segunda-feira, novembro 28, 2022
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IBM Brasil fecha as portas para o preconceito LGBT

“Somos todos diferentes. Por isso somos especiais.” 

por Mariana Lemos TI+simples

Foi com esta mensagem que foram recebidos os participantes da 9ª reunião do Fórum de Empresas e Direitos LGBT, que desta vez aconteceu na sede da IBM Brasil, nesta segunda-feira, em São Paulo. Não me foi estranho saber que a Big Blue se orgulha em promover ações em prol dos diretos de gays, lésbicas, bisexuais e transexuais, mas confesso que sorri por dentro ao ver o porte do evento e o nível das discussões.

Me sentei na última fileira de cadeiras. De lá consegui ver um auditório lotado com funcionários IBM e de empresas como GE, Einsten, Google, Dow Química, Câmara de Comércio LGBT, Carrefour e Citibank, entre tantas outras. Coloquei no peito o bottom da campanha #zerodiscriminação, da Unaids, que ganhei na porta e ouvi a Adriana Ferreira, líder de Diversidade e Inclusão da IBM Brasil, falar que apenas em 2015, 321 funcionários da empresa participaram de 14 sessões de discussões sobre a cultura LGBT.

Ao longo do circuito de palestras e discussões, uma longa e forte salva de palmas (de pé, diga-se de passagem) para as recentes publicidades da marca O Boticário e Quem Disse, Berenice?, que demonstraram em rede nacional seu apoio a toda forma de amor. A IBM também reforçou suas políticas de diversidade, traduzidas nos 10 compromissos da empresa com a promoção dos diretos LGBT, recorrentemente comunicadas para todos os colaboradores da companhia.

No palco, grandes profissionais. Entre eles, Lucas Rossi, repórter da Revista Exame, que falou sobre o desafio de escrever a matéria,”Chefe, sou gay”, capa de uma das edições deste ano. Os executivos Ricardo Yuki – Superintendente da Área de Risco do City no Brasil – e Sérgio Giacomo – Diretor de Comunicação e Relações Institucionais da GE, que participaram da matéria como fontes, contaram suas impressões pós-publicação. “Muitos acreditam que defendendo diretos LGBT estamos privando direitos de outros, mas o que precisamos entender é que defendemos apenas a igualdade dos direitos humanos”, completou.

Também tive o prazer de entrevistar dois funcionários da comunidade LGBT da IBM para entender um pouco sobre o impacto da cultura da diversidade em suas rotinas. Vejam só.

Paulo Nassar, diretor-presidente da ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), apresentou  no encontro sua teoria de que  “a comunicação empresarial será mais gay, mestiça e feminina”. Lianne Nunes, funcionária transexual da IBM, foi entrevistada em um dos painéis. Ela contou sua luta para assumir no trabalho a mudança de sexo e agradeceu à Big Blue por todo o apoio, num bate-papo emocionante.

De acordo com a Consultoria Santo Caos, também presente, 16 milhões de brasileiros fazem parte da comunidade LGBT no Brasil. São 60 mil casais gays com união estável no País. A empresa conduziu uma pesquisa com funcionários de companhias brasileiras e descobriu que 40% dos entrevistados já sofreram discriminação direta no trabalho. Ainda segundo a consultoria, uma pesquisa realizada no Reino Unido revelou que empresas com cultura de diversidade sexual possuem 15% mais chance de superar suas metas.

O repórter da Exame falou para a plateia sobre a importância de abrir o diálogo LGBT nas empresas. A líder de Diversidade da IBM, Adriana Ferreira, contou que a grande preocupação da companhia é o preconceito velado, não só com pessoas LGBT, mas contra negros e obesos. Entre tantas discussões, polêmicas ou não, online ou offline, saí com a impressão de que falar é, sim, muito importante, mas fazer algo a respeito, ah, isso é louvável.

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