É hora de negar a “política”

Ao que tudo indica, o discurso de negação da política dará a tônica dos debates no processo eleitoral deste ano. Diante da impopularidade dos políticos frente à opinião pública, grupos oportunistas aproveitam o momento para rechaçar a política como um todo (!). Apresentam-se como o novo e como a possibilidade de renovação estrutural da esfera pública.

Por Veronica Lima Do Brasil247

Foto: Reproduzida/Brasil247

Essa retórica mesquinha de criminalização da política não é senão um modo de manutenção do mesmo. Ela tem como avalista o mercado financeiro e as forças sociais abastadas que pretendem manter seus privilégios. Ou seja, homens, brancos, ricos e conservadores. E é exatamente essa a política que deve ser negada!

Explico-me. Chegou a hora e a vez de o campo sócio-identitário ocupar massivamente os espaços de poder. O Congresso brasileiro deve, de fato, representar os cidadãos de nosso país. Precisamos dar ainda mais voz às mulheres, às negras, às lésbicas, às faveladas. Ou seja, os espaços políticos também devem ser ocupados pela expressiva parcela da população que tem sua expectativa de vida reduzida por causa da cor de sua pele, ou pela sua orientação social, por exemplo.

A política que deve ser negada é aquela que se resume ao espaço de manutenção de homens brancos e ricos, empresários, representantes do agronegócio e afins. A política que deve ser negada é aquela que se mostra sempre alérgica ao reconhecimento das diversidades de gênero, de origens sociais, de percursos de vida ditos diferentes.

Fui a primeira mulher negra e de origem pobre eleita vereadora na Cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. Hoje, em meu segundo mandato, tenho cada vez mais certeza de que a minha luta é a de milhões de brasileiras que lutam por reconhecimento, por respeito e por igualdade na esfera pública.

Esse modelo de representação política que só dá voz a uma minoria deve ser repensado urgentemente. As mulheres devem preencher cada vez mais os espaços de poder. Precisamos dar voz às milhões de Marielles de nosso país.

Entender como o silêncio sobre gênero, raça e classe está diretamente ligado à manutenção das desigualdades no campo político pode ser um passo fundamental para mudarmos essa realidade. Chegou a hora de negar a “política” de exclusão existente no Brasil. Por mais mulheres na política!

+ sobre o tema

Entidades de segurança pública e direitos humanos dizem que novo edital precariza programa de câmeras da PM em SP

Entidades da sociedade civil ligadas à segurança pública manifestaram...

Convenção da extrema direita espanhola é alerta para o Brasil

"Manter o ideal racial de um continente branco de...

Aprovado no Senado, PL dos planos de adaptação esboça reação a boiadas do Congresso

O plenário do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (15/05)...

Maranhão tem 30 cidades em emergência devido a chuvas

Subiu para 30 o número de cidades que decretaram...

para lembrar

Pesquisa Ibope aponta liderança de Tarso Genro no Rio Grande do Sul

Pesquisa divulgada pelo grupo RBS mostra petista com 39%...

Programas de renda encolhem com Serra

Pagamento de benefícios do Renda Cidadã vai ser menor...

O que é fascismo?

De 1964 a 2022, a palavra "fascista" foi usada...

Prometo não tocar no assunto, por Elika Takimoto

Fui orientada por várias editoras que entraram em contato...

O Estado emerge

Mais uma vez, em quatro anos, a relevância do Estado emerge da catástrofe. A pandemia de Covid-19 deveria ter sido suficiente para demonstrar que...

Extremo climático no Brasil joga luz sobre anomalias no planeta, diz ONU

As inundações no Rio Grande do Sul são um alerta sobre o impacto econômico e social das mudanças climáticas que atinge todo o mundo....

IR 2024: a um mês do prazo final, mais da metade ainda não entregou a declaração

O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2024, ano-base 2023, termina em 31 de maio. Até as 17 horas do dia 30 de...
-+=