Ele perguntou se eu preferia maçã, conta vítima de racismo em Confins

Preso em flagrante por injúria racial, advogado terá que pagar R$ 3.000 de fiança

Foto: Mariela Guimarães / O Tempo
Cidades – Do dia – Vespasiano MGAdvogado foi conduzido para a delegacia da Policia Civil de Vespasiano por ter sido retirado de um voo devido a uma acusacao de injuria racial . Na hora do check

Advogado, engenheiro e estudante de medicina na Bolívia. Esse é o perfil acadêmico do homem preso em flagrante na manhã desta sexta-feira suspeito de ter cometido injúria racial a uma funcionária negra da companhia aérea Azul no Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele teria oferecido uma banana à agente de uma companhia aérea enquanto realizava o check-in de sua viagem para o Mato Grosso do Sul.

De acordo com a funcionária Aline Tatiana Campos, 35, desde o momento em que chegou ao balcão de conferência do bilhete de embarque, o advogado já apresentava um comportamento irônico. “Eu perguntei para onde ele estava indo e ele respondeu, ‘para o céu’”, contou.

A confusão começou quando a funcionária fez a cobrança da taxa de despacho de bagagem de Silva, por não constar em seu sistema a identificação de que se tratava de um cliente vip da empresa – que conta com alguns benefícios, como, por exemplo, maior franquia de bagagens.

Segundo Aline, o homem teria insistido, de forma grosseira, que era um cliente preferencial, e apresentado o comprovante de beneficiário em seguida. Ela, então, teria pedido ajuda a uma colega de trabalho para dar prosseguimento ao atendimento, comprovando que, de fato, se tratava de um cliente preferencial.

Ao deixar o balcão, o homem teria retirado de dentro das malas duas sacolas e deixado-as, aparentemente de forma proposital, no carrinho de bagagens. Ao teria retornar ao local, encontrando com a funcionária no meio do caminho, ela a questionou se ela não tinha esquecido algo. “Eu cheguei a pensar se tinha deixado de fazer algo no atendimento, mas não tinha”, afirmou Aline.

Mesmo com a recusa da funcionária, o homem teria insistido e oferecido uma banana a ela. “Fiquei em choque, e ele me perguntou se eu preferiria uma maçã”, contou. Ana Paula Dias, 27, que também é agente de aeroporto, confirmou o relato de Aline sobre os fatos.

Após o relato da funcionária à gerência, a Polícia Federal de plantão do aeroporto foi acionada. O homem chegou a embarcar na aeronave, mas foi retirado e encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal, no bairro Gutierrez, região Oeste da capital, e, depois, conduzido à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Vespasiano, onde prestou depoimento e foi preso em flagrante por crime de injúria racial. Ele pode pagar fiança de R$ 3.000. Até o encerramento desta reportagem, ele ainda aguardava que alguém fosse a delegacia para realizar o pagamento.

À reportagem, ele disse que situação trata-se de mal entendido e contou que tem o hábito de dar frutas para os funcionários do aeroporto quando fica em hotéis, uma vez que leva os alimentos do café da manhã para presentear. “Não consigo entender o que está acontecendo. Eu não vejo a ligação da pessoa com a banana. Isso se a gente tivesse falando de pessoa de cor, mas ela não é de cor, ela tem a mesma cor que eu quase, não tem como entender a situação”, afirmou.

A colaboradora lamentou a postura do advogado e disse que irá ajuizar uma ação contra o homem.

A BH Airport, responsável pelo aeroporto de Confins, disse que não vai se pronunciar sobre o ocorrido. Já a companhia Azul, por meio de nota, informou que “já está prestando assistência à sua Tripulante e que não vai comentar o caso para não atrapalhar o inquérito policial”.

 

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