‘Eu me recuso a ser assistente pessoal da minha filha’

Quando a espanhola Noelia Lopez-Cheda passou a participar de um grupo de Whatsapp entre os pais dos colegas de escola de sua filha, ela achou que seria uma ótima ideia.

No BBC

Alguns meses depois, estava totalmente arrependida. Ela decidiu sair do grupo – e seu relato sobre os motivos que a fizeram mudar radicalmente de ideia virou um sucesso na internet.

Mas o que aconteceu?

“Pensei que seria uma boa forma de ficar em contato com os outros pais e saber de atividades, notícias e eventos importantes”, disse Noelia à BBC.

“Para muitos pais ocupados, era uma forma de economizar tempo”.

Mas logo o grupo “virou um monstro”, segundo ela. Noelia passou a viver em meio a um turbilhão de mensagens sobre deveres de casa, leituras recomendadas e notas de provas.

noelia_lopez

O telefone apitava a noite toda, e a memória do celular de Noelia foi em boa parte consumida pelo grande volume de mensagens sobre a vida escolar de sua filha, Emma.

Até que, em certo dia, Noelia diz ter “visto a luz”.

Ela havia acabado de chegar em casa do trabalho quando Emma, na época com 9 anos, disse que havia esquecido de trazer para casa o dever de matemática e pediu para a mãe pedir uma cópia dos exercícios pelo grupo de Whatsapp.

Noelia pegou o telefone imediatamente e começou a escrever uma mensagem, mas parou subitamente.

“Olhei para o celular e pensei: ‘O que estou fazendo? Chega'”, ela conta.

Consequências

Apesar da reclamação de sua filha, a menina teria que ir para a escola no dia seguinte com as mãos abanando e enfrentar a consequência de ter esquecido de levar o dever para casa.

“Eu me recuso a ser a agenda escolar da minha filha por meio de um grupo de Whatsapp. Eu me recuso a ser quem faz seu dever de casa. Eu me recuso a voltar a ser uma estudante e eu me recuso a ser superprotetora a ponto de assumir as responsabilidades da minha filha”, ela disse neste dia no Facebook, onde o post recebeu muitos comentários dos amigos.

Um deles sugeriu que ela criasse um blog para falar sobre o assunto. O primeiro texto fez sucesso instantaneamente.

“Em duas horas, foi visto por 11 mil pessoas. No dia seguinte, já eram mais de 100 mil. E ultrapassou 500 mil no fim de semana”, ela diz.

Até agora, o blog já recebeu mais de 1 milhão de visitas. Nele, Noelia diz que muitos pais se tornaram assistentes pessoais de seus filhos e que isso é errado.

“Passei a fazer o blog porque estava muito preocupada com milhas filhas e o fato delas não serem proativas. É um problema muito comum nas empresas para as quais dou palestras. Nelas, as pessoas esperam receber instruções em vez de terem iniciativa”, afirma Noelia à BBC.

Noelia também tem seus críticos. Nos comentários nas redes sociais e no seu blog, algumas pessoas se manifestaram contra sua opinião e a consideraram uma “péssima mãe”.

Mas ela diz que a maioria das reações são positivas.

“Deve ser algo bem comuns nas famílias que tem crianças em idade escolar, porque muitas mães disseram se identificar comigo, com o que digo. Elas sabem que superptoteção pode ser um problema. Ajudei a tirar algumas dúvidas, e acho que é daí que vem o sucesso.”

+ sobre o tema

Sarney e Maia destacaram a presença de uma mulher na Mesa diretora

A cerimônia que deu início aos trabalhos legislativos da...

Justiça de MT autoriza aborto de feto anencéfalo em Lucas do Rio Verde

"Obrigar uma mulher a manter durante nove meses a...

Gênero nos espaços públicos e privados

O estudo "Mulheres brasileiras e gênero nos espaços públicos...

Thorning-Schmidt é nomeada primeira-ministra da Dinamarca

A líder dos social-democratas dinamarqueses, Helle Thorning-Schmidt, foi oficialmente...

para lembrar

Sessão extraordinária na Câmara vai colocar em votação 7 projetos de Marielle

Na próxima quarta-feira (2) será realizada uma sessão extraordinária...

#GeledésnoDebate: “Não houve respaldo legal para a esterilização de Janaína”

#SomostodasJanaína# Por Kátia Mello Janaína Aparecida Quirino, 36 anos, moradora em...

Governo defende liberar aborto

Programa federal retoma polêmica e recomenda ao Congresso descriminalizar...
spot_imgspot_img

Homens ganhavam, em 2021, 16,3% a mais que mulheres, diz pesquisa

Os homens eram maioria entre os empregados por empresas e também tinham uma média salarial 16,3% maior que as mulheres em 2021, indica a...

Escolhas desiguais e o papel dos modelos sociais

Modelos femininos em áreas dominadas por homens afetam as escolhas das mulheres? Um estudo realizado em uma universidade americana procurou fornecer suporte empírico para...

Ministério da Gestão lança Observatório sobre servidores federais

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) lança oficialmente. nesta terça-feira (28/3) o Observatório de Pessoal, um portal de pesquisa de...
-+=