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Feira Black vai abordar questões raciais e reunir moda, música, gastronomia e dança

Feira Black vai abordar questões raciais e reunir moda, música, gastronomia e dança

O sonho de Rayssa Paixão sempre foi de ser modelo. Mas uma coisa a impedia de pisar nas passarelas ou posar para uma lente: o preconceito. Com o tempo, o sonho foi ficando de lado. Há dois anos e meio, começou a trabalhar com penteados africanos, atividade que aprendeu com a irmã mais velha. Ano passado, surgiu o primeiro convite: um desfile no Parque Madureira para uma grife africana. Lá conheceu o coletivo Achantes, organização de mulheres negras que luta pelo empoderamento feminino. No grupo, ela desfila, participa de ensaios fotográficos e eventos:

Por Cíntia Cruz Do Extra

— Todo mundo falava que eu tinha que emagrecer porque ninguém quer modelo gorda, mas com o Achantes foi diferente. Fui aceita pelo meu visual.

O coletivo será uma das atrações da Feira Black, neste domingo, no Espaço João Cândido, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O evento vai reunir 26 afroempreendedores, além de apresentações artísticas, palestras, música, moda e gastronomia.

— É um projeto autosustentável para fortalecer o movimento negro na região — explica o organizador Marcos Paulo da Silva.

O coletivo Achantes, do qual faz parte a Rayssa, vai levar mulheres negras para desfilar a temática africana.

— Nossa ideia é realçar a beleza negra com estereótipos diferentes e quebrar o padrão imposto pela sociedade, através de parceria com afroempreendedores — torce a idealizadora e produtora do Achantes, Danielaine Macedo.

Na mesa de debates, temas como perseguição às religiões de matrizes africanas, racismo institucional e a Comissão da Verdade da Escravidão serão abordados.

— Este evento motiva o povo negro para que ele possa se reencontrar — acredita Leila Regina, assessora de relações de gênero da Casa da Cultura, idealizadora.

O grupo Dandalua de Danças Populares é uma das atrações artísticas. A coordenadora Mônica Ferreira conta que o evento tem a mesma proposta do grupo, de levar cultura de matriz africana à região:

— A ideia é disseminar essa cultura que está se perdendo. A gente ensina e se apresenta ao mesmo tempo.

A feira terá ainda uma homenagem à ialorixá Mãe Beata de Iemanjá, que morreu no último dia 27, aos 86 anos. O evento será das 9h às 17h. O Espaço João Cândido fica na Avenida Comendador Teles s/nº, na Praça da Bandeira.

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