Funcionária de Subway é chamada de ‘Escrava Isaura’ por gerente

Há dois meses trabalhando como operadora de caixa na filial do Subway, localizada no bairro de Madureira, no Rio, Rosilene Medeiros, de 30 anos, se viu obrigada a pedir demissão após ver que a gerente do estabelecimento publicou uma foto sua limpando o balcão do local com a seguinte legenda: “Protagonista da novela escravasaura (sic)”. A jovem não suportou inúmeros comentários racistas da chefe, e preferiu ficar desempregada.

Por Samanta Vicentini, do Extra 

— Ela estava tirando várias fotos da loja neste dia e eu estava limpando o balcão. Vi que ela tirou a foto e pedi que ela não publicasse, afinal, eu estava de joelhos limpando a vitrine. E mesmo pedindo para não publicar, ela foi lá e colocou a foto e ainda escreveu isso — disse Rosilene.

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Foto: Reprodução / Facebook

Dias depois do ocorrido, Rosilene ficou curiosa com as fotos e foi procurá-las através do perfil de uma amiga. Quando encontrou a publicação, passou mal.

— Minha filha de sete anos ficava me perguntando por que eu estava nervosa, por que eu me tremia e chorava tanto. Como vou explicar isso para uma criança dessa idade? — desabafa.

Ainda chateada, a operadora de caixa foi confrontar a gerente sobre o registro e pediu para conversar sobre o ocorrido com o dono da loja, que alegou não ter visto ofensa e que a gerente do local estava elogiando Rosilene, porque a comparava com uma atriz.

— Eu falei pra ele: “Você sabe que ela me chamou de escrava, não sabe?” E ele insistiu que não, que ela tinha falado me comparando a uma atriz — conta.

Motivada pela sequência de acontecimentos, Rosilene decidiu pedir demissão e, orientada por um advogado, registrou um boletim de ocorrência na 29ª DP (Madureira) no dia 7 de junho. Como estava em período de experiência, a operadora de caixa recebeu R$ 80 de rescisão e, desde então, não conseguiu se recolocar no mercado de trabalho. Ao EXTRA, Rosilene conta que está cuidando do sobrinho e distribuindo currículos, mas ainda não conseguiu uma nova oportunidade.

Ainda magoada com o ocorrido, Rosilene relembra um outro episódio em que a gerente fez comentários racistas.

— O curioso é que no meu primeiro dia de trabalho, ela (a gerente) fez uma reunião com o pessoal. Ela vestia um casaquinho com a estampa de três macaquinhos, aí começou a falar: “Aqui na loja tem dois macaquinhos, agora estou procurando o terceiro macaquinho”. Ela falava isso e ria. Uma dessas pessoas foi tirar satisfação, mas ela insiste que fala essas coisas brincando.

Para Rosilene, a gerente da loja tem certeza da impunidade e até debochou quando foi chamada à delegacia para depoimento.

— Ela voltou para a loja falando que não ia dar em nada, que era amiga da delegada. Ela teve todas as chances de se desculpar, ser humilde, mas ela me humilhou. Tentou sair por cima, dizer que eu implorei para ser mandada embora quando, na verdade, eu pedi demissão. Não ia suportar mais um dia lá — finaliza.

Procurada pelo EXTRA, a gerente da loja não retornou as ligações.

Em nota, a Subway afirma que “não tolera qualquer tipo de racismo nos restaurantes da rede e o franqueado pede desculpas pelo mal-entendido. A rede afirma que vai reforçar o treinamento dos funcionários para evitar que fatos como este se repitam e lembra que sua equipe é orientada para agir de forma ética, cordial e respeitosa. O franqueado responsável por esta loja tomou medidas imediatas para orientar a gerente. A rede aguarda o resultado da investigação da polícia, está colaborando com os órgãos públicos na solução do caso e adotará as medidas cabíveis”.

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