quinta-feira, dezembro 8, 2022
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E as crianças no casamento? Por que isso não deve ser um impasse

Este é um tema polêmico, eu sei. Em geral, quando alguém levanta a discussão sobre crianças no casamento, uma espiral de horrores é iniciada. As defesas, tanto da presença de crianças quanto da não presença delas, são apaixonadas. Há até quem grite que odeia crianças.

Primeira coisa: odiar qualquer coisa não é legal. Me pauto sobre isso a partir das formulações da pensadora e escritora Audre Lorde. Segundo Lorde, o ódio tem uma dimensão destrutiva, com a intenção de fazer algo sumir. Portanto, a meu ver, é um sentimento um tanto forte e corrosivo.

Entendo quem não goste muito de crianças, principalmente as que são mais agitadas e barulhentas —não é uma verdade absoluta que toda criança grite e seja agitada. Há crianças e crianças. Também não demonizo quem não queira ter filhos. Acho, inclusive, que o argumento de que é uma obrigatoriedade gostar de crianças e querê-las por perto por termos sido crianças um dia uma bela bobagem e bastante artificial. Até porque carrega um pouco uma carga, principalmente para nós, mulheres, de maternidade compulsória. Uma coisa é não querer um convívio contínuo com crianças, não querer ser pai ou mãe. Da escolha. Outra é odiar crianças. Entendidas?

A segunda coisa é que acredito que não precisamos ser apaixonadas sobre isso. Também não concordo com o argumento de que casamento não é uma festa para criança. Porque, fico com a pergunta: se o casamento, que celebra a criação de uma nova família, não é festa para criança, qual seria?

Ou o seu casamento é uma balada mais cara e na qual você paga tudo? Pode até ser. Mas, acho que o sentido do casamento é celebração de amor, de afeto, o desejo de votos e de compromissos. A gente vai a balada do caos nas despedidas de solteiro e solteira, né?

Um dos argumentos que acho válidos para definir a presença ou não de crianças em um casamento é o orçamento. Veja bem, a partir de determinada idade, os buffets cobram valores completos para crianças e o orçamento dos noivos pode estar um tanto comprometido e apertado. Pense bem: estamos em 2022, ano III da pandemia e vivendo uma super crise econômica. As pessoas acabam por ter que optar e definir questões a partir do orçamento. E acho super justo. De verdade.

Mas também fico pensando que há pais e mães que não têm onde deixar suas crias para poder ir celebrar o seu momento contigo. Então, é uma via de mão dupla: se você delimitar, no convite, que os pais e as mães não poderão levar os seus rebentos, você também não tem o direito de ficar chateada se eles decidirem não ir ao seu enlace. Seja porque não tiveram com quem deixar as crianças, seja porque não se sentiram confortáveis de estarem em um evento e/ou local, principalmente de uma festa familiar, sem os seus filhos ou em que seus rebentos não seriam bem recebidos. Daí, cabe a maturidade de cada um se colocar no lugar do outro e se entenderem e seguirem a amizade sem ressentimentos.

No caso do meu casamento, que é o que interessa nesta coluna, quero crianças. Uma das imagens que acho mais lindas em casamentos é a de crianças correndo em algum jardim do local da festa. Suas risadas preenchem o espaço de alegria e dão o toque perfeito para o que considero que esse dia representa: alegria, amor, afeto, comunhão e compartilhamento. Meu casamento será chato-free. No que não enquadro crianças. Gente chata, invejosa, que não é próxima, que não tem uma energia positiva, a gente não quer e o convite nem vai chegar. Mas as crianças serão bem recebidas.

Espaço kids

E algumas coisinhas que estamos pensando por aqui podem ser divididas com vocês para esse dia. Estamos pensando em um “espaço kids”, por exemplo. Tudo bem que criança adora correr, principalmente as que acabaram de começar a andar. Mas acho chato, deselegante e até perigoso ver crianças correndo em torno das mesas e cadeiras —podem derrubar coisas, podem cair e se machucar, etc. A festa, a meu ver, também deve ser prazerosa e convidativa aos pequenos.

Meu coração fica apertado quando vejo crianças dormindo em cadeiras improvisadas e cobertas com paletós nos casórios por aí. Então, vamos pensar em um local para que elas possam desenhar, assistir desenhos, ter momentos recreativos, com um cardápio adaptado e de deixar qualquer cria feliz.

No meu casamento, criança é muito bem-vinda. Quero fotos só com elas, quero vídeos com elas correndo pelo jardim e brincando no espaço que estamos pensando, quero lembrancinhas especiais para elas. Quero que toda a boa energia que só uma criança tem seja compartilhada comigo, com o meu noivo e com cada convidado. Quero as bênçãos e afetos dos erês nessa celebração. Como nos ensina a epistemologia de terreiro: criança é axé. E que elas tragam muito axé ao meu casamento.

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