terça-feira, maio 18, 2021

Tag: Mercado de Trabalho

Foto: Valdecir Galor/SMCS

As mulheres estão no centro da crise humanitária da pandemia

A análise do movimento do mercado de trabalho em 2020, marcado pela pandemia, aponta que as maiores perdas estão relacionadas às mulheres. Elas formam a maioria no mercado de trabalho (53%), mas são as que amargam uma maior participação no desemprego atualmente (64,2%), segundo o IBGE. Apesar de mascarar a realidade com critérios que podem subnotificar a realidade, a PNADC (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua) traduz em números, pelo menos parcialmente, as dificuldades atuais encontradas por elas, e que antecipam os efeitos diretos sobre a sociedade em geral. O grupo de economistas reunidas no Núcleo de Pesquisas de Economia e Gênero da FACAMP (NPEGen) se debruçou sobre os números de 2020 e descreve os detalhes da crise humanitária que tem um perfil essencialmente feminino. A vulnerabilidade social teve início na falta da rede de apoio que as mulheres poderiam contar para poder assumir postos de trabalho fora de casa. ...

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Helen Andrade é head de diversidade da Nestlé (Foto: Helen Andrade/LinkedIn/Reprodução)

‘Não adianta ter dinheiro; nenhum negro escapa do racismo no Brasil’, diz head de diversidade da Nestlé

O programa “Mulheres Positivas“, da Jovem Pan, desta segunda-feira, 5, teve como entrevistada a head de diversidade e inclusão da Nestlé, Helen Andrade. A convidada da apresentadora Fabi Saad falou sobre como o racismo moldou a trajetória dela e sobre como as ações são essenciais para poder conscientizar a população. “Minha trajetória foi uma trajetória de bastante resiliência e persistência. Eu entendo que eu cheguei até aqui, óbvio, não só por mérito meu. Tiveram várias pessoas que me ajudaram, mas a resiliência é importante para quem quer chegar em uma posição de liderança, seja aonde for, e sendo negro em um país como o nosso. Ninguém escapa. Não adianta ter dinheiro ou ter estudado nas melhores escolas. Quando você vive em um país que é um país racista, ainda, espero que a gente evolua, esse tema vem e é a cor da pele”, opinou. Além da resiliência, Andrade lembrou da ...

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Crise prolongada deixa jovens num limbo, sem emprego e sem perspectivas (Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo)

Crise prolongada deixa jovens num limbo, sem emprego e sem perspectivas: ‘Dá uma sensação de potencial desperdiçado’

Em plena recessão de 2016, quando a economia brasileira encolheu 3,3%, Shayenne dos Santos Monteiro se formou na Faculdade de Enfermagem. Mesmo com a pandemia, aos 28 anos, ainda não conseguiu trabalhar na profissão. Foi babá e cabeleireira, trabalho que vem mantendo, enquanto ainda tenta ser enfermeira, fazendo estágio não remunerado e capacitação: — Coloquei currículo em hospital de campanha e nada. De um tempo para cá, nem a rejeição chega. A gente faz o cadastro, nem a recusa enviam mais. Não dão conta de todos os currículos que chegam. Só entra com indicação, tem muita gente desempregada. Foto: Criação O Globo Um ano antes de Shayenne, Vinícius de Almeida, de 31 anos, formou-se em Relações Internacionais. Outro ano recessivo, quando o Produto Interno Bruto (PIB) retraiu 3,5%. E também nunca conseguiu trabalho na sua área. Fez mestrado, mas desistiu. Hoje cursa Direito e estuda para ...

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Imagem: Getty Images

Assembleia aprova cota de 20% para negros em concursos públicos do Ceará

Foi aprovada na última quinta-feira (04) pela Assembleia Legislativa do Ceará mensagem do governador Camilo Santana (PT) criando cota de 20% para negros e negras em concursos públicos no âmbito do executivo. Segundo Camilo, a medida é justificada como uma maneira do Estado construir políticas públicas afirmativas que corroborem para ampliar a participação da população negra em cargos públicos. Oposição ao governador, o deputado Renato Roseno, com assento na casa pelo PSOL, destacou a necessidade da medida, ao passo que lembrou o histórico de resistência, de luta e de afirmação de negros e negras no Ceará. “Chegamos a ser dos maiores pontos de tráfico de escravos negros entre as províncias”, frisou. Contrária a proposta, a Deputada Silvana (PSL) trouxe um argumento que a luz do movimento negro, de professores e professoras envolvidas diretamente com a causa da superação do racismo e da construção da equidade racial na sociedade é falho ...

