Estudo: empresas que contratam LGBT ganham eficiência

Impensável. Era essa a resposta quando alguém perguntava ao recrutador sobre a possibilidade de contratar profissionais assumidamente LGBT. Na maioria das vezes, o candidato precisava omitir a sua orientação sexual tanto no momento da entrevista quanto na rotina de trabalho.

por Roberta Queiroz no Panrotas

O preconceito, obviamente, ainda existe e reproduz cenários como esse. No entanto, a demanda pelo respeito e inclusão tem ganhado força ao longo dos últimos anos e, consequentemente, empregado essas pessoas graças ao seu potencial e não aos seus gostos e interesses pessoais.

Apple, IBM, Facebook e Starbucks são algumas das grandes empresas que se engajaram e se transformaram em referência global quando o assunto é inclusão de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em suas equipes e cargos de liderança. O interesse, segundo as marcas, não é estritamente financeiro. Há um quê de justiça social.

“O que buscamos é construir um espaço em conjunto, oferecendo as mesmas oportunidades a todos. O retorno financeiro, se vier, é apenas uma consequência”, argumentou a diretora de Diversidade e Inovação da IBM no Brasil, Adriana Ferreira.

A consequência, inclusive, foi comprovada por uma pesquisa recém divulgada pela revista Management Science. Após entrevistar cinco mil empresários norte-americanos, o estudo comprovou que as empresas que empregam profissionais LGBT tiveram aumento de 8% nos registros de patentes. Segundo os pesquisadores responsáveis pela análise dos dados, esses trabalhadores são mais criativos e estão dispostos a arriscar.

Questionada sobre o resultado, a diretora de Diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), Jorgete Lemos, afirmou que a explicação desse fenômeno habita nos corredores das próprias empresas. “A partir do momento em que se contrata um funcionário assumidamente homossexual promove-se um ambiente igualitário que vai instigá-lo a criar e fazer inovações”, observou.

BRASIL
Como citado anteriormente, o preconceito ainda é realidade. Uma pesquisa promovida pela empresa de recrutamento e seleção Elancers com dez mil empregadores indicou que 20% das empresas com base no Brasil negam a contratação de homossexuais. O documento também mostra que 7% não contratariam um LGBT “de modo algum”, enquanto 11% só pensam na possibilidade de contratação se o profissional fosse impedido de chegar a um cargo de chefia.

O medo de vincular a imagem da empresa ao movimento LGBT é o argumento número uma das companhias. O diretor e presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, repreendeu o resultado. “As empresas estão perdendo profissionais excepcionais. Precisamos avançar e deixar de lado os tabus e os costumes que adquirimos com o tempo, porque quem detém o conhecimento não é só uma classe social, mas toda a humanidade”, disse.

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