberto Medeiros, jornalista, militante e estudioso da questão racial, graduado em Comunicação e Editoração pela UFRJ, com mestrado em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFF.

Nomes que já se tornaram ilustres devido uma longa caminhada de militância como o poeta Éle Semog, o Professor Nelson Joaquim e o produtor Dom Filó, que em nome da CultNe registrou todo evento – abrilhantaram o evento onde os temas “Segurança Pública e Juventude Negra”, “O Abolicionismo de Luiz Gama e sua relação com a Realidade do Povo Negro Hoje” e “O Impacto das Ações Afirmativas no Brasil” foram desenvolvidos respectivamente de forma intimista, como uma conversa envolvente como só o êxito de uma caminhada de vida decorrente do posicionamento amparado pela sabedoria pode trazer.

A mediação foi realizada pelo Dr. Bruno Cândido, advogado, ativista e diretor geral do Coletivo Justiça Negra-Luiz Gama e por Jamille Sepol, ativista e vice-diretora do Coletivo Luiz Gama.

O plenário da CAARJ ficou enegrecido e abarrotado por jovens de todas as áreas acadêmicas, advogados, juízes, membros de comissões, militantes, pessoas que conhecem a história do povo negro e que desempenham papel fundamental nos movimentos sociais e raciais e na luta por uma sociedade mais igualitária, plural e representativa.

Olhos atentos, questionamentos surgidos, pensamentos constantes, perguntas sendo realizadas e respondidas com êxito, na presença de uma negra, advogada, palestrando para uma plateia negra e orgulhosa de ver-se representada, um advogado negro, mediando o encontro e outros dois enaltecedores negros sentados à mesa, com olhares emocionados ao ver o povo reunido, atento, feliz e realizado por mais uma conquista.

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Esse foi um marco visível do evento, jovens com sede de conhecimento, tabus sendo quebrados, soluções sendo apresentadas e a constatação de que a união faz a força, faz a diferença, ainda que com dificuldade, que o negro tem voz, tem competência, e vai empoderar-se por mérito, por conhecimento, atribuições estas, que ninguém poderá alterar, subtrair ou roubar de quem as obtiver.

O encontro tornou-se um momento histórico, pois, foi constituído por uma luta árdua e contínua, cheia de dor, de lágrimas, persistência, esforço e suor, e muito, além disso, composto por jovens negros e negras, por pessoas que lutam contra o racismo, preconceito e discriminação, que com garra, força e fé, olharam para o objetivo e remaram, que acreditam em si mesmos e nos seus semelhantes. Que vão à luta, para encontrar meios de desmassificar, desconstruir, o racismo enraizado historicamente, através do estudo, da pesquisa, do conhecimento, para ocuparem um espaço que os pertence por direito.

O povo negro não pede favor e muito menos esmola, ainda que, a sociedade acredite que é a miséria que o mesmo mereça. A reinvindicação e exigência do povo negro, faz jus ao que dele é por direito, exige a efetividade do que já está positivado, escrito solenemente e instituído por lei, até porque do que vale positivação sem ação?
As pedras sempre existirão, e a caravana jamais deixará de passar, ainda que haja vários tropeços, a caminhada será contínua e ininterrupta.

Diálogos, é um projeto que consiste em um conjunto de palestras que se permite ser, dentro de uma mesma realidade, intermitente e contínuo, foi construído por jovens negros com sede de conhecimento e representatividade. O Coletivo Justiça Negra – Luiz Gama, que objetiva através de projetos educacionais a promoção intelectual e financeira da Juventude Negra, utilizando-se de um circuito de palestras e cursos com vários pensadores e ativistas da causa negra na luta contra o racismo articulado com outras formas de discriminação.

A ideia é inaugurar uma formação política com recorte racial, para municiar a Juventude de estratégias de superação e primordialmente, dar continuidade a luta que foi iniciada por aqueles que marcaram significativamente a história do povo negro, e como resultado da própria entrega e abnegação destes, o intuito do Coletivo é perpetuar a trajetória, rumo à igualdade, enaltecimento e empoderamento do povo negro.

O coletivo tem aula para concursos publico, para carreiras jurídicas, com o Procurador do Ministério Público do Trabalho, Wilson Prudente e também outros professores, e o objetivo é expandir esse núcleo através da colaboração e participação de mais docentes dispostos a ministrarem aulas sobre outras disciplinas exigidas nas carreiras jurídicas.

O Coletivo Justiça Negra- Luiz Gama, é uma organização sem fins lucrativos que pretende à promoção intelectual e econômico da Juventude Negra, empoderamento intelectual e econômico da Juventude Negra, bem como influência no sistema de Justiça.

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Autora: Amanda Martins,23 anos, negra, estudante de Direito na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, militante, membro do Coletivo Justiça Negra- Luiz Gama, membro do Núcleo de Pesquisas Brasil/Chile da Faculdade Presbiteriana Mackenzie.

** Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do PORTAL GELEDÉS e não representa ideias ou opiniões do veículo. Portal Geledés oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

 

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