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(Ilustração: LINOCA SOUZA)

Abismo feminino

“O ano passado foi devastador para minha família. Lembrei dos meus tempos de criança, na roça, com alimentação à base de cuscuz e, quando dava, feijão.” Maria Inês da Silva, de 62 anos, é o retrato do que aconteceu no Brasil ano passado com milhões de lares. Morando com suas quatro filhas e três netas em uma casa de 60m2 na periferia de São Paulo, a doméstica viu 75% da renda do lar desaparecer, com ela e três de suas filhas perdendo o emprego. “A única que não perdeu o trabalho teve horário e salário reduzidos”, disse. E a lógica perversa de escolher entre buscar renda e preservar a saúde retrata o que aconteceu no Brasil no último ano. Entre as mulheres, em especial as que são mães, a pandemia do desemprego foi ainda mais cruel, fazendo o nível de empregabilidade feminina retroceder 30 anos e voltar ao patamar de ...

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Clara Marinho Pereira/ Arquivo Pessoal

Desafios das mulheres negras no mercado de trabalho

As mulheres negras enfrentam desafios históricos na sua inserção no mercado de trabalho. A escravização deixou marcas duradouras na trajetória laboral desse grupo populacional, as quais perpassam início precoce e saída tardia do mercado de trabalho; desemprego elevado; concentração em ocupações subordinadas; bloqueios à competição por posições com maiores remunerações e prestígio e então, baixo retorno em relação ao avanço da escolaridade; ameaças constantes de rebaixamento e expulsão, provocadas por mudanças sócio-econômicas, mudanças no ciclo de vida ou pelo racismo direto. No contexto da pandemia provocada pelo novo coronavírus, o conjunto desses desafios tem se agravado, renovando em bases ainda mais complexas o desafio de lutar por um padrão civilizatório em que a interseccionalidade seja vista como ponto de partida incontornável da ação estatal e social, e não como mero recorte. “Pra começo de conversa” Como já nos ponderou Beatriz Nascimento², a escravização estabeleceu o lugar da mulher negra na ...

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Foto: GETTY

Bayer lança meta de ter 50% de mulheres em cargo de chefia até 2030

Nos preparativos para o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Bayer lança o compromisso de alcançar a mesma quantidade de mulheres e homens em todos os cargos de chefia da companhia no mundo até 2030. A evolução vai acontecer em etapas. A meta é ter, até 2025, o equilíbrio com 50% na baixa e na média liderança, que atualmente tem 40% das vagas ocupadas por elas. No círculo de chefia formado por 540 executivos, a presença feminina, atualmente em apenas 23%, deve chegar a pelo menos 33% em 2025. No Brasil, a companhia diz que já alcançou os 50% de mulheres na alta liderança em 2020, saindo de um índice de apenas 7% em 2017. Nas posições de liderança como um todo, em outros níveis, a participação das mulheres está em 37% na operação brasileira da multinacional. A empresa relaciona o avanço do resultado a novas ...

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Ernesto Batista Mané Júnior, diplomata e cientista - (crédito: Egan Jimenez/Divulgação)

Diplomata e cientista nuclear é um dos 100 negros mais influentes do mundo

Paraibano, Ernesto Batista Mané Júnior, 37 anos, atua com excelência no que se dispõe a fazer: ao longo da vida, foi garçom, professor de inglês, programador e pesquisador. Atualmente, concilia duas diferentes carreiras de destaque, nas quais encontrou uma intersecção num nicho que alia todas as suas habilidades. Diplomata pelo Itamaraty e cientista nuclear, o físico pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) foi reconhecido como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo na área de política e governança na lista Most Influential People of Africa Descent (Mipad). É doutor em física nuclear pela Universidade de Manchester (Inglaterra), onde fez intercâmbio de graduação; pesquisador no Cern, o maior laboratório de física de partículas do mundo, em Genebra, na Suíça; e fez dois pós-doutorados: pelo Laboratório de Física Nuclear e de Partículas do Canadá e pela Universidade Princeton, nos Estados Unidos. A vivência no exterior foi um dos fatores que ...

