Feministas se elegem vereadoras em busca de representatividade para mulheres

Em 2016, um grupo de vereadoras se elegeu prometendo a eleitores levar representatividade feminina às câmaras municipais, um espaço tradicionalmente composto por maiorias masculinas. Num ano em que as redes sociais impulsionaram questões como violência contra mulheres e inclusão, candidatas de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Niterói e Belo Horizonte encontraram terreno fértil para divulgar suas propostas.

Do Extra 

 

No Rio, Marielle Franco (PSOL) foi a quinta vereadora mais votada e está entre as oito mulheres eleitas — em um total de 51 cadeiras da Câmara. Em seu perfil no Facebook, a vereadora fala da importância da representatividade feminina. “Sempre precisamos disputar o nosso lugar na sociedade. Seja na luta pela vida nos nossos lugares de moradia como na favela, subúrbio e espaços populares, seja pela falta de representatividade na política. Nós mulheres estamos historicamente disputando nosso lugar no trabalho, na vida pública e na política, que é caracterizada pela ausência feminina nesse espaço de decisão”.

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No Rio, Marielle Franco (PSOL) foi a quinta vereadora mais votada e está entre as oito mulheres eleitas Foto: Facebook / Reprodução

Já Talíria Petrone (PSOL), de Niterói, é a vereadora mais votada da cidade, que elegeu apenas duas mulheres entre as 21 vagas possíveis. Ao falar sobre seus projetos, Talíria diz estar comprometida por uma cidade inclusiva. “Uma Niterói para as pessoas: mulheres, LGBTTs, negras(os), trabalhadoras(es). Acreditamos ser fundamental ampliar a presença de mulheres na Câmara Municipal de Niterói, mas com um mandato que seja instrumento das lutas feministas, antirracistas e populares”.

Talíria Petrone (PSOL), de Niterói, foi a vereadora mais votada da cidade Foto: Facebook / Reprodução
Talíria Petrone (PSOL), de Niterói, foi a vereadora mais votada da cidade Foto: Facebook / Reprodução

Na cidade de São Paulo, de 55 vereadores, nove são mulheres — duas delas com forte apoio em causas feministas. Conhecida por debates e muita militância, Sâmia Bonfim (PSOL) promete romper com a maneira como a política funciona hoje. “Aceitei o desafio de expressar em uma candidatura esta nova onda de ativistas que reinventa a todo momento a forma de fazer política. Por ser uma jovem trabalhadora que luta para estudar, trabalhar, militar e viver em São Paulo desde os 17 anos, sei das dificuldades que as mulheres e a população paulistana enfrentam diariamente”, diz.

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Sâmia Bonfim (PSOL) é conhecida pelo ativismo em causas feministas Foto: Facebook / Reprodução

A segunda feminista a se eleger na capital paulista é Juliana Cardoso (PT), já no segundo mandato. A vereadora costuma abordar, entre outros temas, a histórica luta das mulheres por espaço. “Desde o movimento sufragista no século XIX até a Constituição de 1932, vivemos uma luta contínua para que a mulher possa votar e ser votada. Para que uma mulher como eu pudesse estar, hoje, no parlamento”, escreveu em artigo publicado na Folha de São Paulo.

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Juliana Cardoso (PT) se reelegeu como vereadora de São Paulo Foto: Facebook / Reprodução

Em Belo Horizonte, Áurea Carolina (PSOL) foi a mais votada entre os candidatos à câmara municipal. Dos 41 vereadores escolhidos, três são mulheres. Entre os planos, que Prefeitura e a Câmara promovam políticas e ações específicas para as mulheres para “dar fim à violência machista e às desigualdades de gênero que persistem no âmbito doméstico, profissional, político e também no espaço público. O seu mandato deverá lutar por mudanças na cultura política e para que todas as políticas públicas tenham perspectiva de gênero, ou seja, contemplem as mulheres nas etapas de planejamento, execução e avaliação”, promete, em seu site.

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Áurea Carolina, de Belo Horizonte, foi a vereadora mais votada Foto: Facebook / Reprodução

 

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