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Evento estudantil sofre ‘ataque de intolerância’, segundo organização

Evento estudantil sofre ‘ataque de intolerância’, segundo organização

A 3ª Semana Cultural do Curso de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), realizada pelo Centro Acadêmico Sete de Março, sofreu “ataque de intolerância”, de acordo com a organização. A situação aconteceu após a realização da “Oficina de Siririca”, para discutir saúde e sexualidade feminina, na noite de segunda-feira (6). Uma cortina feita com tecido TNT, contendo as cores da bandeira LGBT, foi afixada após a oficina, às 23h de segunda-feira (6), mas foi retirada, sem qualquer explicação, por volta das 7h desta terça-feira (7).

Por Fernanda Circhia, do  Bonde

Segundo a diretoria do Centro Acadêmico Sete de Março, é o terceiro ano que o grupo, em parceria com outros movimentos, organizam a semana cultural na universidade. “A gente busca abordar temas sensíveis e dar espaço às minorias. Mas é o primeiro ano que fomos diretamente atacados.”

O primeiro dia da semana cultural foi dedicado ao Mietta Santiago – Coletivos de Mulheres do Direito UEL. Várias atividades foram realizadas desde as 9h de segunda-feira (6). Assuntos como assédio, violência, sexualidade, aborto, autodefesa, rodas de conversas e a polêmica “Oficina de Siririca” foram tratados junto ao público.

“A ‘Oficina de Siririca’ não é um workshop com tutorial para fazer siririca, mas, sim, um espaço reservado para mulheres falarem sobre sua aflição e sexualidade. O nome é para provocar, para chamar mais atenção”, afirmou a diretoria.

Segundo o coletivo de mulheres, em 2015 mais de 80 mulheres participaram da primeira edição da “Oficina de Siririca”. Neste ano, foram cerca de 20. E o nome, além de chamar a atenção, é também para despertar a curiosidade do debate.

Já esta terça-feira (7) está reservada para as atividades do movimento LGBT. Como intervenção, os membros do movimento afixaram uma cortina feita com tecido TNT com as cores da bandeira colorida na noite de segunda-feira (6). Na manhã desta terça-feira (7), a cortina simplesmente não estava mais lá.

“O pessoal do movimento ficou arrasado, mas a cortina foi colocada novamente. Agora, estamos tomando providências para descobrirmos os responsáveis. Estamos com um pouco de medo do resto da semana cultural. Mas as atividades vão continuar sendo realizadas todos os dias.”

De acordo com o estudante Henrique Gabriel Barroso, do Movimento LGBT, além da cortina retirada, painéis que haviam sido colocados para as atividades desta terça-feira (7) foram virados.

“Tive de correr para fazer outra cortina. Não sabemos quem foi ainda, mas gostaríamos que respeitassem nosso espaço e entendessem que nossa visibilidade é importante e nossas causas existem.”

Conforme o coletivo de mulheres, todas as instalações para a semana cultural têm permissões do centro. E em relação às verbas destinadas para a semana cultural, não passaram de R$ 100. “Nenhum dinheiro saiu da universidade, é tudo arrecadado ao longo do ano com eventos do curso”, esclarece o Centro Acadêmico Sete de Março.

Para a diretoria, a universidade não é um espaço de censura. “As minorias precisam de visibilidade, o mundo precisa de mais amor e respeito. Quem fez isso não pensou que um ato tão esdrúxulo significa muito mais para quem sofre preconceito do que para quem pratica. Se não conseguem aceitar, pelo menos respeitem os pouquíssimos espaços que esses movimentos conseguem.”

Confira a programação completa da 3ª Semana Cultural de Direito da UEL.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da universidade. No entanto, esta informou que não está por dentro das situações ocorridas entre a noite de segunda-feira (6) e a manhã desta terça-feira (7).

(Com informações do repórter Luís Fernando Wiltemburg

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