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Getty Images

Trabalho pós parto

A mãe solo Thaiz Leão, 29, está atarefada. Muito atarefada. Ela e o filho Vicente já estão em casa direto há três meses. As aulas são virtuais e a professora da escola envia tarefas e recados pelo celular. Quando o aparelho vibra, ela para tudo e bota o garoto de seis anos para estudar. Na marra, mantém de dois a três afazeres ao mesmo tempo. Nem sempre consegue. Assim que o menino começa os deveres, ela retorna para o computador. Ajeita os óculos e fica meio cansada, meio elétrica. Do outro lado da tela estão milhares de mães solo, como ela, à espera de uma ajuda. Desde o início da pandemia, Thaiz, diretora da Casa Mãe e criadora da página "A Mãe Solo", coordena a campanha #SeguraACurvaDasMães. O nome é a uma alusão à curva de contágio do novo coronavírus, mas a ideia é impedir que os dados negativos contra ...

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Luiza Trajano (Foto: World Economic Forum)

Ataques ao Magazine Luiza revelam “capitalismo arcaico da direita brasileira”

A iniciativa da empresa Magazine Luiza de reservar todas as vagas do seu programa de trainees em 2021 a candidatos negros é um dos temas mais comentados das redes sociais neste sábado (19), e causou a fúria de vários setores da direita brasileira, fazendo com que liberais e conservadores se unissem na promoção da hashtag #MagazineLuizaRacista. Além da campanha nas redes sociais, também surgiram iniciativas judiciais contra a empresa: dois deputados do PSL do Rio de Janeiro, Carlos Jordy e Daniel Silveira, apresentaram seus processos contra a empresa Magazine Luiza, denunciando suposto crime de “racismo”, se apoiando no questionado conceito de “racismo reverso” (no qual os negros oprimiriam os brancos). No entanto, para o professor Dennis de Oliveira, da ECA/USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), “a iniciativa do Magazine Luiza, além de ser produto da pressão do movimento negro, também mostra que a empresa está ...

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(Foto: Divulgação/ Magazine Luiza)

Programa de trainee da Magazine Luiza para negros causa polêmica

A decisão da Magazine Luiza em colocar apenas negros no próximo programa de trainees, antecipada pelo Broadcast, está entre os assuntos mais comentados do momento no Twitter neste sábado (19/9). A decisão da empresa abriu um disputa nas redes sociais entre os que elogiam a medida e aqueles que acusam a Magalu de "racismo reverso" com brancos, usando a hashtag #MagazineLuizaRacista. Gente, estão abertas as inscrições p/ o Trainee 2021, o programa q forma as futuras lideranças do Magalu. Igualdade de oportunidades e a inclusão são duas das nossas mais importantes causas. E, por isso, neste ano será exclusivo para candidatos negros. Segue o fio pra entender + pic.twitter.com/rc4puiMEs8 — Lu do Magalu (em 🏠) (@magazineluiza) September 18, 2020 Trainee da Magazine Luiza dividiu opiniões Dentre os críticos, estão o vice-líder do governo na Câmara, deputado Carlos Jordy. O deputado afirmou que está entrando com representação no Ministério Público contra ...

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(Foto: nappy/@sebastianlibuda)

EUA: Negras de cabelo natural têm menos chance no mercado de trabalho 

Mulheres negras com cabelo natural — crespo ou cacheado — ou tranças têm menos probabilidade de conseguir entrevistas de emprego em comparação com mulheres brancas ou mulheres negras com cabelo liso. As informações são de uma pesquisa da Fuqua School of Business, da Duke University, nos Estados Unidos. A percepção dos participantes do estudo considerava cabelos naturais de pessoas negras como menos profissionais, de forma geral. Esse efeito foi notado especialmente em setores onde uma aparência mais conservadora é comum. A pesquisa, que será publicada na revista Social Psychological and Personality Science na próxima semana, mostra como os preconceitos sociais perpetuam a discriminação racial no local de trabalho, de acordo com comunicado à imprensa. "Os preconceitos estão enraizados em um padrão de beleza de muitas sociedades ocidentais, baseado em mulheres brancas e cabelos alisados. Os recrutadores são então influenciados por esse modelo", disse a pesquisadora Ashleigh Shelby Rosette, professora de ...

