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Eu sou comunista!

Há 50 anos me tornei comunista! Foi em maio de 1968, quando conheci José Francisco Neres que é o pai da querida Ana Tereza Moreira Neres! Há muitas décadas, tenho estado na luta por um mundo justo e fraterno. Foi assim que aprendi de Karl Marx o que já tinha aprendido com Jesus de Nazaré!

Por Diva Moreira em seu Facebook 

Reprodução/Facebook

Antes, durante e até hoje sou cristã e seguidora do Divino Mestre!

Na Igreja Católica do Bairro da Serra em Belo Horizonte, aprendi com os padres dominicanos a Teologia da Libertação, a fé no Deus da Vida que se concretiza nas lutas para retirar os pobres da miséria e da injustiça.
Ou seja, ao longo de minha vida e mesmo antes de me tornar comunista, tenho dedicado meu tempo, inteligência, recursos materiais e financeiros em prol do bem estar das pessoas, e das coletividades.
Assumi com a maior dedicação possível causas libertárias e humanísticas. Participei do movimento estudantil contra acordos como o MEC-USAID e a privatização da ensino. Na clandestinidade, estive na luta contra a ditadura militar em várias frentes: contra a censura à imprensa (estava fazendo o curso de jornalismo), pelos direitos à remuneração justa quando a classe operária era super explorada via arrocho salarial.
Ainda durante a ditadura, fui às ruas em defesa das mães que não tinham onde deixar suas crianças. Era a luta pró-creche! Também durante essa época emprestei a minha voz em defesa das mulheres brancas e ricas assassinadas pelos seus maridos ou companheiros “pela justa defesa da honra”, segundo juízes machistas e misógenos!! Era a Campanha Quem Ama Não Mata que, infelizmente, vem sendo retomada em razão do aumento do feminicídio. A luta feminista é um marco permanente em minha vida.

Tive a honra de lutar pela Reforma Sanitária em meu país. Dessa luta resultou numa das maiores conquistas dos sanitaristas comunistas e progressistas: o SUS – Sistema Único de Saúde. Queríamos uma saúde de excelente qualidade para todos os brasileiros e brasileiras, de quaisquer classes sociais, cor/etnia, gênero e preferência sexual. Um sistema que promovesse a saúde com equidade e integralidade, e que acabou sendo modelo para outros países.

Se o SUS vem sendo atacado por seus inimigos e aliados do poderoso lobby da medicina de grupo, dos planos de saúde, e não se tornou o sistema do sonho dos comunistas, é parte das vicissitudes da história da luta de classes. Mas estava lá com muitas pessoas que já deixaram este plano material, como Carlos Gentile de Melo, Sérgio Arouca, Célio de Castro, Chicão, Zecão, e tantos outros homens e mulheres generosas que não queriam ver desassistida a nossa gente, ver morrendo a nossa gente, sem um atendimento digno e de qualidade.

Sob as contínuas ameaças em que vivíamos durante os anos de chumbo, prossegui na luta e defendi uma causa que poucos tinham defendido até então: os chamados loucos quase enjaulados nos hospitais psiquiátricos de Barbacena. Na ocasião, conheci pessoas generosas que se dedicaram a essa luta como Franco Basaglia, Cesar Rodrigues Campos, Antônio Simone e Roseni Sena, entre outros também falecidos.

Quase no final da ditadura estava na luta pelas DIRETAS-JÁ e no movimento pela anistia aos presos políticos e pela reparação das atrocidades cometidas pela ditadura militar.

Depois da ditadura, ajudei a fundar a Casa Dandara e passei a lutar incansavelmente contra o racismo, por justiça e equidade racial e pelas políticas de ação afirmativa.
Também emprestei a minha voz em defesa das crianças e adolescentes e, assim, criamos o ECA – Estatuto de Direitos da Criança e do Adolescente, tão atacado pela direita que acha que “a violência aumentou depois do Estatuto porque menor pode fazer o que quiser e que a polícia prende e os direitos humanos vai lá e solta”!!

Ah, isso é muito importante!! Em 2001, fui assessora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e um dia recebi um pequeno grupo de policiais militares que foram nos procurar para relatar a iníqua acusação de assassinato sofrida por um colega na primeira greve da PM em Minas Gerais. Com o coração partido de ouvir a injustiça que mantinha aprisionado o inocente soldado, lá fui eu abraçar a sua causa e lutar para que a justiça prevalecesse contra a mentira!

Tivemos algumas derrotas, como acontece na história da humanidade com seus avanços e recuos, mas lutar eu bem que tenho lutado! Não nego que nós comunistas cometemos erros no passado, mas falo com a maior pureza d’ alma: não há saída para a humanidade via capitalismo.

O capitalismo, sobretudo nessa fase de neoliberalismo exacerbado, nunca ofereceu, e agora menos ainda pode oferecer, direitos sociais e qualidade de vida, a não ser na Europa do pós-guerra nos breves 30 anos de estado de bem estar social.
É um sistema insustentável sem compromisso com as gerações futuras, e que está pondo em risco a sobrevivência de Gaia, a nossa Mãe Terra. É um sistema inerentemente produtor de iniquidades, injustiças, desigualdades, guerras, fome, violência e todas as formas de opressão, como o racismo, a homofobia, a misoginia e a xenofobia.

O capitalismo é inerentemente anti-democrático! Controla, por exemplo, um dos mais poderosos instrumentos de formação de mentalidade e de consciência que são os meios de comunicação de massa. Também chamados de grande imprensa ou de mídia, dentre tantos outros como as igrejas, a cultura, a propaganda, e a família.

Quem controla o poder no sistema capitalista não é o voto popular e o regime tripartite: executivo, legislativo e judiciário. Não. Quem controla é o Deus Mercado que destrói nações e economias inteiras com os famosos choques especulativos. O “Mercado” impõe suas agendas e suas ideologias, corrompe políticos, financia burocratas e elites dos poderes da república para fragilizar a democracia e mesmo destruí-la, em nome da luta contra a corrupção e contra nós, os comunistas!

Tenho que parar por aqui. Resolvi escrever este longo texto para me apresentar a vocês como comunista. Não quero falar mais de mim porque sei, como boa mineira, que elogio em boca própria é vitupério.

Tomei esta decisão porque nesta campanha eleitoral o anti-comunismo anda à solta assustando pessoas desavisadas. Desde o lançamento do Manifesto Comunista, em 21 de fevereiro de 1848, essa é, provavelmente, a maior fake new (notícia falsa) da história do ocidente!

Continuo na luta! Agora, de modo incansável para derrotar um candidato que promete destruir a democracia e todas as conquistas sociais e civilizatórias!
Que o Deus de Jesus Cristo, Nossa Senhora Aparecida, Oxalá e Tupã nos proteja de todo o mal, e nos conduza à Terra sem Males dos Povos Originários e ao Bem Viver dos Indígenas latino-americanos!

Diva Moreira, Sabará, 24 de outubro de 2018

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