Divórcio é coisa de mulher

Pelo menos foi assim nos últimos anos, quando quase 70% das separações foram pedidas por elas. Mas não pelos motivos que você imagina

Por Ana Luísa Fernandes Do Super

O segredo para um casamento duradouro é a igualdade de gêneros. Essa é a conclusão de um estudo feito pelo professor da Universidade de Stanford Michael J. Rosenfeld, que descobriu que as mulheres dão início a 69% dos pedidos de divórcio, contra 31% dos homens. De início, alguns cientistas atribuíram a diferença ao fato de que as mulheres seriam mais suscetíveis aos altos e baixos da relação. Mas Rosenfeld encontrou um outro dado que quebra essa ideia: “Entre os casais não casados, ambos os sexos pedem o término de forma igual.

Enquanto isso, nos casais casados, as mulheres são predominantes entre os que querem romper”. A explicação? “As mulheres são menos felizes no casamento que os homens. Uma possível razão para isso é que o casamento heterossexual, como instituição, privilegia os homens”, diz. Ainda que escassos, a mulher enxerga avanços de igualdade em outros setores da sociedade, como o trabalho.

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Em contraste, segundo Rosenfeld, o casamento não se moderniza. Uma mulher pode assumir um cargo importante em uma grande empresa, mas quando chega em casa ainda tem que cuidar do lar, dos filhos e do marido. No Brasil, por exemplo, elas passam 26 horas por semana cuidando do lar – contra apenas 10 horas deles. Bem longe da igualdade. Cansadas, elas optaram pelo divórcio. Já os relacionamentos não matrimoniais seriam mais igualitários porque a mulher sofre com menos cobranças das famílias e da sociedade.

A pesquisa estudou casais heterossexuais de 2009 até 2015. No final, 371 haviam se separado ou divorciado. Quando Rosenfeld questionou o motivo do término, as respostas entre casais não casados seguiram a linha “Nós dois decidimos terminar. Temos opiniões muito diferentes”. Já entre os casados: “Comecei a sentir que ele estava me sugando”. Ou: “Os casamentos tradicionais são muito controladores”. Deu para perceber a diferença, né?

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