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Luta Permanente: Ana Carla Carneiro e Carolina Campos (Foto: Divulgação/AP)

“As marcas não ouvem o público negro”

Carolina Campos – Cofundadora do Estúdio Nina A publicitária Carolina Campos e a pesquisadora Ana Carla Carneiro lançaram o Estúdio Nina em 2019, que tem o objetivo de entender, decodificar e compartilhar conhecimento sobre o público negro. O propósito é ser a ponte que conecta mais da metade dos consumidores brasileiros às marcas que atuam no Brasil. “Falar de diversidade ou apenas incluir pessoas negras nas campanhas é insuficiente. É necessário estabelecer uma comunicação real e mais efetiva, e isso só é possível ouvindo esse consumidor. O mercado de pesquisa apresenta uma lacuna grave: não olha os negros, não tem dados e não se volta para suas necessidades particulares”, explica Ana Carla. Segundo a agência, mencionando estudos do IBGE, as famílias negras são responsáveis por um percentual muito elevado dos gastos da grande maioria de categorias: 61% de leite em pó, 49% de biscoito, 44% de sabonete, por exemplo. “Fomos ...

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Debora Mattos, diretora de Operações da Coca-Cola Brasil (Foto: Rodrigo Felha / Divulgação)

Sob pressão, empresas encaram a diversidade e mudam estruturas para contratar mais negros, mulheres e LGBTs

Com a pressão crescente de consumidores, clientes, movimentos sociais e dos próprios empregados, grandes empresas começam a dar um passo além das peças de marketing e das boas intenções na direção da diversidade em seus quadros funcionais. Causas contra o racismo, a desigualdade de gênero e a LGBTfobia começam a se refletir no ambiente corporativo de forma mais estruturada, com metodologias, investimentos e metas. E não é só para ficar bem na foto e reduzir riscos à reputação. As companhias seguem evidências de que cabeças diferentes favorecem a inovação, ampliam mercados e aumentam lucros. Há mais oportunidades, mas ainda faltam negros, mulheres e pessoas LGBTQ+ no topo. A frente racial ganhou impulso com os protestos antirracistas no mundo provocados pelo caso George Floyd nos EUA há dois meses. Além de um posicionamento antirracista, as empresas são cobradas pela coerência: não adianta fazer publicidade contra o racismo sem contratar negros ou ...

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Joana Mendes é publicitária e uma das fundadoras do primeiro banco de imagens de mulheres negras do Brasil (Foto: Arte/UOL)

Ela se tornou a primeira diretora negra em uma grande agência publicitária

Joana Mendes, publicitária e uma das idealizadoras do YGB.BLACK, o primeiro banco de imagens brasileiro de mulheres negras, fala hoje no quarto painel de debates da segunda edição de Universa Talks, com o tema "A Mulher no Mercado de Trabalho". Em seu discurso, Joana resgata sua trajetória de vida: nascida em Rondônia, considera que foi graças à postura da avó, uma trabalhadora doméstica, que as mulheres seguintes da sua família conseguiram chegar aos espaços que ocupam hoje. Há alguns dias, Joana se tornou a primeira mulher negra a ocupar um cargo de direção em uma grande agência de publicidade: a FBiz. Mudança na pirâmide "Sou rondoniense, minha mãe é carioca e minha avó sergipana. Ela, como muitas mulheres negras, foi empregada doméstica. Aos 11 anos, foi tirada da escola. Mais velha, trabalhava na casa de uma patroa que a constrangia, humilhava. Depois de escutar que 'não era e nem iria ...

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(Foto: Marta Azevedo)

Um freio à precarização

Se escancarou mazelas socioeconômicas tão antigas quanto toleradas no Brasil, a pandemia da Covid-19 tem igualmente precipitado reações à série de abusos. É dessa lavra a articulação que, diante da escalada de homicídios decorrentes de operações policiais no Rio de Janeiro, arrancou do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a liminar proibindo intervenções enquanto durar a calamidade na saúde. Também emergiu com vigor o enfrentamento ao racismo pela cobrança de ações objetivas de construção de equidade. Da mobilização virtual de estudantes brotou o adiamento do Enem. Esta semana, foi a vez de motofretistas e entregadores se insurgirem contra as más condições de trabalho e remuneração a que são submetidos por empresas de aplicativos. Inédita, a paralisação alcançou as principais capitais do país (São Paulo à frente) e, se teve apoio de organizações sindicais e políticas, não foi delas monopólio. Os números sobre a categoria variam. O Centro de ...

