terça-feira, dezembro 6, 2022
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Estudo encontra discriminação racial em anúncios no Google

Estudo da Universidade Harvard encontrou indícios de discriminação racial em anúncios relacionados a buscas no Google.

De acordo com a pesquisa de Latanya Sweeney, cientista da computação que dá aulas na instituição, buscas por nomes mais comuns entre negros têm probabilidade 25% maior de gerar publicidade que presume que pessoas batizadas daquela forma já foram presas. A estudiosa comparou o resultado com nomes mais usados por brancos.

Os links para anúncios no Google são exibidos de acordo com as palavras buscadas, e os anunciantes participam de um leilão on-line para garantir o direito de associar suas propagandas a elas. A Google também oferece tecnologia que associa anúncios ao conteúdo de outros sites.

A pesquisadora realizou buscas com dezenas de nomes frequentemente associados a cada uma das duas raças. O banco de nomes foi obtido por meio de estudo anterior que analisou a discriminação nos locais de trabalho.

O trabalho concluiu que buscas por nomes predominantemente negros, como Leroy, Kareem e Keisha, resultavam em anúncios que diziam “Preso?”, com link que redireciona para um site especializado em informar histórico criminal. A estudiosa foi surpreendida pela mesma propaganda quando pesquisou seu próprio nome na ferramenta de buscas — Latanya é nome comum entre negros nos EUA, e a pesquisadora é afrodescendente.

Quando a pesquisa era feita com nomes mais usados para batizar brancos, porém, os anúncios gerados promoviam sites de busca de contatos.

O anunciante é um site Instant Checkmate, que oferece informações sobre o passado criminal das pessoas, além de dados sobre histórico de estado civil e de contribuições à caridade. As informações, a página alega, são públicas e disponibilizadas por órgãos do governo.

“Há discriminação na veiculação desses anúncios”, conclui o estudo, acrescentando que a probabilidade de que a associação de nomes mais usados por negros a esses anúncios seja apenas coincidência é inferior a 1%. “Ao lado de notícias sobre atletas colegiais e crianças pode haver um anúncio com o nome do jovem sugerindo que ele já esteve preso.”

A pesquisadora disse ainda que o estudo não pode concluir quem é o culpado pela situação, se a Google, a anunciante ou a própria sociedade.

Em resposta à BBC, a Google disse que a escolha das palavras-chave associadas às propagandas são de escolha dos anunciantes e que a política da companhia combate a veiculação de propagandas com potencial de ofender pessoas, grupos e outras empresas. O Instant Checkmate ainda não se pronunciou publicamente sobre a pesquisa.

O estudo completo pode ser lido neste link (em inglês).

Fonte: Globo

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