Grandes escolas retomam a africanidade

 

Meu Deus, dessa vez, o tema da africanidade retornará com força brutal na Passarela do Samba em 2012. Vejam só: cinco grandes escolas escolheram como enredos de temas ligados à cultura afrobrasileira ou a África. Prometem, assim, sacudir as arquibancadas, as cadeiras de pista e os camarotes da Marques de Sapucaí quando passarem pela avenida dos desfiles.

GRES Imperatriz, GRES Beija-Flor, GRES Mangueira, GRES Portela e GRES Vila Isabel resolveram apostar em enredos sobre o Maranhão, Jorge Amado, Cacique de Ramos, Clara Nunes e Angola. As cinco vão brigar pesado para quem tem mais axé na avenida, no local, onde, no passado, era conhecido, reparem só, como “Pequena África”, como frisara o sambista Heitor dos Prazeres, no início do século XX.

Sinceramente: não creio que outra escola possa entrar nesta briga pesadíssima. Anotem o que estou falando: a campeã de 2012 sairá de uma destas cinco escolas.

A poderosa Beija-Flor, campeã ano passado, com certeza, pode ganhar outra vez com o enredo ” O poema encantado do Maranhão”. Em primeiro lugar, porque embora não seja uma escola recorrente ao enredo afro, a Beija-Flor quando aborda a africanidade sempre arrebenta ou provoca um turbilhão de emoções. Ou de protestos. Foi assim mesmo há quatro anos com o enredo “Africas”, lembram?, quando venceu o desfile numa boa, apesar daquele tititi que teria havido corrupção de jurados.

Além disso, com este enredo sobre o Maranhão, os carnavalescos de Beija-Flor, na certa, estão à vontade: vão brincar com a forte e incandescente cultura popular da terra de Sarney cuja base é de negros e índios. Com certeza, pode pôr na avenida carros maravilhosos. A cultura afromaranhense tem muita força na religiosidade ( a presença da cultura Ashanti), do reggae e na mitologia indígena se enrosca com a África .

A sofisticada Imperatriz, por sua vez, revisita o manjadíssimo tema da Bahia ( população com 80% de negros). Só que desta vez a escola foca seu enredo em Jorge, Amado, Jorge, o grande romancista baiano cujas personagens e enredos são baseados na cultura afrobaiana! Muita riqueza de dados para fazer um carnaval impecável, divino e maravilhoso. Jorge Amado e seus personagens afro é uma dose fortíssima para fazer as arquibancadas vir abaixo, não tenho dúvida.

Já a Verde e Rosa investiu acertadamente num tema de alta significância para o carnaval carioca: o Cacique de Ramos, bloco mitológico da zona da Leopoldina, que abrigou inúmeros pagodeiros de prestígio no mundo do samba (Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Arlindinho Cruz, Beth Carvalho etc).

Claro, contar/cantar a história do Cacique de Ramos é contar uma grande faceta da cultura afro: seu caráter envolvente, instigante, alegre, festeiro…! O Cacique, assim, se tornou uma cultura da cidade!

Viva a Mangueira!

E por falar, em zona norte, a divina Portela, finalmente, presta uma homenagem a sua grande diva, Clara Nunes, a grande intérprete dos sambas dos compositores da escola, em cuja rua, em Madureira, está assentada a escola fundada por Paulo da Portela. E o nome do enredo é tirado de um dos sambas interpretados por ela: ” …E o povo cantando é feito uma reza, um ritual”. Mas o enredo também não esquece a Bahia como fonte afro.

É, Portela, eu nunca vi coisa mais bela…!

E se o samba deu vida, vigor e identidade ao afrocarioca, a Vila Isabel resolveu prestar uma homenagem a Angola (” Você semba lá…Que eu sambo Cá. O canto livre de Angola”). Homenagem mais que perfeita. Em primeiro lugar, os afrocariocas descendem em sua maioria dos bantos, cultura/povo originário de Angola. E os primeiros guerreiros palmarinos eram da etnia jaga, de Angola. Em terceiro, as relações mais estreitas que os afrobrasileiros têm com a África se relaciona mais com Angola.

Enfim, estamos bem servidos em 2012

 

 

Fonte: Lista Racial

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