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Adobe

Apenas UM: a tokenização no mercado de trabalho

Por várias questões que me cercam e quem se sente como eu entenderá, inicialmente é necessário fazer uma observação: este texto passeia pela superficialidade. Ele nasce a partir do contexto que estamos vivendo e das reflexões que tenho feito nas últimas semanas. Portanto, não espere questões super acadêmicas e profundas. Me permita ser superficial para falar sobre um iceberg, afinal já sabemos o perigo que se esconde por baixo das águas. Asseguro que, mesmo sob essas condições, esta leitura pode ser um gatilho para observar, repensar e agir. Vamos juntos? Inclusão e diversidade no ambiente de trabalho não são temas que começaram a ser discutidos no ano de 2020. Sabemos que o pouco conquistado até o momento vem de lutas que começaram há décadas (e por qual motivo não falarmos séculos, considerando a luta da população negra desde que chegou nas Américas?). Aqui, sinalizo o meu lugar de fala: sou ...

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Mulher caminha por rua da Saúde, na Zona Sul de SP (Foto: Arquivo/Celso Tavares/G1)

Recessão gerada pela pandemia impacta mais mulheres e negros no mercado de trabalho

O quadro recessivo gerado pelo isolamento social atingiu quase todos os setores da economia e trabalhadores, como mostraram os dados do Produto Interno Bruto (PIB), que mostraram que a economia brasileira encolheu 1,5% no primeiro trimestre. Mas grupos que ocupam, historicamente, posições menos favoráveis no mercado de trabalho têm sido impactados com maior intensidade, como é o caso das mulheres e da população negra. O canal de contágio da atual crise sobre o trabalho feminino tem sido, principalmente, o trabalho doméstico, com muitas dessas trabalhadoras - a maioria negras - sendo dispensadas por seus empregadores com pouca ou sem remuneração. As mulheres também são atingidas pelo modo como se inserem no mundo do trabalho: elas ainda são minoria nos postos ligados à produção, como a indústria, transportes e construção, atividades consideradas essenciais nos decretos governamentais de isolamento social. Já entre os serviços não essenciais estão os salões de beleza e ...

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Ilustração: Cezar Berje

Uberizados: prelúdio da Era dos Bicos

Há quase duas semanas, no dia 17 de abril, entregadores de aplicativo de delivery de São Paulo protestaram contra pagamentos baixos e falta de equipamento de proteção individual. Com suas motos, bicicletas e patinetes, fecharam a avenida Paulista. Desesperados, buzinavam, apitavam e vociferavam com a exploração do trabalho promovida pelas empresas-aplicativos – intensificada em plena pandemia. Máscaras, luvas e álcool gel são distribuídos em poucos postos de atendimento. A maioria tira dinheiro do próprio bolso para minimizar os riscos de contaminação; quem não tem o dinheiro, trabalha sem proteção. Afinal, quem não trabalho, ou mesmo quem fica na rua e não recebe nenhuma chamada, não recebe nada ao final do dia. Hoje, esses trabalhadores são os mais degradados e precarizados do mercado: trabalham mais de 14 horas por dia. Não têm direitos trabalhistas, são vilipendiados pela sociedade e esquecidos pelo Estado – para, ao final, ganhar pouquíssimo. Mas uma coisa ...

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Sociedade racista admitia o negro como escravo; para o trabalho livre trouxe o europeu, alegando que os negros não tinham mentalidade para se integrarem aos modos de produção

Como os paulistas excluíram os negros do mercado de trabalho

O trabalho escravo, núcleo do sistema produtivo do Brasil colônia, vai sendo gradativamente substituído pelo trabalho livre no decorrer dos anos 1800. Essa substituição, no entanto, dá-se de uma forma particularmente excludente. Uma das consequências mais importantes do trabalho escravo e de seus desdobramentos racistas nas primeiras décadas após a abolição, segundo o professor titular de Sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul Karl Monsma (2016), é o que se denomina de “mercado de trabalho cindido”. A sociedade racista admitia o negro como escravo; para o trabalho livre trouxe o europeu, alegando que os negros não tinham mentalidade para se integrar aos modos de produção modernos. Esmagados pela herança da escravidão, os negros não constituem uma força produtora significativa e não se definiram como classe trabalhadora. Ironicamente o negro perdeu importância ao se transformar em homem livre: não conseguiu a emancipação, nem atingiu o estágio de trabalhador engajado ...

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