Escrita de mulheres negras será tema de painel em conferência internacional

Painel sobre voz e escrita de mulheres africanas e afrodescendentes ocorrerá durante a conferência Activisms in Africa

O painel intitulado “Lusofonia, Periferia e Resistência: a voz e escrita contemporânea de mulheres africanas e afrodescendentes” discutirá sobre mulheres negras que utilizaram a escrita para falar sobre suas lutas, dores e que retratam seus ativismos através da palavra. O painel faz parte da 3a Conferência Internacional de Ativismo em África e irá ocorrer no dia 14 de setembro de 2021, às 13 horas, com acesso pela plataforma Zoom.

O painel contará com a participação de intelectuais que trarão para a conversa estudos sobre escritoras negras e a potência dessas escritas. Entre as participantes, com seus respectivos temas, estarão: Susan de Oliveira, também coordenando a conversa, com o tema “Cordel de vozes ancestrais: as ‘Heroínas Negras Brasileiras’, de Jarid Arraes”; Margarida Rendeiro que falará sobre “Contos de Lisboa de Mónica de Miranda e as (in)visibilidades da cidade pós-colonial”; Isis Barra Costa discorrendo sobre “Vírgulas dos lapsos de nossas lembranças: os fragmentos da herança jacente de Beatriz Nascimento” e Federica Lupati narrando sobre as “Vozes femininas negras: um olhar sobre ‘Esse Cabelo’ de Djaimilia Pereira de Almeida e ‘Olhos d’Água’ de Conceição Evaristo”.

O diálogo entre as participantes possui como foco o poder da escrita e da voz para as mulheres negras. Em um mundo em que as mulheres africanas e afrodescendentes ainda sofrem múltiplas formas de opressão, a escrita surge como uma forma de externalizar e se torna para além disso uma ferramenta de luta e resistência, como também faz com que as escritoras se tornem referências que fortalecem a identidade das meninas e futuras mulheres negras.

A 3a Conferência Internacional de Ativismo em África ocorrerá virtualmente e será repleta de painéis e mesas de debates. Realizados entre os dias 14, 15 e 16 de setembro, todas as sessões também abordarão temas relacionados aos novos perfis do ativismo social e as perspectivas de mudanças trazidas pelos mesmos. O evento é organizado pelo Instituto de Estudos de África da Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade Federal da Paraíba, o Centro de Estudos Internacionais do Iscte (CEI-Iscte) e o Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral (CESAC) de Bissau.

Informações técnicas:

Título: Mesa preparatória 13 – Lusofonia, Periferia e Resistência: a voz e escrita contemporânea de mulheres africanas e afrodescendentes

Data de realização: 14 de setembro de 2021

Acesso: Plataforma Zoom

Horário: 13h (Brasília); 15h (Cabo Verde); 16h (Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe); 17h (Angola, Portugal); 18h (Moçambique) Organização: Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, Centro de Estudos Sociais CESAC e o Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral (CESAC) de Bissau.   

Apoio: Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Participantes:

Susan de Oliveira (painelista e organizadora): Doutorado em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa pelo Instituto Camões, Lisboa (2009). Pós-doutorado em Literatura Comparada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (2015). Pós-doutorado em Estudos Africanos pelo ISCTE, Lisboa (2020). Professora associada II do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da UFSC.

Margarida Rendeiro (painelista e organizadora): Investigadora de Pós-Doutoramento no CHAM – Centro de Letras da Universidade Nova de Lisboa. É professora Auxiliar da Universidade Lusíada de Lisboa. Doutorado em estudos portugueses.

Federica Lupati (painelista e organizadora): Doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa. Com estudos sobre o Hip Hop em África e Portugal.

Isis Barra Costa (painelista): PhD em Literatura Comparada na New York University, onde também recebeu um MA em Literatura Inglesa. Sua área de especialização são as abordagens interdisciplinares da literatura e da cultura brasileira (norte-americana e hispânica / anglófona do Caribe). Performance afro-brasileira, artes visuais, literatura e poema / oratura.



*Ana Julya Carvalho é aluna do segundo período do curso de jornalismo da UFCA

** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE. 

+ sobre o tema

Mulher, médica e negra – por Dra Katleen Conceição

Oi! Quando minha querida amiga e paciente me pediu esse...

A Globeleza está vestida

Pela primeira vez em muitas décadas, a Globeleza deixou...

Realizar tarefas domésticas cria filhas mais ambiciosas, revela estudo

Os pais, que querem que suas filhas sigam para...

‘Por que eu, homem, não sou bem-vindo no movimento feminista?’

Existem debates que batem cartão nos grupos sobre feminismo...

para lembrar

Encrespa Piauí: empoderamento e valorização da estética negra

O Encrespa Piauí é um projeto que visa fortalecer...

São Paulo publica estudo sobre mobilidade das mulheres na cidade

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) acaba de...

Elza Berquó: “O sexo é um direito das mulheres na velhice”

A demógrafa identifica um novo comportamento nas mulheres acima...

Entre superações, derrotas e medalhas, mulheres ditam Olimpíadas da igualdade

Nem uma a menos. Após a participação feminina chegar a 45,6%...
spot_imgspot_img

Elogio ao estupro e ódio às mulheres

Nem sempre é fácil dizer o óbvio. Mesmo porque, quando essa necessidade se impõe é fundamental entender as razões que estão por trás dela. Mas...

Angela Davis: “O desafio é manter a esperança quando não vemos sinais”

Angela Davis, filósofa professora americana, é como uma estrela de rock do ativismo pelos direitos humanos e do movimento negro. Sua popularidade atravessa gerações...

IBGE: mulheres assalariadas recebem 17% menos que os homens

Dados divulgados nesta quinta-feira (20/06) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a disparidade salarial entre os gêneros no Brasil se mantém em...
-+=